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Ibovespa cai mais de 1% com 'não-discurso' de Barbosa e críticas do PT a reformas

Mercado se descola das bolsas internacionais e opera em queda por notícias sobre novo ministro da Fazenda

painel bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (21) depois da decepção dos investidores com o discurso do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Apesar de acenar com uma continuidade da política fiscal implementada pelo seu antecessor, Joaquim Levy, a fala desapontou o mercado. Lá fora, as bolsas dos Estados Unidos seguem em alta, seguindo o desempenho das europeias e asiáticas em meio à sinalização de afrouxamento monetário na China. 

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Às 17h40 (horário de Brasília) o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,34% a 43.323 pontos. Já o dólar comercial fechou em alta de 1,93% a R$ 4,0222 na compra e a R$ 4,0228 na venda, enquanto o dólar futuro para janeiro de 2016 registrava ganhos de 0,88% a R$ 4,033. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 12 pontos-base a 16,02%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 vira para alta de 7 pontos-base a 16,57%. 

Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, o movimento da Bolsa é explicado pelas falas de Barbosa, principalmente quando ele afirma que haverá corte nas despesas do governo, mas sem mexer em gastos com programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. No caso do câmbio, Barbosa negou as informações de que o Banco Central pena em usar as reservas internacionais do Brasil para conter o avanço do dólar.

Já o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, diz que as empresas expostas ao governo como Petrobras e Banco do Brasil sofrem hoje, com o medo de uma volta da nova Matriz Econômica e uma perda da responsabilidade fiscal na gestão Barbosa. Sobre o discurso, ele diz que há poucas coisas que o novo ministro poderia falar para animar o mercado. "Mesmo um discurso duro não teria muita credibilidade, já que nem o Levy conseguiu fazer as reformas necessárias. Imagine então o Barbosa, que mesmo com um trânsito político melhor, enfrenta a forte resistênica do PT", explica.

Não demorou até que a resistência do partido fosse exemplificada pela fala do senador Paulo Paim (PT-RS), que disse que vai mobilizar os movimentos sociais para se opor à adoção da idade mínima para a aposentadoria, justamente uma das principais bandeiras do novo ministro da Fazenda. "Não foi um bom sinal, ele (Barbosa) entrou agora e nós todos numa expectativa de não mexer numa bola dividida que é o direito do trabalhador", criticou.

Lá fora, as ações globais registram ganhos apesar da queda do petróleo, que chegou ao menor nível em 11 anos. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 2,1% a US$ 34, enquanto o barril do Brent 2,17% a US$ 36,56.

Indicadores
Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 3,62% para uma de 3,70%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 10,70% este ano. A grande surpresa ficou por conta da Selic. As projeções para a taxa básica de juros brasileiras foram elevadas de 14,63% para 14,75%, precificando um aumento de 0,5 ponto percentual na reunião do Banco Central de janeiro e não mais de 0,25 ponto percentual.

Após um déficit de US$ 4,166 bilhões em outubro, o rombo das transações correntes somou US$ 2,931 bilhões em novembro. A projeção do Banco Central para a conta corrente do mês passado era de um saldo negativo de US$ 4,5 bilhões. O resultado surpreendeu positivamente, uma vez que o intervalo das estimativas do mercado financeiro apontava saldo negativo entre US$ 3,500 bilhões e US$ 4,650 bilhões, com mediana de US$ 4,250 bilhões, segundo estimativas do levantamento realizado pela Agência Estado.

Impeachment
No cenário político, o governo e a oposição ameaçam voltar ao STF (Supremo Tribunal Federal) para discutir o rito, enquanto a pesquisa Datafolha mostra que deputados prós e contra afastamento ainda não tem votos suficientes. A estratégia de Cunha é reiniciar o processo de impeachment apenas em março, em meio à possível piora nos cenários político e econômico, segundo informações da Folha de S. Paulo. 

