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Ibovespa sobe 0,7% refletindo estímulo de R$ 83 bilhões do governo; DIs afundam

Mercado volta a subir em dia de forte volatilidade ganhando força no final com anúncio de estímulo do governo

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve um pregão de muita volatilidade nesta quinta-feira (28). A Bolsa oscilou de 1,88% de alta na máxima a 0,99% de queda na mínima do dia, fechando no meio termo, em uma leve alta de 0,66% a 38.630 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 5,330 bilhões.

Pela manhã, o índice operou estável, mas foi tirado da inércia quando uma notícia de que Rússia e Arábia Saudita reduziriam em 5% suas produções de petróleo, fez o barril do Brent disparar 7% e impulsionar as ações da Petrobras (PETR3; PETR4). Uma fala da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de que não haveria conversas sobre cortes na produção, contudo, jogou um banho de água fria no mercado. Quando parecia que a Bolsa não sairia do zero a zero, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, anunciou um pacote de medidas de crédito de R$ 83 bilhões, o que voltou a impulsionar as ações. 

Enquanto a Bolsa subia, o dólar comercial fechou em queda de 0,14% a R$ 4,0775 na compra e a R$ 4,0800 na venda. Já o dólar futuro para fevereiro recuou 0,81% a R$ 4,077. Lá fora, as bolsas norte-americanas viraram para alta ao longo da sessão depois de passar boa parte do dia em queda. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 caiu 24 pontos-base, para 14,46%, enquanto o contrato para janeiro de 2021 recuou 27 pbs, a 16,13%, refletindo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Para economistas, o documento teve tom mais "dovish" moderado, e deixou no horizonte de ação do Banco Central até mesmo reduções da taxa de juros a partir do fim do ano. 

Conselhão 
Durante reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) nesta quinta no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda anunciou R$ 83 bilhões em estímulo ao crédito. Embora ainda não oficial, a informação já foi divulgada no Terminal Bloomberg e Folha de S. Paulo. Será autorizado o uso da multa e de parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) como garantia de crédito consignado para trabalhadores do setor privado demitidos sem justa causa. O governo espera gerar R$ 17 bilhões de crédito com essa modalidade. 

Para o crédito rural, serão destinados R$ 10 bilhões. Já para crédito habitacional, com recursos do FGTS, serão mais R$ 10 bilhões. Para infraestrutura, por meio de recursos do FI-FGTS, serão mais R$ 22 bilhões. Para capital de giro de pequenas empresas serão destinados R$ 5 bilhões, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico). Para investimentos em máquinas e equipamentos, o governo trabalha com linha de crédito do BNDES de R$ 15 bilhões. E, por fim, para empresas exportadoras, serão liberados mais R$ 4 bilhões de crédito. 

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Ata do Copom
O Banco Central disse na ata da última reunião do Copom que a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, justifica continuar monitorando a evolução do cenário macroeconômico para, então, definir os próximos passos na política monetária. “O Copom considera que remanescem incertezas associadas ao balanço de riscos, principalmente, quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição, e que o processo de realinhamento de preços relativos mostrou-se mais demorado e mais intenso que o previsto."

Destaques de ações
Em destaque ficaram as ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,52, -0,31%; PETR4, R$ 4,60, +0,66%), que terminaram o pregão entre perdas e ganhos apesar da notícia de demissão, segundo a própria empresa, de pelo menos 30% dos funcionários cargos gerenciais em áreas não operacionais.

