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De queda de 85% a alta de 71%, confira os destaques de ações de 2015

Enquanto varejistas e educacionais sofreram neste ano, a Multiplus e algumas empresas elétricas conseguiram "superar" a crise econômica

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O ano chega ao fim de forma bastante negativa para o Ibovespa, que encerra 2015 com perdas de 13,31%, aos 43.349 pontos. Das 63 ações que terminam estes 12 meses dentro do índice, 13 conseguiram ter ganhos de mais de 20%, enquanto outros 14 papéis afundaram mais de 40%. Porém, fora do Ibovespa algumas outras ações chamaram bastante a atenção do mercado, com quedas que chegaram a 95%, por exemplo.

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De volta ao benchmark da Bolsa, as maiores altas ficaram com empresas bastante favorecidas com a disparada do dólar, caso das três empresas de papel e celulose, além da Braskem. Outro destaque ficou para duas empresas ligadas ao ramo farmacêutico, Hypermarcas e Raia Drogasil, que superaram a piora da economia e seguem sendo bem vistas pelos analistas. Para conferir os destaques, clique aqui.

Por outro lado, as perdas do ano foram muito fortes, caso da Metalúrgica Gerdau e da Gol, ambas com quedas de mais de 80%. O setor siderúrgico, por sinal, acabou ficando praticamente todo entre os piores desempenhos de 2015 diante da piora da economia e da fraca atividade industrial. Completando os piores desempenhos, a Oi registrou um ano bastante confuso e agitado, e acabou caindo mais de 70%. Confira os destaques aqui.

Veja abaixo outros destaques da Bovespa em 2015:

Destaques de alta

Multiplus (MPLU3, R$ 37,34, +25,43%)
Mesmo sem ser uma das queridinhas do mercado, a Multiplus conseguiu um ótimo desempenho em 2015, principalmente por conta de um fator específico: a quantidade de milhas não resgatadas por clientes. Para entender melhor, a receita da companhia depende de três fatores: o spread, que é o que elas ganham com a diferença entre o que recebem dos parceiros pelas milhas administradas menos o que pagam para eles pelas passagens quando o cliente resgata o benefício; o float, que é o que as administradoras ganham deixando o dinheiro das milhas aplicado antes do resgate; e o breakage, que é o lucro obtido quando o cliente deixa de resgatar as suas milhas, fazendo com que a companhia tenha só receita sem despesa com as milhas deste consumidor em particular.

Segundo os dados do BC, 17% das 992 bilhões de milhas que os brasileiros acumularam em seus cartões de crédito entre 2010 e 2014 não foram resgatadas. Tudo isso se tornou receita nas mãos destas companhias pelo "breakage".

Equatorial (EQTL3, R$ 34,24, +26,75%) e Energias do Brasil (ENBR3, R$ 12,04, +36,24%)
Apesar da crise pela qual o País passa e de todo cenário bastante complicado que o setor elétrico enfrentou nos últimos anos, duas companhias conseguiram entregar um bom retorno para seus acionistas neste ano. Tanto Equatorial quanto Energias do Brasil conseguiram registrar bons trimestres durante 2015, e, segundo o analista Sergio Tamashiro, da Haitong, ambas estão mostrando bastante resiliência em seus negócios, com números bastante robustos e sólidas entregas de resultados de geração e distribuição de energia.

Lojas Renner (LREN3, R$ 17,10, +13,97%)
No rumo oposto de praticamente todo setor varejista, existe uma empresa que consegue crescer cada vez mais, com resultados melhores a cada trimestre. Apontada pelos analistas como uma das poucas companhias que iria se salvar da atual crise, a Lojas Renner não decepcionou no terceiro trimestre e mostrou um balanço robusto, com destaque para sua incrível alta de 14,5% nas vendas “mesmas lojas” (lojas abertas a mais de 12 meses). Entre abril e junho, a Renner registrou lucro líquido de R$ 158,17 milhões, uma alta de 33% ante o mesmo período de 2014.

Os analistas Ana Paula Cantusio e Mário Bernardes Junior, do BB Investimentos, destacaram, que além das vendas e do segmento “mesmas lojas”, os ganhos de rentabilidade foram outro destaque do balanço. Segundo ele, a empresa está colhendo os frutos de iniciativas importantes que têm sido feitas nos últimos anos em relação à compreensão do comportamento do consumidor, gestão de coleções, alocação de produtos, controle de custos e investimentos em TI. “Apesar de um cenário macroeconômico desafiador, a empresa conta com importantes vantagens competitivas, como marcas bem estruturados e bom nível de preços e o fato da maioria de suas lojas estarem localizadas dentro de shoppings, onde o tráfego de pessoas geralmente corre menos riscos quando a economia desacelera”, disseram.

