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Ibovespa sobe forte com voto de Fachin deixando impeachment mais perto e Fomc moderado

Mercado opera em alta depois de resistir a rebaixamento e possível saída de Levy ontem; Dilma quer um nome do mercado no Ministério da Fazenda

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira (17) seguindo a disparada das bolsas mundiais depois da decisão do Fomc (Federal Open Market Committee), que elevou os juros dos Estados Unidos, mas deu sinalizações "dovish" (moderadas) sobre o aperto monetário. Também estimula o mercado hoje a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, de aprovar o rito de impeachment, mas o julgamento continua hoje com os votos dos outros ministros. Além disso, as notícias são de que a presidente Dilma Rousseff quer um nome do mercado no lugar de Joaquim Levy. 

Às 13h11 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 1,86%, a 45.852 pontos. Já o dólar comercial cai 0,91% a R$ 3,8889 na venda, enquanto o dólar futuro para janeiro de 2016 fica estável a R$ 3,898. O descompasso no desempenho do câmbio reflete o fato de que o dólar comercial fechou antes do futuro ontem, e portanto, não refletiu a decisão do Fomc. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tem queda de 14 pontos-base a 15,88% ao passo que o DI para janeiro de 2021 cai 12 pontos-base a 16,14%. 

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O estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, disse que não dá para dizer ao certo se o que impacta mais a bolsa hoje é o fato da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, ter indicado que o aumento de juros nos EUA será bastante gradual ou se é a maior probabilidade de impachment com o voto de Fachin no STF. Para ele, a Bolsa pode ter amenizado os ganhos depois de subir mais de 2,5% por conta da recondução do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), mais governista, à liderança do PMDB na Câmara dos Deputados. "Acho que a volta do Picciani pode trazer uma briga interna na Câmara que enfraqueça a probabilidade de impeachment", disse. 

Ontem, o STF começou a votação do rito de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O ministro Fachin, afirmou nesta quarta, em seu voto que a ausência de defesa, antes do ato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), receber o pedido de afastamento, "não viola o devido processo legal". Ainda segundo Fachin, a eleição da Comissão Especial que irá analisar o impeachment, que ocorreu de forma secreta, foi válida. Para ele, "não há ofensa à Constituição no fato de regimento da Câmara propiciar votação secreta". Fachin votou contra o pedido de que votação para eleição da Comisão deveria ser aberta, porém, ressaltou que a votação final no plenário da Câmara deve ser aberta.

De acordo com a LCA Consultores, esta é a decisão de maior impacto político, pois retirou do Senado e de Renan Calheiros (PMDB-AL) a possibilidade de impedir o afastamento temporário da presidente pelo prazo de 180 dias, enquanto os senadores procederem ao julgamento. Na prática, isso transfere para a Câmara a decisão final sobre o impeachment. Se dois terços dos deputados se posicionarem a favor do acolhimento da acusação contra Dilma, ela terá de se afastar da Presidência. O voto de Fachin ainda precisa ser confirmado pela maioria dos ministros do STF. Mas, além de o relator normalmente servir de guia para o voto dos demais ministros, Fachin, ao menos até antes do início do julgamento, era tido como próximo ao Planalto.

Também no radar, a presidente Dilma Rousseff quer evitar uma saída traumática do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas considera que terá que trocá-lo para criar um discurso de mudança na economia, conforme destaca o jornal Folha de S. Paulo. Dilma estaria convencida de que Levy está “chegando ao final de linha” e que ele não consegue incorporar discurso de esperança sobre recuperação econômica, diz a reportagem citando assessores presidenciais. E, enquanto dentro do PT a preferência pelo nome para substituir o ministro Joaquim Levy na Fazenda é pelo ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, a presidente Dilma Rousseff estaria buscando um nome de preferência do setor empresarial, diz o jornal. 

A PME (Pesquisa Mensal do Emprego) de novembro mostrou uma queda na taxa de 7,9% para 7,5% contra expectativas medianas do mercado de que se mantivesse em 7,9%. O número positivo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) surpreendeu o mercado.

Investigação do Postalis 
A Polícia Federal deflagrou a Operação Positus, que investiga o Postalis, fundo de pensão dos Correios, alvo de investigações sobre má gestão. Foram expedidos sete mandados de busca e apreensão: dois em São Paulo, três em Brasília, um em Belém e um em João Pessoa. Além disso, foram identificados dois fundos de investimentos do Postalis, contendo mais de R$ 370 milhões em recursos aplicados que teriam sido geridos de forma fraudulenta.

