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Vale afunda 8% e Petrobras cai 9%; Telebras nega rumor e vira após subir 91% na máxima

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa mais uma vez acabou virando durante a tarde pressionado pelas ações da Petrobras e Vale, que mergulharam para forte queda. Lá fora, o petróleo, que chegou a mostrar uma recuperação mais cedo, voltou a cair, estendendo para sua sétima queda seguida e se aproximando dos US$ 30,00 por barril.

A estatal desabou, mantendo seu nível mais baixo desde 2003, e perdendo cerca de R$ 7 bilhões de valor de mercado. Como pano de fundo, a estatal sofreu com um relatório do Credit Suisse, que prevê queda de 46% dos ativos da petroleira negociados na Bolsa de Nova York, recomendando sua venda. Além disso, a empresa revisou seus investimentos, em uma avaliação que não foi bem vista pelos analistas.

A Vale também voltou a cair forte, seguindo a queda do minério de ferro, que cedeu 0,49% hoje, indo a US$ 41,19 a tonelada. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar, holding que detém participação da mineradora. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 7,00, -7,65%; PETR4, R$ 5,53, -9,20%)
As ações da Petrobras intensificaram a queda nesta tarde, entre desvalorização do petróleo e relatório pessimista do Credit Suisse sobre a petroleira. Lá fora, os preços do petróleo Brent, que chegaram a tentar uma recuperação mais cedo, viraram para queda de 3,30%, a US$ 30,51 o barril, indo para o menor patamar desde abril de 2004, com os estoques de petróleo bruto aumentando, o que piora o excedente de oferta mundial. 

A Petrobras anunciou nesta manhã também ajustes no seu Plano de Negócios e Gestão para o período 2015-2019, com mudanças que o Itaú BBA disse "não inspirar confiança". "Ajustes não devem ajudar a reconstruir a confiança do mercado no investimento", disseram os analistas Diego Mendes e Pablo Castelo Branco em relatório. Para eles, o preço de petróleo usado como base pode ser visto como otimista no cenário atual, enquanto o câmbio deve se desvalorizar mais do que prevê a companhia em 2016. Em geral, o Itaú BBA esperava um corte maior no Capex da empresa.

Juntamente a isso, dois relatórios com previsões sobre a commodity ajudavam a aumentar a apreensão do mercado. O Barclays disse hoje que prevê Brent a US$ 23,00 o barril em 2016. Ontem, o Morgan Stanley falou que o barril pode ir a US$ 20,00 se o dólar seguir se fortalecendo.  

Essa é a quinta queda das ações da estatal em seis pregões, quando acumulam perdas de 16%. Aliado a esse cenário pessimista para o petróleo, o Credit Suisse reiniciou cobertura da Petrobras, projetando queda de 46% dos ADRs (American Depositary Receipts), com preço-alvo de US$ 2,00, e recomendando a venda do ativo. 

O banco suíço elenca 10 desafios que a estatal tem que superar nos próximos anos (para conferir a lista completa, clique aqui), mas que, apesar da gestão da empresa parecer comprometida com a desalavancagem e seu plano de negócios, os desafios são muito grandes e muitos dos quais não estão no controle da empresa. 

Além disso, a estatal alerta para dificuldades com a queda do petróleo, segundo reportagem do Valor. Uma carta do presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, aos funcionários, lembra que da forte queda do preço do petróleo e que a empresa precisa economizar US$ 12 bilhões até 2019 com redução de custos operacionais e renegociação de contratos. Segundo o executivo, a companhia dará "prioridade absoluta" ao pré-sal, onde estaria extraindo petróleo a um custo de US$ 8,00 o barril, quase metade do desempenho de outras grandes petroleiras.

Vale (VALE3, R$ 9,41, -8,11%; VALE5, R$ 7,26, -8,33%)
As ações da Vale perderam força durante a tarde e ficaram entre as maiores baixas do Ibovespa seguindo a queda dos preços do minério de ferro. Os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 3,59, -8,65%), holding da mineradora, acompanharam o movimento. Nos 6 pregões de 2016, os papéis ON e PNA da mineradora já caíram mais de 27%.

No radar da companhia, uma reportagem do Valor aponta que a Samarco, joint venture entre BHP Billiton e Vale, pode estender a suspensão dos contratos de 1,2 mil funcionários, que retornaram ao trabalho hoje, por mais três meses. Eles estavam afastados desde o dia 5 de novembro, quando ocorreu o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.   

Usiminas e CSN
As ações da Usiminas (USIM5, R$ 1,15, -4,17%) e CSN (CSNA3, R$ 3,28, -2,67%) caíram com a notícia de que os Estados Unidos querem taxar importações das duas companhias em até 7,4%. O nível é abaixo dos 34,28% que estavam sendo mencionados anteriormente, mas, sem dúvida, é uma notícia que atrapalha o setor, que procurou nas exportações um alívio para o nível deprimido de atividade. Os Estados Unidos eram um dos principais mercados de exportação para a siderurgia local, tido como um dos mercados mais rentáveis nas exportações, comentou o BTG Pactual. "Notícia marginalmente negativa para o setor, apesar de já bem esperada e menos agressiva do que o esperado". 

