Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa sobe deixando pessimismo com Barbosa na Fazenda para trás; dólar tem alta

Bolsa se distancia de queda forte da sexta em meio a alta dos índices no exterior

Operador da Bolsa (Bloomberg)
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira (21), depois de cair após o anúncio da troca no Ministério da Fazenda. Sai Joaquim Levy e entra Nelson Barbosa, que deixa o Ministério do Planejamento nas mãos de Valdir Simão. Barbosa toma posse às 17h (horário de Brasília) e faz teleconferência às 12h para buscar a confiança do mercado. No radar político, a questão do impeachment da presidente Dilma Rousseff deve ser discutida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com líderes.

Às 12h17, o benchmark da Bolsa brasileira subia 0,21%, a 44.004 pontos. Já o dólar comercial opera em alta de 0,65% a R$ 3,9725 na venda, ao passo que o dólar futuro para janeiro recua 0,33% a R$ 3,985. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem alta de 5 pontos-base a 15,95%, enquanto o DI para janeiro de 2021 recua 9 pontos-base a 16,41%. 

Lá fora, as ações globais registram ganhos apesar da queda do petróleo, que chegou ao menor nível em 11 anos. O barril do WTI (West Texas Intermediate) cai 2,1% a US$ 34, enquanto o barril do Brent 2,17% a US$ 36,56.

Quer saber onde investir em 2016? Veja no Guia InfoMoney clicando aqui!

O mercado mostrou na sexta temer que o ajuste fiscal perca ímpeto com Barbosa. Antes de confirmação oficial do nome do novo ministro, bolsa caiu 2,98%, dólar subiu 2,7% e risco Brasil aproximou-se dos 500 pontos.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 3,62% para uma de 3,70%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 10,70% este ano. A grande surpresa ficou por conta da Selic. As projeções para a taxa básica de juros brasileiras foram elevadas de 14,63% para 14,75%, precificando um aumento de 0,5 ponto percentual na reunião do Banco Central de janeiro e não mais de 0,25 ponto percentual.

No cenário político, o governo e a oposição ameaçam voltar ao STF (Supremo Tribunal Federal) para discutir o rito, enquanto a pesquisa Datafolha mostra que deputados prós e contra afastamento ainda não tem votos suficientes. A estratégia de Cunha é reiniciar o processo de impeachment apenas em março, em meio à possível piora nos cenários político e econômico, segundo informações da Folha de S. Paulo. 

Ações em destaque
As ações da Vale (VALE3, R$ 13,07, +1,40%; VALE5, R$ 10,49, +0,67%) se recuperam e sobem forte nesta segunda seguindo a alta do minério de ferro. A commodity spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao tem alta de 0,9% a US$ 40,46 a tonelada. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 1,58 +8,97
 OIBR4 OI PN 1,74 +4,19
 ESTC3 ESTACIO PART ON 13,95 +3,26
 SMLE3 SMILES ON EJ 36,10 +3,14
 GOAU4 GERDAU MET PN 1,58 +2,60

 

 

Junto com elas também sobem as siderúrgicas. No radar, a Usiminas (USIM5, R$ 1,58, +8,97%) está negociando com a siderúrgica ThyssenKrupp CSA - Companhia Siderúrgica do Atlântico - um possível contrato de aquisição de placas de aço, segundo duas pessoas que acompanham as conversas informaram na sexta-feira ao ValorPRO. As placas - um produto semi-acabado - abasteceriam a unidade da Usiminas em Cubatão (SP), que em 31 de janeiro deixa de fabricar o produto. A interrupção foi anunciada em outubro pela direção da empresa em resposta ao agravamento da queda da demanda por aço no mercado brasileiro.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 41,13 -4,64 -57,69 12,80M
 BBAS3 BRASIL ON EJ 15,52 -2,70 -27,61 38,44M
 CPLE6 COPEL PNB 24,35 -2,13 -30,35 1,02M
 JBSS3 JBS ON 12,42 -1,82 +12,10 6,54M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 6,85 -1,72 -40,86 1,17M

 

Do lado das quedas está o Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 41,14, -4,61%), que tem como principal notícia hoje o anúncio da Cnova de que seu Conselho de Administração contratou assessores jurídicos e contadores externos para avaliar possíveis irregularidades na conduta de colaboradores relacionadas à gestão de estoques no Brasil. "As questões identificadas envolvem principalmente o tratamento de produtos devolvidos e danificados nos centros de distribuição de sua subsidiária brasileira", afirmou a companhia em nota retransmitida pelo Grupo Pão de Açúcar.

Ainda segundo o documento, a investigação vai avaliar potenciais impactos contábeis e nas demonstrações financeiras da Cnova e que ainda é cedo para afirmar quando a investigação será concluída e quais eventuais medidas poderrão ser tomadas.

Exterior
Nesta segunda, as bolsas mundiais sobem apesar de mais um dia de queda do petróleo, que atingiu a sua mínima em 11 anos. Já as mineradoras sobem depois do governo chinês dizer que vai focar em uma reforma estrutural do lado da oferta. Já a Espanha destoa do comportamento dos outros índices internacionais e cai com o resultado das eleições, que mostrou uma vitória bastante apertada do partido do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, criando incerteza sobre a formação do governo. 

Entre as notícias do exterior, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha registrou queda de 0,2% em novembro ante o mês anterior, de acordo com dados oficiais divulgados nesta segunda-feira. O resultado veio em linha com a previsão dos analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Na comparação anual, o PPI teve recuo de 2,5%, a maior queda em 12 meses desde fevereiro de 2010. Nesse caso, analistas previam queda um pouco menor, de 2,4%. Excluindo-se os preços de energia, o PPI registrou queda de 0,2% no mês e de 0,7% no ano em novembro.

Já na China, a liderança do país elaborou diretrizes econômicas para o próximo ano, com foco na redução da capacidade ociosa da indústria, no corte de custos para as empresas, na redução nos estoques de propriedades não vendidas e no controle dos riscos financeiros, afirmou uma graduada autoridade do país nesta segunda-feira. O plano foi estabelecido em uma reunião com graduados nomes do governo para discutir a questão econômica. O encontro, chamado Conferência de Trabalho Econômica Central, foi comandado pelo presidente Xi Jinping, disse a fonte. As discussões são realizadas no momento em que os dirigentes enfrentam uma desaceleração econômica, em meio à demanda fraca no país e no exterior.

As notícias são de que a China deva afrouxar a política monetária no próximo ano. 

 

Contato