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"Mudança contábil" faz Gol cair 10,5%; Vale afunda 4% e Rumo atinge 46% de queda no ano

Confira os principais destaques de ações da Bovespa desta quarta-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa mais uma vez esboçou alta durante a manhã e virou para queda no início da tarde. Nesta quarta-feira (13), o índice ficou pressionado pelas ações ligadas a commodities que também passaram a cair forte, caso de Petrobras e Vale. A mudança de rumo ocorreu após a abertura do mercado nos EUA e com a divulgação de dados ruins de estoques de petróleo.

A Vale chegou a subir quase 5%, mas acabou caindo cerca de 3%, enquanto a Petrobras, que avançou 4% na máxima do dia, virou para queda depois que os dados de estoque de petróleo nos Estados Unidos jogaram o preço da commodity para baixo. Mais cedo, o petróleo chegou a subir 2%. 

Os papéis de varejistas, enquanto isso, fecharam em forte alta hoje depois de dados das vendas do setor surpreenderem analistas, mostrando segunda alta consecutiva, na comparação mensal. A Cia. Hering conseguiu ficar entre as maiores altas do Ibovespa nesta sessão. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 6,80, -2,86%; PETR4, R$ 5,27, -4,70%)
As ações da Petrobras viraram para queda e deram continuidade às perdas de 9% de ontem, indo para o menor valor desde agosto de 2003. Os papéis acompanharam a virada do preço do petróleo, que passou de alta de 2% para queda após dados mostrarem aumento dos estoques da commodity nos EUA.

Ainda sobre a estatal, chama atenção no radar entrevista do ex-diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e professor do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, Helder Queiroz. Ele vê ceticismo em dois pontos do novo plano de negócios da Petrobras para o período de 2015 a 2019: 1) a premissa de que o barril do petróleo fechará o ano com cotação média de US$ 45; 2) a meta de vender US$ 14,4 bilhões em ativos em 2016. 

Questionamentos que vão em linha com pontos frisados hoje pela XP Investimentos, em nota a clientes. Segundo analistas, a premissa de que o petróleo fechará o ano, em média, a US$ 45,00, trabalha com uma hipótese da commodity subir 50%, o que parece improvável. Além da meta de desinvestimentos, extremamente otimismo diante de um setor que sofre com a derrocada do petróleo. Como conseguir vender esse montante com a commodity em forte queda? Até porque em 2015 a empresa só vendeu US$ 700 milhões, muito longe do estimado para o biênio, de US$ 15,1 bilhões, comentam os analistas. 

Braskem (BRKM5, R$ 25,99, -2,37%)
As ações da Braskem chegaram a cair 4,58% nesta manhã, após notícia de que a Petrobras tenta acelerar o seu "feirão" de negócios e teria contratado o Bradesco para auxiliar na venda de sua fatia na Braskem, segundo coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Apesar da queda nesta sessão, as ações da petroquímica foram uma das maiores altas do Ibovespa em 2015. 

Sem poder contar com dinheiro do governo e após o tombo da Operação Lava Jato, a petroleira precisa aumentar seu caixa e por isso agora corre com o programa de desinvestimentos. A fatia que a estatal detém na Braskem é de 36% e vale hoje cerca de R$ 5,8 bilhões. Entre os possíveis compradores estaria a canadense Brookfield, que já possui atuação no setor petroquímico em outros países.  

Varejistas
As ações das varejistas tiveram alta nesta quarta-feira, após dados do setor melhores do que o esperado. Os papéis da Cia Hering (HGTX3, R$ 13,41, +3,15%) lideram os ganhos do Ibovespa depois de ter caído por quatro pregões seguidos. Na máxima do dia, os papéis chegaram a subir 5,15%, a R$ 13,67. 

Os papéis reagem a nova "alta surpresa" das vendas do setor em novembro de 1,5%, na comparação mensal, bem acima da mediana de recuo de 0,8% apontada por analistas consultados pela Bloomberg. Essa é a 2ª alta seguida das vendas depois de 8 meses consecutivos de queda, usando como critério a comparação mensal. 

Segundo o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, setores parecem ter sido favorecido pelas promoções de novembro relacionadas à Black Friday. Apesar dos 2 meses consecutivos de alta, ele salientou, em entrevista à Bloomberg, que o dado não muda o quadro de desaceleração do comércio, que vai continuar se apresentando nos próximos anos. 

Vale e siderúrgicas
Após subir pela manhã com números melhores do que o esperado mostrando sinais de recuperação na economia chinesa, os papéis da Vale (VALE3, R$ 9,00, -4,36%; VALE5, R$ 7,04, -3,03%), Bradespar (BRAP4, R$ 3,36, -6,41%), holding que detém participação na mineradora, e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 1,03, -10,43%), Gerdau (GGBR4, R$ 3,43, -6,54%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,09, -7,63%) passaram a cair forte nesta sessão. Na China, chamou atenção o aumento no volume de importação do petróleo e do minério de ferro no último mês, de 9,3% e 11%, respectivamente. 

Sobre a Vale, a decisão de usar US$ 3 bilhões de US$ 5 bilhões de crédito rotativo surpreendeu e trouxe apreensão na véspera, quando as ações caíram 8%. Segundo o BTG Pactual, a notícia sinaliza desafios à frente e faz com que o pagamento de dividendos em 2016 fique ainda mais improvável. O banco avalia, no entanto, que a medida é prudente como ponte para o "gap" de fluxo de caixa. 

