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Ibovespa tem 2ª queda seguida e já "engole" 5 das últimas 9 altas; dólar cai 2%

Dados fracos da China e indefinição política ficam novamente no radar e benchmark já acumula mais de 5% de perdas na semana

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fecha em queda nesta quarta-feira (14), estendendo as perdas de ontem, quando caiu 4%. O índice chegou a operar em alta pela manhã, com uma correção depois das fortes perdas do pregão anterior. No entanto, dados fracos da inflação da China juntaram-se ao cenário político totalmente indefinido no Brasil e à fala da maior gestora do mundo, a BlackRock, de que a Bolsa brasileira merece estar barata, para pressionar o índice novamente. 

O benchmark da Bolsa brasileira caiu 1,38%, a 46.710 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 9,337 bilhões. Com isso, fizemos uma queda de 5,33% desde o pregão da sexta-feira, quando o Ibovespa havia marcado sua nona alta consecutiva. O recuo significa que o índice já "engoliu" 5 das 9 altas. Enquanto isso, o dólar comercial fechou em queda de 2,08% a R$ 3,8126 na venda, ao passo que o dólar futuro para novembro registra perdas de 1,89%, a R$ 3,845. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 24 pontos-base, a 15,59%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 cai 7 pontos-base a 15,94%.

Apesar da queda da Bolsa, o dólar e os DIs caíram em meio ao Livro Bege do Federal Reserve, que deixou mais distante a possibilidade de um aumento de juros nos Estados Unidos este ano. 

Cenário político
No radar político, depois das quatro derrotas da semana passada, enfim o governo teve um motivo para respirar aliviado. O STF concedeu três liminares que suspenderam o rito de tramitação de pedidos de impeachment estabelecido por Cunha. O Presidente da Câmara, no entanto, diz que segue com poder para despachar pedidos e que vai recorrer das decisões do Supremo, em clara divergência sobre a extensão das medidas. Na prática, o que o Planalto fez foi ganhar tempo para recompor a base e enviar emissários para a reaproximação com Cunha. Segundo o Estado de S. Paulo, Dilma tentará agora sair da agenda negativa e recompor a base para votar o pacote fiscal até dezembro.

Já a oposição, antecipando-se a uma provável defesa do governo contra um pedido de impeachment baseado na rejeição das contas públicas de 2014 pelo TCU (Tribunal de Contas da União), apresentará esta semana um novo pedido, mostrando que as pedaladas fiscais ocorreram também em 2015. A ideia é enfraquecer o argumento de que Dilma não poderia sofrer impedimento com base em algo que ocorreu no seu mandato anterior. Contudo, a peça só será analisada quando Cunha quiser, em uma estratégia para manter governo e oposição amarrados à sua intenção de permanecer no comando da Câmara e barrar investigação no Conselho de Ética, segundo a coluna Painel da Folha de S. Paulo. "Se derrubo Dilma, no dia seguinte vocês me derrubam", disse Eduardo Cunha para a oposição, segundo o G1.

Agenda do dia
A partir das 15h, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi à Câmara dos Deputados para falar sobre juros e desemprego. Levy disse que para virar a página fiscal, o Orçamento do governo em 2016 tem que estar equacionado. Na sua avaliação, a inflação é o que mais pesa no bolso do trabalhador e dar atenção às reformas estruturais é fundamental. Ele disse ainda que o crescimento se dá com o mínimo de carga tributária. 

Entre os indicadores, as vendas do varejo divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) caíram 0,9% em agosto em relação a julho, contra estimativas medianas dos economistas em 0,6% de recuo, segundo a pesquisa Bloomberg. Já na comparação anual, houve queda de 9,6%, contra previsões de 8,6% de retração.

Destaques da Bolsa
Entre as quedas, a Sabesp (SBSP3, R$ 17,25, -1,43%) recuou após ter o seu rating rebaixado. A S&P rebaixou o rating de crédito global corporativo da Sabesp de BB+ para B, com perspectiva estável, como o esperado. A agência de rating afirmou que o rebaixamento reflete a liquidez mais fraca, por causa de medidas para preservar os reservatórios de água, como resultado da severa seca na região. Além disso, cita a forte depreciação do real durante o ano, que representou um peso adicional para o desempenho operacional e financeiro da companhia. A falta de transparência sobre as ações da Sabesp durante a crise hídrica é uma das principais críticas feitas por especialistas em recursos hídricos, ativistas e promotores públicos.

