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Vale dispara 6%, Petrobras avança e ações afundam até 10% após balanços

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira

ações queda
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa zera perdas nesta sexta-feira (30), buscando sua primeira alta depois de cinco quedas, com a arrancada das ações da Vale, bancos e Petrobras.

Na ponta negativa, fazia barulho as ações da BRF, que afundavam após balanço mostrar fraqueza na divisão doméstica e abrir preocupação sobre risco de competição. Um cenário desafiador que levou o Bank of America Merrill Lynch e Itaú BBA a revisarem para baixo suas recomendações para as ações. O BofA ainda cortou o preço-alvo dos ativos de R$ 80,00 para R$ 65,00. 

Das empresas que divulgaram resultados entre ontem à noite e hoje e são listadas no Ibovespa, Ambev e Cia Hering tinham leve queda, enquanto Pão de Açúcar e Raia Drogasil subiam. 

Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão:

BRF (BRFS3, R$ 60,10, -9,56%)
As ações da BRF afundaram hoje, liderando as perdas do Ibovespa, após empresa mostrar fraqueza nas vendas domésticas no terceiro trimestre. Diante do resultado ruim e perspectivas desafiadoras, o Bank of America Merrill Lynch rebaixou a recomendação das ações da companhia de compra para underperform (desempenho abaixo da média). O preço-alvo foi de R$ 80,00 para R$ 65,00 por ação, vendo um cenário de fracas margens domésticas trazendo um risco no cenário para 2016 e 2017.

A companhia informou lucro líquido de R$ 877 milhões no terceiro trimestre, alta de 53,3% frente ao mesmo período de 2014. O Ebitda foi de R$ 1,52 bilhão, crescimento de 34,8% ano contra ano. 

Para o Bradesco BBI, o resultado foi fraco, com as vendas domésticas desapontando. O volume doméstico subiu 3% na comparação anual, mas caiu 9% quando comparado ao segundo trimestre. O JPMorgan aponta que a fraqueza no trimestre da companhia foi chocante, com queda de 45% do Ebit na divisão doméstica. Os analistas acreditam que o declínio dramático de margens domésticas reflete aumento de despesas com retorno da marca Perdigão e também evidencia elevação do riscos competitivos. 

O Bradesco BBI comenta que "os investidores podem estar começando a perceber que a competição da JBS Foods está prejudicando a BRF". De fato, a JBS Foods reportou forte performance doméstica, o que poderia ter implicações negativas para a companhia. 

Juntamente com o resultado, o conselho de administração da BRF aprovou recompra de até 15 milhões de ações no prazo de 12 meses, contados a partir de hoje.

Commodities
As ações da Petrobras e Vale subiram em dia de correção da Bovespa, após cinco quedas seguidas, em meio à alta das commodities. As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,38, +0,86%; PETR4, R$ 7,71, +1,31%) ganharam força no final do dia com a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo brent subia 1,23%, a US$ 49,40 o barril.   

As ações da Vale (VALE3, R$ 17,06, +5,70%; VALE5, R$ 14,03, +5,25%), que operaram em alta durante todo o pregão, também ganharam força no final do dia. Hoje, o preço do minério de ferro subiu 0,36% no porto de Qingdao, na China, para US$ 49,83 a tonelada. 

SulAmérica (SULA11, R$ 18,93, -7,95%)
A SulAmérica registrou lucro líquido de R$ 204,4 milhões no terceiro trimestre, alta de 68,5% na comparação anual. Segundo o Credit Suisse, os números vieram um pouco abaixo das estimativas, depois de um segundo trimestre bem forte.

O lucro líquido recorrente ficou em R$ 172 milhões (contra R$ 175 milhões) e com uma qualidade um pouco pior, comentam os analistas. Eles apontam que, caso fossem excluídas a distribuição de juros de capital para algumas subsidiárias, o lucro líquido seria bem mais fraco, de R$ 128 milhões. 

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 50,74, +1,97%)
O Grupo Pão de Açúcar reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 122 milhões no terceiro trimestre de 2015, revertendo lucro de R$ 391 milhões do mesmo período do ano anterior. No acumulado de nove meses do ano, o lucro da companhia chega a R$ 101 milhões, redução de 90,7% ante os mesmos meses de 2014.