Já em relação às siderúrgicas, após a CSN cortar cerca de 700 empregados entre a semana passada e início desta semana, dos 3.000 que estão previstos, a Usiminas deve iniciar no final do mês demissões de 2.000 funcionários, segundo jornal O Globo. Nesta manhã, no entanto, a CSN decidiu parar processo de demissão de funcionários da usina em Volta Redonda (RJ) após discussões com representantes sindicais. O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense informou que a suspensão das demissões ocorreu após os cortes. 

A Gerdau conseguiu que a Secex investique a existência de dumping nas exportações da Turquia para o Brasil de vergalhões de ferro ou aço ligado ou não ligado. Segundo o BTG Pactual, notícias de antidumping está acontecendo em vários países e, sem dúvida, caso venha alguma coisa nessa frente, será positivo para o setor, que está atravessando um momento delicado. Para os analistas, o papel hoje deve andar em cima dessa notícia.

Gol (GOLL4, R$ 1,44, -10,56%)
Nem mesmo a queda do dólar estanca a derrocada das ações da Gol na Bovespa, que chegaram ao oitavo pregão seguido de queda, acumulando no ano uma desvalorização de 41,67%. O papel, um dos piores de 2015 na Bovespa, vem sofrendo fortemente no mercado por conta da deterioração econômica e alta do dólar frente ao real, que eleva seus custos porque 60% de suas despesas operacionais são em moeda forte, além de ajudar a aumentar sua alavancagem bruta. Um quadro que inibiu qualquer ânimo da ação com a derrocada do petróleo, que renova hoje seu menor patamar em quase 12 anos.

Porém, uma notícia nesta quarta-feira pode ter ampliado o sentimento negativo pela empresa. O órgão que edita as normas contábeis internacionais IFRS, adotadas no Brasil, publicou hoje uma nota obrigando as empresas a registrarem como dívida em seus balanços os contratos de leasing operacional que hoje são divulgados apenas em notas explicativas. Apesar disso, a nova norma se tornará obrigatória apenas em 2019, o que deve dar tempo para as empresas adaptarem seus sistemas e, principalmente, educarem os investidores sobre a novidade.

Além da Petrobras, as empresas de aviação estão entre as que devem ser mais afetadas pela nova norma. Porém, é importante destacar que companhias como a Gol já dão destaque a esses compromissos "fora do balanço" quando apresentam seus resultados, normalmente apresentando como dívida a despesa anual de leasing multiplicada por sete ou oito anos. Em setembro, a Gol tinha arrendamento operacional de R$ 7,6 bilhões, para uma endividamento formal de R$ 9,5 bilhões.

Rumo (RUMO3, R$ 3,33, -15,70%)
As ações da Rumo só sabem cair no ano - ao todo, são 8 pregões seguidos de perdas, uma trajetória que levou
o papel para o posto de pior ação do ano no Ibovespa até o momento, ou queda de 42,6%. 

Mas não é somente esse "título" que a ação ganhou recentemente. Segundo reportagem da Bloomberg desta terça, o papel tem também o pior desempenho entre as grandes empresas de logística do mundo, sofrendo queda de quase 70% desde sua estreia na Bovespa, em abril de 2015, praticamente um ano após a compra da ALL-América Latina Logística pela Cosan, em um negócio avaliado em US$ 4,7 bilhões. 

 Uma das maiores preocupações do mercado é em relação à dívida líquida da empresa, que alcança R$ 7,3 bilhões, enquanto o Brasil afunda em uma crise de crédito. Investidores têm se questionado se a empresa será capaz de levar à frente seu ambicioso plano de investir R$ 7,4 bilhões para impulsionar seu crescimento.  

Eletropaulo (ELPL4, R$ 7,22, +0,42%)
A Eletropaulo teve o preço-alvo de suas ações cortado pelo UBS, passando de R$ 13,00 para R$ 9,00, refletindo uma demanda mais fraca, que deve ter queda de 3% na comparação anual em 2016, diante da retração do PIB.

O banco cita ainda rolagem de dívida de R$ 900 milhões a um custo mais alto de CDI +4%, ante média de CDI +1,7%, em razão da liquidez financeira baixa e aumento do custo Brasil. O relatório também lista multas regulatórias reveladas nos documentos da teleconferência do 3° trimestre e visibilidade de fusões e aquisições diante do número maior de ativos concorrentes à vista.

Telebras (TELB4, R$ 1,11, -34,32%)
As ações da Telebras seguiram o movimento de correção nesta sessão depois de uma terça-feira de euforia por conta de notícia da Folha de S. Paulo de que a empresa iria se fundir com a Dataprev e Serpro para criação de uma megaestatal de telecomunicações. Ontem, a companhia informou ao mercado que desconhecia o assunto. Do fechamento de terça-feira até hoje, as ações já recuaram 24%.  

Segundo a Folha, o governo federal estaria estudando fusão das três estatais para criar uma megaestatal de tecnologia da informação e comunicação, com objetivo de centralizar tanto seus passivos (dívidas e obrigações quanto seus serviços). Se o projeto andar, a nova estatal nasceria com um capital superior a R$ 5 bilhões e com 7.000 empregados, contra uma Telebras que atualmente vale R$ 254,3 milhões na Bovespa (segundo cotação de sexta-feira).  

TIM (TIMP3, R$ 6,05, -0,33%)
O presidente-executivo da Telecom Italia, Marco Patuano, disse que nada está sobre a mesa em relação a uma potencial fusão de sua controlada brasileira, a TIM, "apenas especulações".

A afirmação do executivo vem após duas fontes com conhecimento direto do assunto afirmarem à Reuters na semana passada que a Oi (OIBR4, R$ 1,64, +1,23%) iniciou conversas com a TIM para uma potencial fusão, com discussões inicialmente focadas em questões de governança. 

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