O presidente da estatal, Aldemir Bendine, afirmou que o programa foi bem estruturado e que será aprofundado ao longo do tempo. Em comunicado divulgado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a companhia já havia informado que seu Conselho de Administração aprovou o novo modelo de gestão e governança. "A revisão do modelo ocorre em função da necessidade de alinhamento da organização à nova realidade do setor de óleo e gás e da priorização da rentabilidade e disciplina de capital", disse a empresa.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 JBSS3 JBS ON 9,35 +11,18 -24,29
 CMIG4 CEMIG PN 5,34 +8,76 -10,57
 MRFG3 MARFRIG ON 5,95 +6,25 -6,30
 RUMO3 RUMO LOG ON 1,77 +5,99 -71,63
 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 15,57 +4,92 +2,57

 

 

O mercado também reverteu a reviravolta das 12h, e as ações da Vale (VALE3, R$ 9,33, -0,85%; VALE5, R$ 7,09, -1,25%) fecharam em queda. Na mesma direção, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 3,14, -3,38%), holding que detém participação na mineradora, teve perdas acima de 3%. Os papéis não conseguiram ser sustentados pela alta do preço do minério de ferro, que subiu 0,5% no mercado à vista chinês, indo a US$ 41,50 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.  

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 OIBR4 OI PN 1,49 -6,88 -23,59
 USIM5 USIMINAS PNA 0,86 -4,44 -44,52
 TIMP3 TIM PART S/A ON 6,05 -4,12 -11,81
 EMBR3 EMBRAER ON 26,93 -4,06 -10,80
 BRAP4 BRADESPAR PN 3,14 -3,38 -37,07

 

Outro destaque ficou com o Bradesco (BBDC3, R$ 19,20, +1,69%; BBDC4, R$ 17,40, +0,17%), que anunciou um aumento de 14% em seu lucro líquido no acumulado anual, passando de R$ 15,08 bilhões em 2014 para R$ 17,19 bilhões no ano passado. No quarto trimestre, os ganhos cresceram em relação ao três meses anteriores. De R$ 4,12 bilhões, o lucro passou para R$ 4,35 bilhões, alta de 5,6%.

A carteira de crédito expandida no último trimestre somou R$ 474,0 bilhões, mostrando estabilidade em relação ao trimestre anterior. As micro, pequenas e médias empresas e as grandes empresas registraram queda de 1,2% e de 0,8%, respectivamente. Já a pessoa física cresceu 1,7% no período.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 4,60 +0,66 618,33M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,89 +0,39 311,48M
 JBSS3 JBS ON 9,35 +11,18 279,09M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 23,84 +0,68 238,79M
 BBDC4 BRADESCO PN 17,40 +0,17 235,10M
 VALE5 VALE PNA 7,09 -1,25 221,34M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 21,75 +3,28 211,92M
 PETR3 PETROBRAS ON 6,52 -0,31 171,08M
 ITSA4 ITAUSA PN 6,65 +2,15 169,09M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 15,00 -0,13 117,50M

 

Fitch cita "efeito Brasil" no mundo
A agência de classificação de risco Fitch divulgou relatório nesta manhã afirmando que os preços das commodities são o maior risco para os ratings dos mercados emergentes. De acordo com a agência, a visão global atual é parcialmente explicada por uma contração menor no Brasil e a estabilização na Rússia, enquanto a China vai continuar a desacelerar. "Os principais riscos para o crescimento global são um crescimento mais lento da China e um impacto mais pronunciado por conta do aumento da taxa de juros nos EUA.

Bolsas asiáticas
O dia foi misto para as bolsas asiáticas, com Xangai fechando em queda de 2,85% e o Nikkei em queda de 0,71%; já HangSeng teve alta de 0,75%, com o mercado repercutindo a decisão do Fomc da véspera e também o noticiário chinês, em meio aos temores de redução dos lucros das empresas do gigante asiático. O Banco do Povo da China (PBOC, Banco Central) injetou hoje (28) 340 bilhões de yuan (47,8 bilhões de euros) no sistema financeiro do país, na segunda tentativa de melhorar a liquidez nesta semana. 

Desde que, no dia 19 de janeiro, o Gabinete Nacional de Estatísticas revelou um crescimento da economia chinesa de 6,9% em 2015 - o ritmo mais lento dos últimos 25 anos - o PBOC fez cinco injeções de liquidez. Enquanto isso, o dia é misto para as bolsas europeias, de olho no Fomc e na temporada de resultados.

 

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