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Petrobras dispara 10%, elétricas saltam até 11% e JBS afunda 15%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelerou ganhos nesta quarta-feira (27) após o Federal Reserve adotar um tom mais "dovish" (brando) e decidir manter os juros nos Estados Unidos, em meio à expectativa de que a inflação permaneça baixa nos Estados Unidos no médio prazo. 

O anúncio, feito às 17h (horário de Brasília), puxou o índice para alta de 400 pontos em um minuto, com as ações da Rumo, Cemig e Petrobras liderando os ganhos. Os papéis da petroleira chegaram a atingir na máxima do dia alta de 14%. A mineradora Vale também seguiu em forte alta nesta sessão de cerca de 6%. Outros papéis considerados mais defensivos também subiram forte, como Ambev e Cielo, que mostraram ganhos de 6% e 3%, respectivamente. 

Diante da euforia do mercado, apenas 6 ações registravam perdas no índice, com destaque para JBS, que afundou 13%, seguindo pressão da véspera em meio à denúncia do Ministério Público Federal de São Paulo contra a empresa por suposto crime financeiro.

Confira abaixo os principais destaques de ações deste pregão: 

Petrobras (PETR3, R$ 6,54, +9,73%; PETR4, R$ 4,60, +9,52%)
As ações da Petrobras dispararam nesta sessão após dois pregões de quedas, puxadas pela arrancada dos preços do petróleo, que depois de operar em queda nesta manhã, passaram a subir forte lá fora, em meio a notícias de que a Rússia está em conversas com a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para reduzir a produção do combustível, ofuscando o aumento dos estoques de petróleo nos Estados Unidos esta semana, conforme dados divulgados mais cedo. O petróleo Brent subiu 3,84%, a US$ 33,02 o barril. 

No radar da empresa, de acordo com a Folha de S. Paulo, os 60 mil participantes do principal fundo de pensão da Petrobras serão chamados a dar sua contribuição para cobrir um rombo que já dura três anos na Petros, fundação que administra a previdência privada da estatal. Segundo o jornal, a expectativa de conselheiros da Petros é de que o rombo anual chegue a quase R$ 20 bilhões. 

Ainda sobre a companhia, a Petrobras informou ontem à noite que não foi intimada sobre a liminar concedida pelo juiz federal João Paulo Pirôpo de Abreu, da cidade de Paulo Afonso, na Bahia, que suspende a venda da participação de 49% da Petrobras Gás S.A (Gaspetro) pela companhia. Na operação, concluída no dia 28 de dezembro de 2015, a empresa japonesa Mitsui Gás e Energia do Brasil (Mitsui-Gás) desembolsou R$ 1,93 bilhão (US$ 700 milhões).

A estatal disse que a defesa, mediante as medidas judiciais cabíveis, será feita oportunamente. A companhia destacou que a venda foi “realizada dentro da absoluta legalidade e aprovada, sem restrições, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”.

A estatal ainda informou em comunicado que a BR Distribuidora aprovou a prorrogação do mandato do Conselheiro Segen Farid Estefen como Presidente do Conselho da subsidiária até a próxima Assembleia Geral Ordinária. Adicionalmente, foi aprovada a designação do Diretor de Operações e Logística da BR, Ivan de Sá Pereira Junior, como Presidente Interino dessa subsidiária até a próxima Assembleia Geral Ordinária.

Por fim, o MPF pediu a condenação de executivos da Andrade Gutierrez na Lava Jato e pediu ressarcimento à Petrobras de R$ 486 milhões, o dobro do que ficou comprovado como pagamento de propina nos contratos apurados neste processo, segundo os procuradores. O órgão pede ainda o confisco de mais R$ 243 milhões dos condenados, somando R$ 729 milhões.

Vale (VALE3, R$ 9,41, +5,14%; VALE5, R$ 7,18, +5,28%)
As ações da Vale seguiram o otimismo do mercado doméstico e dispararam até 8%, seguidas pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 3,25, +3,50%), holding que detém participação na mineradora.  

No radar da empresa, no entanto, a barragem do Fundão, em Mariana (MG), apresentou deslocamento de materiais residuais nesta quarta-feira, levando a Samarco - joint venture entre Vale e BHP Billiton - a adotar plano de emergência, pedindo que os empregados, que atuam próximos a área afetada, deixassem o local. 

Segundo a empresa, não houve necessidade de acionamento de sirene por parte da empresa, mas as defesas civis de Mariana e Barra Longa foram "devidamente informadas". 

