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Petrobras tem sequência recorde de perdas anuais; small cap dispara 25% com rumor

Confira os principais destaques de ações do último pregão da Bovespa este ano

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Com o mercado já encerrando o ano de 2015, o Ibovespa confirmou nesta quarta-feira (30) sua terceira queda anual seguida, enquanto o dólar marcou a maior alta anual em 13 anos, fechando seu 5° ano seguido de valorização.

No ano, o índice acumulou queda de 13%, com Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,62, -85,43%), Gol (GOLL4, R$ 2,53, -83,33%) e Oi (OIBR4, R$ 1,96, -77,24%) liderando a ponta negativa. Em comum, as empresas que registraram as maiores quedas do benchmark são também aquelas que possuem elevado endividamento.

Do lado dos ganhos, as exportadoras tiveram motivos de sobra para comemorar com a disparada de quase 50% do dólar. Fibria (FIBR3, R$ 51,65, +70,65%), Suzano (SUZB5, R$ 18,60, +67,72%) e Braskem (BRKM5, R$ 27,43, +65,04) subiram mais de 60% no ano, fechando com as "campeãs" de alta do índice.  

O último pregão do ano foi marcado por baixo volume financeiro na Bovespa, assim como nos dois pregões anteriores, antes da pausa das negociações por dois dias por conta do feriado de Ano Novo. Apesar da calmaria, os minutos finais foram marcados por um salto no volume financeiro, com os fundos de investimentos que acompanham o benchmark tendo que ajustar suas carteiras ao novo Ibovespa, que passará a valer dia 4 de janeiro. A terceira e última prévia, divulgada nesta manhã, trouxe a exclusão das ações da BR Properties, Gol e Eletrobras ON, além da inclusão de Weg. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 8,57, 0,0%; PETR4, R$ 6,70, +0,15%) 
As ações da Petrobras tiveram pregão volátil, conseguindo encerrar praticamente estáveis depois de operar no vermelho durante quase toda a sessão. O dia de forte desvalorização do preço do petróleo no mercado internacional não desanimou. O contrato do brent, petróleo usado como referência pela estatal, caía 3,31%, a US$ 36,54 o barril. 

Apesar da recuperação nos minutos finais, a estatal encerrou o ano com queda de 33%, no seu sexto ano seguido de queda - na maior sequência histórica de perdas anuais. 

No radar da companhia, a Petrobras é alvo de 2 novas ações individuais por fundos nos Estados Unidos. Mais cedo, o Valor informava que a companhia obteve êxito parcial na Justiça dos Estados Unidos na semana passada, quando o juiz Jed Rakoff decidiu excluir alguns títulos da dívida da ação coletiva movida por investidores contra a estatal.

Nova carteira Ibovespa
O mercado fica de olho também na terceira e última prévia da nova carteira do Ibovespa, que passa a vigorar em janeiro. O que chamou atenção foi que a surpresa da nova prévia, que foi a exclusão das ações ordinárias da Eletrobras (ELET3, R$ 5,76, +1,95%), não faz preço hoje. A notícia poderia trazer efeito negativo na sessão para a ação já que os fundos de investimentos que acompanham o Ibovespa precisaram ajustar suas carteiras à nova composição do índice hoje. Apesar do salto no volume financeiro registrado nos minutos finais de pregão, a ação conseguiu encerrar em terreno positivo. O giro financeiro com a ação ON da elétrica foi de R$ 59,69 milhões, contra média diária de R$ 7,07 milhões. 

Contrariando a segunda prévia do Ibovespa, as units do Santander seguiram na carteira do índice, o que contribuiu para a leve alta para o papel nesta sessão, em dia negativa para os demais bancos grandes listados na Bovespa. 

A prévia mostrou ainda a exclusão das ações da BR Properties (BRPR3, R$ 8,42, -0,82%) e Gol (GOLL4, R$ 2,52, +5,44%) e a inclusão da ação da Weg (WEGE3, R$ 14,95, -4,04%). Embora somente BR Properties tenha seguido a "lógica" da pressão vendedora e caído nesta sessão, ambos os papéis foram marcados por um salto no volume financeiro nos minutos finais de pregão, encerrando com um giro bem superior à média dos últimos 21 pregões. O que mais chamou atenção foi o papel da Weg, que marcou giro diário de R$ 224,7 milhões, contra média de R$ 22,9 milhões. 

Veja mais: "Novo" Ibovespa surpreende com exclusão da Eletrobras ON; somente uma ação foi incluída

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 14,74, -0,41%)
As ações do BB, que chegaram a subir quase 1% nesta manhã, viraram para queda apesar de notícia de que a Fazenda reconheceu dívida com o banco de R$ 1,5 bilhão. A quitação será feita com a emissão de títulos da dívida pública mobiliária federal interna. 

Log-In (LOGN3, R$ 1,28, +24,74%)
A small cap Log-In, especializada na navegação de cabotagem, disparou com rumor de oferta de investidor interessado em adquirir o seu controle acionário, segundo apurou o Valor. A operação, no entanto, ainda não está fechada. Além da valorização, chama atenção também o volume financeiro movimentado com a ação, que ultrapassou R$ 1,5 milhão, contra média diária de R$ 477 mil dos últimos 21 pregões. 

O jornal aponta ainda que a companhia negocia, ao mesmo tempo, com bancos credores para conseguir um desconto da dívida, processo conhecido como "haircut". Para conduzir o processo de reestruturação, a companhia contratou a assessoria financeira Moelis & Company, que vem conduzindo as discussões com os bancos. 

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 17,65, -1,67%)
As ações da Magazine Luiza caíram pelo 1° dia após quatro pregões seguidos de alta, período que acumulou ganhos de 78% na Bovespa. Considerando os 9 pregões anteriores a essa quarta-feira, a varejista subiu em sete deles, registrando valorização de 129%.  

Nos últimos dois dias, analistas comentaram que a falta de liquidez na Bovespa nesses últimos pregões do ano acabaram ajudando a gerar essas distorções em algumas ações. No radar da Magazine Luiza, apenas o comunicado do dia 15 de dezembro - que coincide com o início da arrancada das ações - sobre a renovação do acordo de aliança estratégica com BNP Paribas Cardif e com a Luizaseg Seguros. Pela renovação, a companhia recebeu R$ 330 milhões no dia 21 de dezembro.

Um dia após o anúncio o Deustche Bank reiterou compra das ações da varejista, mas cortou o preço-alvo em 17%, para R$ 49,00, incorporando, além da renovação, os resultados do 3° trimestre. Apesar do caminho desafiador para o setor, os analistas ressaltaram que seguem confiantes de que a companhia está seguindo o caminho certo para promover uma gradual desavancagem. A substancial deterioração macroeconômica, no entanto, fez com que eles cortassem a projeção de venda do segmento "mesmas lojas" da empresa em para retração de 5% em 2016, ante expectativa de estabilidade. 

Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 8,26, +2,61%)
Leilão de venda de ações da Vanguarda Agro ocorrido nesta quarta-feira movimentou R$ 6,34 milhões em ações da companhia na Bovespa, com demanda acima do estimado. A operação, conhecida no mercado como "block trade", foi intermediada pelo BTG Pactual e resultou sozinha em um volume financeiro 8 vezes maior que o giro médio diário dos últimos 21 pregões movimentado com a ação na Bolsa (ou R$ 780 mil). O acionista esperava vender R$ 6,2 milhões em ações da companhia, a R$ 8,30, em uma operação que envolveria a venda de 750 mil papéis, ou 4,18% do capital total da empresa.

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