Ações em destaque
Junto com elas também sobem as siderúrgicas. No radar, a Usiminas (USIM5, R$ 1,55, +6,90%) está negociando com a siderúrgica ThyssenKrupp CSA - Companhia Siderúrgica do Atlântico - um possível contrato de aquisição de placas de aço, segundo duas pessoas que acompanham as conversas informaram na sexta-feira ao ValorPRO. As placas - um produto semi-acabado - abasteceriam a unidade da Usiminas em Cubatão (SP), que em 31 de janeiro deixa de fabricar o produto. A interrupção foi anunciada em outubro pela direção da empresa em resposta ao agravamento da queda da demanda por aço no mercado brasileiro.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 VALE5 VALE PNA 9,82 -5,76
 BBAS3 BRASIL ON EJ 15,10 -5,33
 NATU3 NATURA ON 25,64 -5,28
 PETR4 PETROBRAS PN 6,66 -5,13
 PETR3 PETROBRAS ON 8,22 -5,08

 

 

Os bancos passaram a cair após a virada de humor do mercado com o discurso do novo ministro da Fazenda, que desapontou os investidores ao indicar que não irá realizar cortes em programas sociais. O pior desempenho fica com o Banco do Brasil (BBAS3), que cai 5,27%, para R$ 15,11. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,66, -1,00%) e Bradesco (BBDC3, R$ 21,09, -1,82%BBDC4, R$ 19,18, -2,39%) também recuam.

Já as ações da Vale (VALE3, R$ 12,44, -3,49%; VALE5, R$ 9,83, -5,66%) viraram para queda apesar da alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao tem alta de 0,9% a US$ 40,46 a tonelada. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 OIBR4 OI PN 1,80 +7,78
 USIM5 USIMINAS PNA 1,56 +7,59
 KROT3 KROTON ON 10,01 +2,98
 HGTX3 CIA HERING ON EJ 15,97 +1,72
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,09 +1,63

 

Do lado das quedas também está o Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 41,30, -4,24%), que tem como principal notícia hoje o anúncio da Cnova de que seu Conselho de Administração contratou assessores jurídicos e contadores externos para avaliar possíveis irregularidades na conduta de colaboradores relacionadas à gestão de estoques no Brasil. "As questões identificadas envolvem principalmente o tratamento de produtos devolvidos e danificados nos centros de distribuição de sua subsidiária brasileira", afirmou a companhia em nota retransmitida pelo Grupo Pão de Açúcar.

Ainda segundo o documento, a investigação vai avaliar potenciais impactos contábeis e nas demonstrações financeiras da Cnova e que ainda é cedo para afirmar quando a investigação será concluída e quais eventuais medidas poderrão ser tomadas.

Exterior
Nesta segunda, as bolsas mundiais sobem apesar de mais um dia de queda do petróleo, que atingiu a sua mínima em 11 anos. Já as mineradoras sobem depois do governo chinês dizer que vai focar em uma reforma estrutural do lado da oferta. Já a Espanha destoa do comportamento dos outros índices internacionais e cai com o resultado das eleições, que mostrou uma vitória bastante apertada do partido do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, criando incerteza sobre a formação do governo. 

Entre as notícias do exterior, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha registrou queda de 0,2% em novembro ante o mês anterior, de acordo com dados oficiais divulgados nesta segunda-feira. O resultado veio em linha com a previsão dos analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Na comparação anual, o PPI teve recuo de 2,5%, a maior queda em 12 meses desde fevereiro de 2010. Nesse caso, analistas previam queda um pouco menor, de 2,4%. Excluindo-se os preços de energia, o PPI registrou queda de 0,2% no mês e de 0,7% no ano em novembro.

Já na China, a liderança do país elaborou diretrizes econômicas para o próximo ano, com foco na redução da capacidade ociosa da indústria, no corte de custos para as empresas, na redução nos estoques de propriedades não vendidas e no controle dos riscos financeiros, afirmou uma graduada autoridade do país nesta segunda-feira. O plano foi estabelecido em uma reunião com graduados nomes do governo para discutir a questão econômica. O encontro, chamado Conferência de Trabalho Econômica Central, foi comandado pelo presidente Xi Jinping, disse a fonte. As discussões são realizadas no momento em que os dirigentes enfrentam uma desaceleração econômica, em meio à demanda fraca no país e no exterior.

As notícias são de que a China deva afrouxar a política monetária no próximo ano. 

 

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