A empresa disse que houve uma "movimentação de parte da massa residual da Barragem do Fundão, devido às chuvas das últimas semanas". O volume deslocado permanece entre a barragem de Fundão e Santarém, dentro das áreas da Samarco. A companhia reafirmou que as estruturas das barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis com base no continuo monitoramento.

JBS (JBSS3, R$ 8,41, -14,71%)
As ações da JBS chegaram a cair 16,02% na mínima desta sessão, a R$ 8,28, acumulando perdas de até 22% em apenas dois pregões, renovando mínima de agosto de 2014. A derrocada veio após denúncia do Ministério Público Federal de São Paulo contra CEO do Grupo e mais sete executivos, incluindo os do Banco Rural, por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Com a notícia, os papéis chegaram a cair até 11% somente ontem, mas encerraram em queda de 7%.

A denúncia se baseia em operações ilegais de concessão de empréstimos feitos em 2011 e inclui o CEO do Grupo JBS, Joesley Mendonça Batista, e o dono do Banco Rural, João Heraldo dos Santos. Segundo o MPF, os valores envolvidos nas operações, conhecidas como "troca de chumbo", chegam na casa dos R$ 80 milhões. Em resposta à Bloomberg por email, a J&F, holding que controla a JBS, disse nesta tarde que não teve acesso ao conteúdo da denúncia. 

Em relatório desta manhã, o Credit Suisse ressaltou que o risco do papel aumentou com a notícia, contribuindo para pressão negativa no curto prazo, mas eles acreditam que essa queda pode abrir oportunidade no papel. "Enxergamos a ação muito barata, em boa parte precificando esse risco, e por isso mantemos a recomendação de compra", comentaram os analistas. Para eles, o papel seguirá pressionado no curto prazo, mas isso seria uma oportunidade para comprar a ação, se continuar caindo. "JBS nos parece um dos papéis de alimentos mais baratos do mundo, destacaram.  

Veja mais em: Os 30 minutos de pânico da JBS: ações caíram até 11% após denúncia contra CEO 

Elétricas
As ações das elétricas dispararam, repercutindo, além da elevação de recomendações de bancos para algumas ações, a decisão do governo de reduzir os valores das chamadas bandeiras tarifárias. A cobrança adicional da bandeira amarela será reduzida dos atuais R$ 2,50 para R$ 1,50 por 100 kWh. A cor amarela aparecerá nas contas de luz quando o custo de geração de energia for igual ou superior a R$ 211,28 por megawatt-hora (MWh) e inferior a R$ 422,56/MWh. 

As ações da Cemig (CMIG4, R$ 4,91, +10,34%) lideraram os ganhos do setor no Ibovespa. Na esteira da alta, apareceu um relatório da Bradesco Corretora, que elevou a recomendação da ação de neutra para outperform (desempenho acima da média) na véspera. Os papéis da companhia tiveram terceira alta em quatro pregões. 

Destaque também para os papéis da Copel (CPLE6, R$ 20,08, +7,38%), que dispararam, reagindo também à revisão de recomendação pelo Citi, que elevou seus papéis para compra. Essa é a terceira sessão de ganhos da ação em quatro pregões. 

Outras elétricas também chamaram atenção hoje: Eletrobras (ELET6, R$ 8,88, +8,82%) teve maior alta em 2 meses, reagindo à notícia sobre revisão dos valores na bandeira tarifária. Energias do Brasil (ENBR3, R$ 11,22, +4,18%), Cesp (CESP6, R$ 12,56, +5,55%) e Celesc (CLSC4, R$ 9,06, +2,03%) também subiram forte. 

Bancos
Os papéis dos bancos conseguiram recuperar as perdas desta manhã depois de um relatório pessimista do Credit Suisse. Somente o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 12,70, -1,47%) encerrou em queda. Os demais bancos grandes fecharam em alta: Bradesco (BBDC3, R$ 19,10, +3,24%; BBDC4, R$ 17,37, +1,22%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 23,68, +0,38%) e Santander (SANB11, R$ 12,70, +0,55%).

O Credit Suisse voltou a traçar um cenário bastante negativo para o setor. "Desde o nosso último relatório, o setor já caiu 24%, o que leva à questão: já chega?". Para os analistas do Credit Marcelo Telles, Lucas Lopes, Alonso Garcia e Victor Schabbel, a resposta é simples: "não". 

