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Ibovespa já cai 3,6% mesmo com desmentido da Petrobras; dólar e DIs sobem forte

Preocupações com aumento da oferta do Irã pressionam commodity, que se junta a China e aumenta as pressões globais

Após a assessoria da estatal negar que haveria uma coletiva de imprensa sobre possível capitalização da companhia, o CFO Ivan Monteiro esclareceu a um grupo de jornalistas, nesta tarde, que não é estudado esse procedimento para a recomposição do caixa da Petrobras. Até o fechamento desta edição, os papéis da petrolífera mantinham fortes quedas na Bolsa, não respondendo em um primeiro momento ao pronunciame

painel bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa mergulha seguindo as notícias sobre Petrobras e a fraqueza dos dados dos Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o CFO da Petrobras (PETR3PETR4) Ivan Monteiro afirmou que a Petrobras não estuda capitalização, desmentindo a fala da presidente Dilma Rousseff mais cedo. Monteiro ainda afastou a hipótese de recorrer ao Tesouro, destacando que esta seria a última alternativa. Segundo ele, não está no radar da estatal recorrer ao Tesouro e nem a capitalização.

Às 16h00, o índice recuava 3,48%, a 38.123 pontos, pressionado pelas ações da Petrobras, que afundavam mais de 9% com a notícia, além de Vale (queda superior a 6%) e bancos. Já o dólar comercial disparava 1,34% para a máxima do dia, a R$ 4,0520 na venda. O dólar futuro para fevereiro tem alta de 1,21% a R$ 4,065. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 5 pontos-base a 15,54%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 13 pontos-base a 16,56%. 

Segundo o economista-chefe do home broker da Modalmais, Álvaro Bandeira, a Petrobras precisa urgentemente se capitalizar, já que tem uma dívida de R$ 500 bilhões, sendo a maior parte em dólar e euro. No entanto, isso deveria ser feito com venda de ativos e não com uma emissão de ações. Para ele, a estatal tem ativos muito interessantes, mas o momento atual, de queda do petróleo, crise na empresa e menor demanda global é ruim para isso, então o governo poderia eventualmente emitir ações da sua parte na companhia para capitalizá-la. "O problema é que se fossem, por exemplo, só R$ 50 bilhões, não ajudariam a Petrobras. E uma capitalização suntuosa traria uma diluição de posição acionária que faria muita confusão no mercado", explica.

Desde a manhã, o mercado já deixava sua tentativa de recuperação da quinta e acompanhava as quedas nas bolsas internacionais. Principal destaque da semana, o petróleo volta a cair forte hoje e o barril do WTI (West Texas Intermediate) recua nada menos do que 4,78% em meio a preocupações com o aumento da oferta do Irã. Depois de passar um longo período fora do jogo no comércio exterior da commodity, o país deve voltar com força este fim de semana, para o qual está previsto que sejam levantadas as sanções que sofria da comunidade internacional por conta do seu programa nuclear.

Na China, o número de novos empréstimos ficou abaixo do esperado, mostrando uma menor eficácia dos estímulos do governo. 

EUA cai forte
Os índices norte-americanos abriram em forte queda, especialmente o Nasdaq, que reúne as principais ações de empresas do setor de tecnologia. Além da queda das bolsas mundiais, o recuo se dá por conta de uma série de dados negativos no país. As vendas no varejo mostraram o ano mais fraco nos Estados Unidos desde 2009. O indicador caiu 0,1% em dezembro, ante expectativas de 0,1% de avanço. A inflação ao produtor também caiu mais que o esperado, fechando o mês em queda de 0,2%, contra projeções de 0,1% de recuo. Por fim, a produção industrial decepcionou mais ainda e caiu 0,4% no último mês do ano, contra 0,2% de contração esperados.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 6,72, -7,05%; PETR4, R$ 5,20, -8,61%) acentuam perdas após fala de Dilma, além de acompanhar a forte queda do petróleo. O barril do WTI cai 6,22% a US$ 29,26, enquanto o barril do Brent registra queda de 5,93% a US$ 29,05. 

