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Estácio e small cap disparam 10%; 4 ações quebram recordes de mais de 10 anos na Bolsa

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

painel bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - As ações das mineradores e siderúrgicas aparecem na contramão do mercado nesta terça-feira (17), limitando maiores altas do Ibovespa, que ainda assim fechou com ganhos de cerca de 1%. O mercado digere com apreensão os receios de desaceleração da demanda chinesa, o que provocou hoje derrocada de 4,5% no preço do minério de ferro no porto de Qingdao, na China.

As ações da Bradespar, Metalúrgica Gerdau e Usiminas renovaram nesta sessão suas mínimas de mais de 10 anos. Já as ações da Petrobras tentavam sustentar a segunda sessão seguida de ganhos, apesar da leve queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

A petroquímica Braskem ganhou destaque também por quebrar hoje a máxima desde fevereiro de 2005. Enquanto isso, a Estácio (ESTC3) liderou os ganhos ao subir 10,10%, para R$ 16,57. Fora do Ibovespa, chamou atenção as ações da Profarma, que chegaram a disparar 10% na máxima do dia, após anunciar a compra da parcela remanescente de 50% da rede Drogarias Tamoio por R$ 130 milhões. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Vale (VALE3, R$ 14,52, -3,52%; VALE5, R$ 12,07, -3,44%)
As ações da Vale seguiram em forte derrocada na Bolsa, em sua nona queda em dez pregões, entre reações ao desastre com a mineradora Samarco, em Minas Gerais, e o movimento do minério de ferro. Nesses 10 pregões, as ações preferenciais da mineradora acumulam queda de 15,3%. 

Lá fora, o minério afundou 4,5% nesta terça-feira no porto de Qingdao, na China, indo para US$ 45,85 a tonelada, no menor patamar desde 8 de julho, em meio a receios sobre desaceleração da demanda chinesa. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 6,67, -2,77%), holding que detém participação na Vale, que renovam mínima na Bolsa desde julho de 2005. 

Ontem, a companhia fez uma teleconferência com o mercado para falar sobre o acidente da Samarco, mas ainda deixou algumas dúvidas, embora a empresa tenha tentado endereçar alguns pontos importantes, comentou o BTG Pactual, que segue neutro no papel, diante do atual cenário de preços de minério, queda de demanda de aço na China, além do barulho de Samarco. 

No geral, a empresa demonstrou ontem que vai dar todo o suporte necessário para a Samarco voltar a normalidade, mas a volta do ativo ainda depende da aprovação de todos os acionistas. O target de produção de 2016 terá efeitos limitados. A Vale não deu guidance, mas o BTG acredita que possa ficar mais próximo a 340 milhões de toneladas, ao invés de 376 milhões de toneladas.

Na questão do seguro, cobertura é limitada e parece não cobrir tudo (só equipamentos e interrupção de atividades). A Samarco era tocada de forma independente, com Vale e BHP interferindo apenas no conselho. A capacidade da Samarco de gerar receita viria de venda de energia excedente, além de capital de giro (a empresa tem perto de R$ 2 bilhões de caixa), podendo cobrir boa parte de custo fixo, avalia o banco. As notícias recentes apontam que a Samarco fechou acordo para pagamento preliminar de R$ 1 bilhão para garantir custeio de medidas, podendo aumentar.

A Samarco representa hoje US$ 2,7 bilhões do Valor da Firma na Vale (ou cerca de 8% do preço-alvo da Vale pelo BTG), e 4% do Ebitda esperado para 2016, com potencial impacto em caso de um pior cenário para Vale.  

Petrobras (PETR3, R$ 9,42, +0,43%; PETR4, R$ 7,76, +0,78%)
Os papéis da Petrobras voltaram a subir durante a tarde, mas ainda longe das máximas atingidas pela manhã, quando as ações ordinárias chegaram a avançar 2,45%. Mesmo com a alta, os papéis se descolam do preço do petróleo do mercado internacional, que caía com o mercado preocupado com um excesso de oferta da commodity. O petróleo Brent registrava queda de 0,54%, a US$ 44,32 o barril. 

No radar da estatal, a greve dos funcionários da Petrobras ainda encontra resistência de diversos sindicatos, inclusive do responsável pela Bacia de Campos, apesar do indicativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP) pela interrupção da paralisação. Campos é responsável atualmente pela produção de mais de 60% da produção brasileira de petróleo. 

O Sindipetro Norte Fluminense (Sindipetro NF), que representa funcionários da Bacia de Campos, afirmou na segunda-feira que permanece em greve para garantir o pagamento dos salários dos funcionários referente aos dias de paralisação e contra o plano de venda de ativos da petroleira. 

Os 12 sindicatos filiados à FUP entraram em greve em 1º de novembro, em um esforço para reverter os planos da Petrobras de cortar investimentos e vender mais de 15 bilhões de ativos até o fim de 2016. A Petrobras chegou a admitir perdas diárias com redução da produção de até 13% em relação aos níveis pré-greve, tornando o movimento o pior desde 1995. 