O banco, que em outubro rebaixou a recomendação do Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaúsa para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), ressaltou que, desde então, os fundamentos econômicos têm se deteriorado. Isso deixa ainda mais espaço para a deterioração de lucros, que já eram pessimistas, e mais ainda para as estimativas do consenso, que ainda são de alta.

Com isso, eles mantêm recomendação underweight para todos eles, ressaltando que o principal risco para os ganhos é a qualidade dos ativos e o aumento das renegociações de crédito e o que isso pode significar como custo futuro.

Smiles (SMLE3, R$ 27,66, +5,69%)
As ações da Smiles subiram forte após ter batido recentemente mínima de fevereiro de 2014. Ontem, o Santander destacou em relatório que a companhia poderia ser uma das surpresas positivas na temporada de balanços do 4° trimestre, que teve início hoje no Brasil.   

Veja mais: 8 ações que podem roubar a cena na temporada de balanços

Santander (SANB11, R$ 27,21, +3,97%)
Além do relatório pessimista do Credit Suisse sobre os bancos, o Santander repercutiu um resultado fraco no quarto trimestre. O BTG Pactual destacou como negativo a margem financeira caindo na trimestre e despesa para provisão para devedores duvidosos aumentando, enquanto o lucro veio abaixo do esperado. "Apesar do trimestre mais fraco que o esperado, 2015 foi um bom ano para o Santander, no entanto, está claro que 2016 será um ano difícil", comentaram os analistas. 

Inaugurando a temporada de resultados, o Santander Brasil teve lucro líquido recorrente de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre, queda de 5,9% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Desconsiderando as despesas com ágio, o lucro societário foi de R$ 1,167 bilhão, queda de 7,8%, também na comparação sequencial. 

No final de 2015, a carteira de crédito do banco espanhol no país somava R$ 260,988 bilhões, aumento de 6,3% em 12 meses e queda de 0,4% sobre setembro. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,2%, estável sobre o trimestre anterior e queda de 0,1 ponto percentual em relação ao final de 2014. A despesa do Santander Brasil com provisão para perdas com calotes entre outubro e dezembro somou R$ 3,497 bilhões, salto de 17,6% sobre o trimestre anterior.

Gol (GOLL4, R$ 1,19, +1,71%)
Conforme destaca matéria do jornal Valor Econômico de hoje, a recessão deverá manter pressão sobre passagens aéreas, citando executivos do setor de viagens, que projetam corte na oferta de voos para atenuar o impacto do quadro negativo sobre a rentabilidade das aéreas. Segundo o Estadão, a Anac quer rever direitos de passageiros para tentar baratear custo de bilhete. No ano, as ações da companhia já caem 52%. 

Educação
As ações da Ser Educacional (SEER3, R$ 6,65, -1,04%), que dispararam 12% na véspera em meio à novidade sobre o Fies, figurando como a maior alta do setor, amenizaram os ganhos hoje. Kroton (KROT3, R$ 7,85, -1,88%), Estácio (ESTC3, R$ 10,77, +0,75%) e Anima (ANIM3, R$ 9,50, -0,94%) encerraram entre perdas e ganhos.  

Ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, oficializou 250,3 mil vagas para o Fies no primeiro semestre de 2016, estável na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, o ministro indiciou que 41% das vagas irão para a região Sudeste (contra 38% no 2° semestre de 2015), 47% para o Norte/Nordeste e Centro (52% em 2015) e 12% para o Sul (10% em 2015), mas não forneceu mais detalhes do programa para o segundo semestre. Ele disse apenas que será ao menos estável na comparação com o ano anterior, que foram cerca de 71 mil novos contratos.

Segundo o BTG Pactual, se confirmado, o resultado parece ruim para Kroton, dado que representará uma queda de 30% nos contratos do Fies na comparação anual e Anima, queda de 26%. Já Estácio se beneficiará de um aumento de 24% dos contratos, mas destaque especial para Ser Educacional, que virá um incremento de 91% dos contratos esse ano. Para os analistas, os resultados aumentaram suas preocupações em relação à dinâmica da captação da Kroton e Anima para esse ano. O Santander também destacou a Ser como a grande beneficiada pelo anúncio. 

Nesta quarta-feira, o Bradesco elevou a recomendação das ações da Anima de neutra para "outperform" (desempenho acima da média), com preço-alvo de R$ 22,00 para cada ação. O banco manteve Estácio como neutra. 

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