No noticiário, a estatal protocolou solicitação junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que seja cancelado seu pedido de registro de oferta de debêntures simples, inicialmente previsto para o montante de 3 bilhões de reais, citando condições de mercado desfavoráveis, de acordo com publicação nesta sexta-feira. Em outubro, a petroleira havia requerido que a CVM interrompesse a análise do pedido de registro da oferta de debêntures até esta sexta-feira, 15 de janeiro, devido às condições adversas do mercado.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 2,36 -9,58
 PETR4 PETROBRAS PN 5,20 -8,61
 SMLE3 SMILES ON 26,24 -8,57
 GOAU4 GERDAU MET PN 1,04 -7,14
 PETR3 PETROBRAS ON 6,72 -7,05

 

 

Já a Vale (VALE3, R$ 9,23, -4,35%; VALE5, R$ 7,10, -5,59%) afunda nesta sessão, seguindo as mineradoras lá fora, que são pressionadas pelo novo "sell-off" da Bolsa chinesa, que traz apreensão aos mercados globais. O pessimismo leva abaixo os preços das commodities, com os metais caminhando para a 2ª semana de baixa. Ontem, estrategista do Citigroup disse que são fortes as chances do minério de ferro cair para baixo de US$ 30,00 a tonelada até o fim deste ano, seguindo o exemplo do petróleo.

Na Bolsa de Londres, as ações da Anglo American afundavam 11%, indo para 235,20 libras, liderando as perdas das mineradoras, depois de ver a bolsa chinesa cair mais de 3% nesta sessão. Seguiam o desempenho os papéis da BHP Billiton, Glencore e Rio Tinto, que desabavam mais de 5% nesta sessão.

O único alívio vem da cotação do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao subiu 2,24% a US$ 41,12 a tonelada. Foi o segundo dia consecutivo de alta do minério. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 16,09 +1,07
 HGTX3 CIA HERING ON 13,14 +0,92
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 34,80 +0,67
 NATU3 NATURA ON 22,86 +0,48
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,28 +0,18

 

Neste momento, os papéis da exportadora de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 16,09, +1,07%) são os únicos que se salvam dentro das 61 ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa. Apesar de outras ações esporadicamente aparecerem em alta, apenas a Suzano registra ganhos desde o início do pregão. Vale lembrar que a companhia é beneficiada pela alta do dólar, já que possui suas receitas denominadas na moeda norte-americana. 

Cenário externo
A sessão desta sexta-feira é de cautela para os mercados, com China e petróleo renovando as tensões. A bolsa da China entrou em bear market (quando o índice despenca 20% ou mais em relação a um topo) ao registrar baixa de 3,5% na sessão de hoje com a notícia de que os bancos chineses não aceitam ações como colateral em operações de crédito. As commodities também operam em baixa, enquanto o S&P futuro cai e petróleo volta a ficar abaixo de US$ 29. O japonês Nikkei, por sua vez, teve queda de 0,54%, enquanto Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, caiu 1,5%.

No noticiário econômico chinês, o Banco do Povo do país informou que injetou 100 bilhões de yuans no mercado por meio de uma linha de crédito de longo prazo nesta sexta-feira, com o objetivo de manter a ampla liquidez no sistema bancário do país. Além disso, os bancos do país liberaram 597,8 bilhões de yuans (US$ 90,7 bilhões) em novos empréstimos em dezembro, abaixo dos 708,9 bilhões de yuans de novembro e menos do que previam os economistas.

Na Europa, o dia também é de baixa acompanhando o noticiário chinês e com a queda do petróleo: o FTSE cai 2,37%, o DAX tem baixa de 3,04% e o CAC 40 tem queda de 2,73%.

Indicadores
Entre os indicadores divulgados hoje, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), espécie de prévia do PIB (Produto Interno Bruto), caiu 0,52% em novembro sobre outubro, de acordo com dados dessazonalizados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (15). Pesquisa da Bloomberg apontou que a mediana das expectativas dos economistas era de queda 0,90%. Em 12 meses, o dado caiu 6,14%, contra expectativas de queda de 6,75% segundo a Bloomberg.

A taxa de desemprego no Brasil subiu a 9% no trimestre encerrado em outubro e voltou a renovar o maior patamar da série iniciada em 2012, apontou a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua divulgada nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa ficara em 8,9% no segundo trimestre. A expectativa da pesquisa Bloomberg junto a economistas era de que o desemprego chegasse a 9,1% no quarto trimestre até o fim de outubro.

Orçamento de 2016
A presidente Dilma Rousseff sancionou sem vetos o Orçamento de 2016, de acordo com lei publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira. A lei estima a receita da União para 2016 em R$ 3,050 trilhões. Em meados de dezembro, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2016, evitando assim que o governo começasse o ano com amarras no Orçamento.

 

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