PGR pede o afastamento de Cunha
A Procuradoria Geral da República listou 11 motivos para pedir o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados. Segundo o Ministério Público Federal, o afastamento de Cunha é necessário para o andamento das investigações sobre ele relacionadas à Operação Lava Jato. Em resposta ao pedido de Rodrigo Janot, Cunha disse que a ação é uma "cortina de fumaça" com o objetivo de "tirar o foco" da mídia.

Além disso, cópias de boletins de ocorrência relativos ao deputado Fausto Ruy Pinato (PRB-SP) foram encontradas no bolso do paletó do presidente da Câmara dos Deputados e também na casa do parlamentar. Pinato era o relator do processo de cassação do mandato de Cunha no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara e foi destituído do cargo na semana passada pelo primeiro vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA)

Ações em destaque
Após queda ontem, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,09, +1,56%; PETR4, R$ 7,35, +0,82%) registram ganhos na sessão desta quinta-feira, em um dia de leve alta para o preço do brent, com alta de 0,63%, a US$ 38,23. No noticiário corporativo da companhia, a  produção de petróleo da Petrobras no Brasil em novembro caiu 1,4% ante outubro, para 2,07 milhões de barris por dia (bpd), informou a companhia nesta quarta-feira. A produção de gás natural da companhia no país, excluído o volume liquefeito, foi de 71,7 milhões de metros cúbicos por dia em novembro, 4% abaixo do mês anterior. Em novembro, a produção de petróleo e gás natural operada pela Petrobras na camada pré-sal cresceu 1,8% em relação ao mês anterior, atingindo a média diária de 1,023 milhão de barris de óleo equivalente por dia.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 ESTC3 ESTACIO PART ON 15,09 +4,79
 MRVE3 MRV ON 8,85 +4,73
 SANB11 SANTANDER BR UNT 16,69 +4,64
 BRML3 BR MALLS PAR ON 12,86 +4,13
 RENT3 LOCALIZA ON 25,81 +4,03

 

 

Os papéis da Vale (VALE3, R$ 13,27, +0,15%; VALE5, R$ 10,49, +0,10%) zera ganhos, após subir forte no começo da sessão. Ontem a Fitch rebaixou o rating de emissor em moeda estrangeira da mineradora de BBB+ para BBB, com observação negativa. O rating em moeda local foi afirmado em BBB+, com observação negativa mantida.

O minério de ferro spot com 62% de pureza e entrega no porto de Qingdao subiu 0,64% a US$ 39,43 a tonelada. 

Entre as maiores altas do dia também se encontra a TIM (TIMP3, R$ 7,32, +3,68%). No radar da companhia, o aumento do poder da francesa Vivendi no conselho da Telecom Italia tende a facilitar a fusão entre Oi (OIBR4, R$ 1,57, +2,61%) e a TIM. Conciliar os interesses dos italianos com o dos russos do fundo LetterOne, com quem a Oi fechou acordo de exclusividade, seria mais complicado porque ambos esperam ter ingerência operacional sobre o negócio. Já a Vivendi tem uma visão mais pragmática do acordo.

Segundo relatório da XP Investimentos, o foco do grupo francês é obter retorno financeiro. A companhia vendeu a operação da GVT no Brasil, revelando pouco interesse no País. Os franceses podem aceitar entrar na operação com menos poder de fogo, desde que tenham em mãos uma porta de saída. Segundo o Broadcast apurou, a expectativa é que seja negociada uma "put" (opção de venda) da fatia da Telecom Italia no negócio mais adiante.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 44,73 -2,12
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 17,81 -1,60
 FIBR3 FIBRIA ON 49,54 -1,51
 EMBR3 EMBRAER ON 29,44 -0,10

 

Do lado das quedas encontram-se as ações de exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 49,53, -1,53%) e Suzano (SUZB5, R$ 17,81, -1,60%). Estas empresas são afetadas negativamente pela queda do dólar, já que possuem receitas na divisa norte-americana. 

Cenário externo
Os mercados acionários asiáticos subiram nesta quinta-feira com os investidores optando por encarar o histórico aumento dos juros nos Estados Unidos como um marco de confiança na maior economia mundial. A China também permitiu que sua moeda caísse pela 10ª sessão consecutiva para atingir seu menor nível desde junho de 2011. Esse declínio coloca pressão em outras moedas asiáticas para que se depreciem e continuem competitivas. 

 A alta de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, foi programada por quase uma década e foi uma das medidas de política monetária mais telegrafadas da história. Portanto houve algum alívio de que, após meses de espera, ela finalmente aconteceu. Xangai subiu 1,83%, enquanto o Nikkei teve alta de 1,59% e Hang Seng teve alta de 0,79%. Na Europa, o dia também é de fortes altas em meio ao Fomc, com o DAX sobe 2,88%, CAC 40 tem alta de 2,46% e o FTSE sobe 1,35%. 

 

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