Além disso, o governo do Rio de Janeiro negocia com a CSN para evitar demissões. Ontem, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, disse que a companhia se prepara para desligar o alto-forno 2 da usina Presidente Vargas, em Volta Redonda (RJ), e já começou as primeiras demissões, das 3 mil previstas com a medida.

Telebras (TELB4, R$ 1,69, -6,63%)
As ações da estatal Telebras, que pareciam esquecidas na Bolsa até sexta-feira passada, voltaram a chamar atenção do mercado. Depois de chegar a subir 519% em dois dias, considerando o patamar máximo alcançado hoje (R$ 3,47), os papéis da companhia perderam força e viraram para queda, voltando para R$ 1,65. Antes da arrancada na véspera, os papéis da companhia não ultrapassavam o patamar de R$ 1,00 desde agosto do ano passado. 

Da máxima alcançada na Bolsa em meio à euforia do mercado com a notícia sobre fusão, a ação da estatal já cai 54,7%. O movimento, embora com um pouco de atraso, ocorre após a empresa informar nesta manhã que desconhece notícias sobre fusão dela com a Dataprev e Serpro, conforme informado pela Folha de S. Paulo na véspera.

Assim como na terça-feira, o volume financeiro movimentado com o papel hoje também figura-se muito acima da média dos últimos pregões. Neste momento, o giro financeiro batia R$ 5,6 milhões, contra média diária de R$ 10,6 mil, conforme média dos 21 pregões, desconsiderando o registrado na véspera. 

Segundo a Folha, o governo federal estaria estudando fusão das três estatais para criar uma megaestatal de tecnologia da informação e comunicação, com objetivo de centralizar tanto seus passivos (dívidas e obrigações quanto seus serviços). Se o projeto andar, a nova estatal nasceria com um capital superior a R$ 5 bilhões e com 7.000 empregados, contra uma Telebras que atualmente vale R$ 254,3 milhões na Bovespa (segundo cotação de sexta-feira). 

Veja mais: Estatal 'esquecida' na Bolsa dispara até 300% após rumor sobre fusão; mas dá para se animar?

Cielo (CIEL3, R$ 33,47, +0,36%)
Após forte queda na véspera, as ações da Cielo tiveram leve alta nesta sessão. Para o BTG Pactual, a desvalorização ontem pode ser atribuída a dois fatores: 1) a notícia de que o BB e Bradesco estariam em negociação para comprar a Elavon Brasil. O receio do mercado é que o acordo possa não ser benéfico para a Cielo, criando conflito de interesse com acionistas ou que possa gerar entraves com o regulador; 2) preocupação do mercado com o resultado do 4° trimestre, que parece estar surgindo, vindo dos incentivos a bancos parceiros no 4° trimestre, que podem ficar um pouco acima das expectativas.  

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 34,95, -4,95%)
As vendas mesmas lojas do Grupo Pão de Açúcar recuaram no quarto trimestre, levando para baixo as ações do grupo nesta terça-feira. As vendas mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses) consolidadas do grupo tiveram baixa de 2,3% no quarto trimestre, seguindo tendência de queda vista nos trimestres anteriores diante da recessão econômica.

O resultado foi derrubado pelas vendas mesmas lojas da empresa de móveis e eletroeletrônicos Via Varejo (VVAR11, R$ 3,03, 0,00%), que tombaram 15,2% no período. Já as vendas do multivarejo --que reúne as bandeiras Pão de Açúcar e Extra-- e da bandeira de atacarejo Assaí subiram 1,9%.
Nesta manhã, o Grupo Pão de Açúcar disse, que as vendas líquidas da Cnova, empresa de comércio eletrônico do grupo francês Casino, dono do Pão de Açúcar, foram sobrestimadas em R$ 110 milhões até 31 de dezembro de 2015. A CNova é resultado da fusão entre os ativos do Casino, como a CDiscount, com os do Pão de Açúcar (Nova Pontocom).

A empresa disse também ter identificado discrepância material nas contas a receber relacionada aos itens danificados ou devolvidos. O impacto combinado, baseado em estimativas preliminares, resultaria em provisões sem efeitos caixa entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões que reduziriam o Ebit da Cnova. 

São Martinho (SMTO3, R$ 46,30, +2,23%)
As ações da São Martinho subiram após notícia da Folha de S. Paulo de que a Petrobras não deve cortar os preços dos combustíveis, como vinha sendo especulado. O mercado acreditava que a empresa pudesse reajustar os preços dado que o preço da gasolina no Brasil está 14,4% superior à cotação do combustível no golfo do México, usado como referência nos mercados do Atlântico, conforme cálculos do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

Apesar do setor de açúcar e álcool ser beneficiado pela notícia, apenas São Martinho sobe hoje. Os papéis da Tereos (TERI3, R$ 52,20, -0,19%) operam estáveis, enquanto as ações da Cosan (CSAN3, R$ 22,19, -5,33%) caíam. 

Hoje, um relatório do BTG Pactual apontava a ação da companhia como uma das opções para investir na Bolsa diante de um cenário de recessão econômica e alta do dólar. 

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