Assim como ela, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,56, -2,85%; PETR4, R$ 7,96, -2,09%) recuaram forte. O movimento de baixa acompanha os preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo Brent, usado como referência pela estatal, recuou 0,04%, a US$ 49,67. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 RUMO3 RUMO LOG ON 8,02 -7,18 -54,07
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,44 -4,72 -14,09
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,30 -3,99 +18,46
 MRFG3 MARFRIG ON 6,24 -3,85 +2,30
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 52,50 -3,62 -46,16

Ainda entre as blue chips, a Ambev (ABEV3, R$ 18,40, -1,60%) fechou em queda depois de cair mais de 5% ontem. No holofote do mercado, as duas maiores cervejarias do mundo concordaram na terça-feira em formar um grupo ainda maior, responsável por um terço da cerveja produzida no mundo. O acordo ocorreu depois que a SABMiller recebeu uma oferta melhorada da rival maior AB InBev avaliada em mais de US$ 100 bilhões.

Se for concluída, a transação será a quinta maior fusão da história corporativa global e a maior aquisição já feita de uma companhia do Reino Unido.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BRPR3 BR PROPERT ON 11,04 +2,13 +10,03
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,70 +1,99 -36,00
 NATU3 NATURA ON 22,60 +1,76 -24,97
 FIBR3 FIBRIA ON 54,40 +1,47 +68,39
 VALE5 VALE PNA 15,18 +1,34 -17,95

Entre as ações, a Vale (VALE3, R$ 18,70, +0,65%; VALE5, R$ 15,18, +1,34%) se recuperou depois de cair 10% ontem. O minério de ferro spot com 62% de pureza com entrega no porto de Qingdao subiu 0,27% hoje, a US$ 55,12, depois de cair quase 3% no último pregão. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 27,71 -0,93 1,64B
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,40 -1,60 1,12B
 PETR4 PETROBRAS PN 7,96 -2,09 1,07B
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 22,56 -0,53 978,64M
 VALE5 VALE PNA 15,18 +1,34 845,83M
 JBSS3 JBS ON 14,74 -1,73 714,98M
 BRFS3 BRF SA ON 64,20 -2,83 586,22M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,54 -2,33 526,79M
 CIEL3 CIELO ON 37,00 -2,50 511,30M
 PETR3 PETROBRAS ON 9,56 -2,85 462,18M

China traz fraqueza
As bolsas asiáticas e europeias caíram nesta quarta-feira, ampliando as perdas após a inflação na China enfraquecer mais do que o esperado, alimentando preocupações sobre as pressões deflacionárias na segunda maior economia do mundo. 

O mercado ainda refletiu o Livro Bege do Federal Reserve. Segundo o documento, as condições industriais estão "morosas, de maneira geral", com a desaceleração da China assumindo papel secundário em relação à alta do dólar como o obstáculo mais imediato. "Alguns distritos citam o dólar forte como um fator que pressiona a atividade industrial, assim como os gastos com turismo", segundo o relatório. Particularmente, o setor siderúrgico permaneceu fraco, uma vez que a apreciação da moeda norte-americana aumentou a competição de importações, especialmente da China.

Por lá, os investidores esperam pela temporada de resultados e também repercutem alguns dados divulgados pela manhã como inflação ao produtor, que caiu 0,5% em setembro contra expectativas de recuo de 0,3% e ante estabilidade em agosto. 

Os dados de vendas do varejo nos EUA também saíram, mostrando avanço de 0,1%, abaixo dos 0,2% esperados para setembro. Este indicador também havia mostrado estabilidade em agosto.

O índice de preços ao consumidor da China avançou 1,6% em setembro em comparação com o ano anterior, disse a Agência Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), ficando um pouco abaixo da expectativa de 1,8% e abaixo dos 2% de agosto. As ações chinesas terminaram em queda, com o índice de blue-chips recuando 1,13% e o índice de Xangai com queda de 0,95%. Já o japonês Nikkei recuou 1,89%, a 3.262 pontos.

Mais cedo nesta quarta-feira, a Autoridade Monetária de Cingapura disse que vai afrouxar sua política monetária pela segunda vez neste ano ao reduzir o ritmo de valorização da moeda local. O movimento visa reviver a economia que quase não conseguiu evitar uma recessão no terceiro trimestre.

Entre os dados da Europa, chama a atenção a produção industrial da zona do euro, que recuou em linha com as expectativas em agosto, uma vez que o setor de energia reverteu os ganhos obtidos em julho e apenas a produção de bens ao consumidor duráveis mostrou expansão robusta.

A produção industrial nos 19 países que usam o euro caiu 0,5% na comparação mensal para registrar avanço de 0,9% sobre um ano antes, informou a Eurostat nesta quarta-feira. Economistas consultados pela Reuters esperavam queda mensal de 0,5% e ganho anual de 1,8%.

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