Além disso, a Petrobras disse que buscará compensações por Pasadena e que está solicitando mais informações à Polícia Federal para que possa continuar colaborando com as autoridades, em comunicado por e-mail sobre a nova fase da Operação Lava Jato. Ontem, o Ministério Público Federal disse encontraram indícios de recebimento de propina por parte de ex-funcionários da Petrobras em relação à compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que poderia resultar no cancelamento do negócio.

Estácio (ESTC3, R$ 16,57, +10,10%)
A ação da Estácio chamou atenção nesta sessão sem uma razão clara para o movimento. Operadores disseram que não identificaram motivos para uma variação positiva dessa magnitude, sendo que três deles trabalham em mesas de aluguel e relataram que a demanda pelo aluguel do papel é elevada já há algum tempo, porém especificamente hoje não chegaram novas demandas a eles. É possível, porém, que algum investidor esteja cobrindo sua posição vendida, o que pode causar essa distorção na cotação, embora não seja possível afirmar que este é o motivo da alta, ponderam.

Embraer (EMBR3, R$ 28,82, -0,07%)
A fabricante de aviões Embraer estimou na segunda-feira uma demanda global por 9.100 novas aeronaves executivas nos próximos 10 anos, com potencial de negócios de US$ 259 bilhões. A companhia afirmou que a previsão reflete uma "alta potencial de demanda nos Estados Unidos e uma redução da atividade em países emergentes". Segundo a Embraer, a projeção de demanda implica em uma taxa composta de crescimento anual de 3% nos próximos 10 anos.

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas esboçaram uma reação e fecharam entre perdas e ganhos mesmo de pesar contra o setor a queda do minério de ferro e dados ruins na China: Gerdau (GGBR4, R$ 5,27, +4,56%) registrou a maior recuperação, embora sua holding Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,09, -8,79%) tenha afundado. Usiminas (USIM5, R$ 2,46, -3,53%) e CSN (CSNA3, R$ 4,91, -0,20%) fecharam com perdas. A Metalúrgica Gerdau renovou a mínima desde maio de 2003, enquanto Usiminas caiu pelo terceiro pregão seguido, atingindo o menor patamar de intraday desde 3 de junho de 2003. 

No caso da Metalúrgica Gerdau, o analista Flávio Conde, da consultoria Whatscall, lembra que hoje é o último dia para os acionistas da companhia participarem da subscrição privada de 500 milhões de ações e, dado que as ações já caíram 10,5% desde que a operação foi anunciada (em 29 de outubro), como normalmente ocorre pós-anúncio de aumento de capital, as ações podem ter recuperação em breve. 

No radar do setor, o IABr (Instituto Aço Brasil) mostrou  que a produção de aço no País em outubro caiu 2,3% sobre o mesmo período do ano passado, para 3 milhões de toneladas. O desmpenho só não foi pior em decorrência da estratégia de ampliar exportações.

Segundo o analista Pedro Galdi, da consultoria Whatscall, os dados do setor só confirmam a expectativa negativa para o setor neste ano, lembrando que o pior é que 2016 não será nada fácil também. 

Sobre Usiminas, há no radar ainda a notícia de que o empresário Lírio Parisotto pediu licença do conselho de administração da companhia, da qual é acionista desde 1997 por meio do fundo L. Par. O fundo de Parisotto tem cerca de 1% das ações ordinárias e 5% das preferenciais da Usiminas. Com a licença de Parisotto, assume seu lugar Mauro Cunha, presidente da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais).

Braskem (BRKM5, R$ 25,13, +5,59%)
As ações da Braskem seguiram forte movimento de alta na Bolsa nesta terça-feira, ficando entre os maiores ganhos do Ibovespa. Com a arrancada, os papéis da petroquímica bateram a máxima de fevereiro de 2005. 

BRF (BRFS3, R$ 56,45, +1,49%)
As ações da BRF perderam força, mas conseguiram subir depois de forte derrocada na Bolsa desde o final de outubro em meio à divulgação do balanço do terceiro trimestre, que levantou preocupações sobre desaceleração das vendas no mercado interno. Do dia 29 até a véspera, as ações caíram 16,5%. 

B2W (BTOW3, R$ 14,53, +0,90%)
As ações da B2W tiveram a segunda alta em três dias após concluir a venda da Ingresso.com para a Fandango Media por R$ 280 milhões. Na máxima do dia, as ações chegaram a subir 3,3%, a R$ 14,88.  

Profarma (PFRM3, R$ 6,71, +10,73%)
As ações da small cap Profarma chegaram a disparar 13% nesta sessão após concluir aquisição. A distribuidora de produtos farmacêuticos Profarma anunciou a compra da parcela remanescente de 50% da rede Drogarias Tamoio por R$ 130 milhões. 

A Profarma disse em comunicado que a aquisição da totalidade da rede Tamoio consolida sua posição como a segunda maior rede do varejo farmacêutico no Estado do Rio de Janeiro. A empresa, que controla as redes Drogasmil e Farmalife, passará a ter 129 farmácias no Estado.

Profarma havia adquirido 50% do capital total da Drogarias Tamoio no início de 2013, e era detentora de uma opção de compra da totalidade das ações remanescentes ao preço de 7,5 vezes do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) acumulado dos últimos doze meses da Drogarias Tamoio. 

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