Para o Bradesco BBI, a modesta recuperação no super e hiper Extra permanece como o principal questão, embora as iniciativas de recuperação estejam em andamento. Segundo os analistas, a recuperação da marca Extra é crucial para melhorar a tendência dos resultados. Já o Itaú BBA comentou que os resultados estão em linha com a expectativa de uma recuperação gradual em vendas mesmas lojas e melhor rentabilidade. 

Já os analistas ressaltaram que as maiores despesas (financiamento e operacionais) e o crescimento de receita bem mais fraco podem ser considerados os principais motivos para a fraqueza no resultado. As vendas continuam em um ritmo lento com segmento "mesmas lojas" crescendo apenas 3% em relacao ao ano anterior.  Do lado positivo, os analistas destacaram o Assai, que continua mostrando expansão de margens e crescimento de vendas, principalmente em função da maturacao de lojas e alavancagem operacional.

Ambev (ABEV3, R$ 19,09, +0,47%)
A Ambev anunciou aumento de 6,3% no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre, para R$ 3,086 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita líquida da companhia cresceu 24,6%, para R$ 10,74 bilhões. Já o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado fechou o terceiro trimestre em R$ 4,99 bilhões, alta de 21,9%. 

O Credit Suisse apontou que o resultado veio abaixo das expectativas, tanto em Ebitda quanto em lucro líquido, enquanto para o Bradesco BBI e XP Investimentos os números vieram em linha. Para o Credit, o Ebitda ficou abaixo do estimado, principalmente em função de maiores despesas. 

A XP destaca que, embora os números sejam neutros, que a ação da companhia segue o risco em relação ao possível aumento de tributação no segmento de bebidas pelo governo, além da provável utilização do caixa líquido da empresa para ajudar na compra da SAB Colômbia.

Oi (OIBR4, R$ 2,12, +6,00%)
Após discussão do conselho, a Oi enviou contraproposta que dá exclusividade para a LetterOne por um período de sete meses, a contar a partir de 23 de outubro. "Se concretizada a operação em construção, espera-se uma redução de alavancagem da Oi", segundo comunicado. 

"Uma potencial união da Oi com a TIM (TIMP3, R$ 8,45, +6,69%) deve resultar na constituição de um operador mais completo e bem posicionado, capaz de competir com players globais já instalados no País", complementa.

Cia Hering (HGTX3, R$ 15,15, -0,66%) 
A Hering teve lucro líquido de R$ 97,8 milhões no terceiro trimestre - alta de cerca de 38% na comparação com o mesmo período de 2014, apoiada em parte por ganho gerado por encerramento de unidade no exterior.

Já as vendas mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses) tiveram queda de 4,3%, ainda afetadas pelos esforços da companhia de reduzir estoques de sua rede de franquias. Um ano antes a linha havia apresentado queda de 6%.

Segundo o Credit Suisse, o caminho parece mais pavimentado para o crescimento de receita líquida, porém o ambiente segue desafiado. 

Raia Drogasil (RADL3, R$ 39,99, +1,24%)
A rede de varejo farmacêutico Raia Drogasil teve lucro líquido de R$ 84,3 milhões no terceiro trimestre - alta de 24% sobre um ano antes. A empresa aumentou a estimativa de aberturas brutas de lojas em 2015 para de 130 para 145 unidades. A companhia abriu 37 novas lojas e fechou duas no terceiro trimestre, finalizando o período com 1.177 pontos em operação no país. 

A Raia Drogasil teve receita líquida de R$ 2,285 bilhões, crescimento de 19,5% sobre o faturamento do terceiro trimestre de 2014. Apesar do incremento na abertura de lojas, as despesas com vendas da empresa se mantiveram praticamente estáveis no período, em 18,8% da receita bruta ante 18,2% no mesmo período do ano passado. 

Segundo os analistas Pedro Galdi e Flávio Conde, da consultoria Whatscall, o resultado veio bom e reflete sua condição resiliente a deterioração do cenário econômico.

 

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