Destaques de queda

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 41,86, -56,94%)
Mesmo com a pressão econômica e com as perspectivas do varejo cada vez piores, era difícil imaginar que o Pão de Açúcar ficaria entre as piores empresas da Bolsa no ano. Porém, durante 2015, os resultados da companhia mostraram que apesar de um ambiente não tão ruim nas vendas, o segmento de não alimentos, principalmente com a Via Varejo, está pressionando bastante a companhia. Ao divulgar seu resultado do terceiro trimestre, o Pão de Açúcar mostrou sua preocupação.

No relatório a companhia afirmou que "o atual ambiente macroeconômico tem se tornado mais desfavorável ao consumo ao longo do ano". "Enquanto o segmento alimentar demonstra maior resiliência, o segmento de não alimentos (Via Varejo e Cnova) está sendo mais impactado", completou a companhia.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, "a companhia não tem conseguido repassar a inflação no conceito mesmas lojas, demonstrando que mesmo o segmento alimentar vem passando por uma desaceleração forte". Porém, a preocupação maior fica com a Via Varejo, que de acordo com eles já era esperada uma forte queda nas vendas por conta da restrição ao crédito e economia em recessão.

PDG Realty (PDGR3, R$ 1,63, -95,66%)
O setor imobiliário passa por um momento bastante complicado, mas o maior sofrimento ficou com a PDG Realty, que viu suas ações afundarem no último ano, chegando ao preço de R$ 0,09 antes da companhia realizar um grupamento. Altamente endividada e sem conseguir gerar caixa, recentemente os auditores da KPMG chegaram a duvidar da própria empresa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia, diante da possibilidade de ela não conseguir concretizar seu plano de ação para equalizar as obrigações financeiras à geração de caixa.

Os auditores ressaltam que a PDG acumula prejuízo no período de nove meses até setembro, além de excesso de passivos em relação aos ativos circulantes, principalmente pela reclassificação de dívidas do longo para o curto prazo, pelo não cumprimento de cláusula restritiva em contratos de empréstimos e financiamentos.

Varejistas
Queda do PIB, aumento da inflação e dos juros e dólar em R$ 4,00. Não haveria como o setor varejista conseguir ter um ano de 2015 positivo - com algumas poucas exceções. Entre as várias companhias que analistas destacaram como as mais impactadas, Magazine Luiza (MGLU3, R$ 17,65, -70,46%), Restoque (LLIS3, R$ 1,85, -75,59%) e Marisa (AMAR3, R$ 4,85, -63,04%) acabaram ficando com os piores desempenhos.

Logo após a divulgação dos dados do terceiro trimestre, analistas do BTG já haviam destacado que o cenário ainda iria piorar. No caso da Magazine Luiza, por exemplo, os impactos seriam ainda pior diante de uma expectativa de vendas no segmento "mesmas lojas" (lojas abertas há, no mínimo, um ano) bem negativa e queda substancial no lucro.

Mills (MILS3, R$ 2,66, -72,15%)
A Mills era uma das promessas do ano passado, uma vez que a expectativa era de que as empresas de infraestrutura iriam ter um bom desempenho por conta das obras para a Copa do Mundo de 2014. Porém, assim como a seleção brasileira, a companhia está sofrendo um “7 a 1” na Bolsa.

Analistas avaliam que a empresa enfrenta um cenário de "tempestade perfeita" neste ano, em meio à combinação de demanda fraca e dívidas. Em termos de receitas, a divisão de infraestrutura continua a ser a mais resistente, dado o perfil de longo prazo de seus contratos. Por outro lado, esta margem de divisão deve ser afetada pela aumento da provisão de créditos.

Quanto à divisão de aluguel, a baixa utilização e os preços mais baixos vão continuar a colocar alguma pressão sobre as receitas e margens. A performance na divisão de construção civil é a pior, onde as receitas e as margens estão fracas, refletindo o cenário adverso das construtoras.

Ser (SEER3, R$ 7,70, -73,87%) e Anima (ANIM3, R$ 13,80, -59,74%)
Ainda nos últimos dias de 2014, o setor educacional recebeu uma péssima notícia, que acabou sendo uma “peça-chave” para as fortes quedas das empresas durante todo este ano: as mudanças no Fies. Porém, das quatro empresas ligadas ao ensino superior, duas tiveram um desempenho quase duas vezes pior: Ser e Anima.

No terceiro trimestre, por exemplo, a Anima desapontou em seus números, mostrando um ticket médio líquido baixo (10% abaixo do esperado), enquanto a provisão com devedores duvidosos também ficou negativa, 2,3 pontos percentuais pior do que o esperado.

Apesar de caírem forte, o mercado se mostrou mais otimista com Kroton e Estácio em 2015, indicando que as ideias de ambas as empresas para superarem as mudanças no principal programa de financiamento estudantil podem realmente ser positivas no futuro.

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