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Ibovespa cai mais de 3% com dados fracos da China após 9 altas; dólar e DIs sobem

Dia é agitado pela espera por pedido de impeachment e pela queda das bolsas mundiais e das commodities em meio a mais dados fracos da economia chinesa

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa despenca nesta terça-feira (13), interrompendo um rali de 9 pregões seguidos em alta e 12% de ganhos. O motivo é a decepção nos mercados globais com os dados da Balança Comercial chinesa, que mostraram uma queda de 20% nas importações do país em setembro. Por aqui, a oposição apresentará hoje, com informações de que as pedaladas continuaram este ano, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff realizado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal.

Às 13h28 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 3,32%, a 47.699 pontos. Já o dólar comercial sobe 2,08% a R$ 3,8371, na venda, ao passo que o dólar futuro para novembro apresenta alta de 1,74% a R$ 3,858. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 tinha alta de 16 pontos-base a 15,72%, enquanto o DI para janeiro de 2021 sobe 27 pontos-base a 15,87%. 

Os ADRs (American Depositary Receipts) das ações brasileiras recuaram ontem na Bolsa de Valores de Nova York. O índice Brazil Titans 20 Dow Jones, que é negociado na Bolsa de Nova York e reúne os 20 ADRs mais líquidos de empresas brasileiras fechou com expressiva queda de 1,63%, a 13.562 pontos.

No noticiário político, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deve esperar análise do corpo técnico da Câmara e despachar o pedido de impeachment na quinta, de acordo com o colunista do jornal o Globo, Lauro Jardim. Cunha disse que o pedido de Bicudo terá aditamento, mas não deve ser hoje. Os outros pedidos pendentes, contudo, devem ser despachados hoje. 

Ao mesmo tempo, o governo está dividido se tenta acordo com Cunha ou parte para o ataque, de acordo com Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo. O Planalto dá como certo que processo será deflagrado nesta semana, mas a reação dependerá se Cunha vai aceitar ou rejeitar pedido de impeachment. Caso o presidente da Câmara dê seguimento ao processo, o governo ameaça pedir sua cassação, diz o Globo. 

Ainda sobre o impeachment, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, concedeu nesta terça uma liminar (decisão provisória) que impede o andamento dos processos de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Teori solicita ao presidente da Câmara dos Deputados mais informações sobre a decisão final. O rito para o impeachment foi apresentado por Cunha dia 23 de setembro, definindo também a forma de tramitação dos pedidos.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,85% para uma de 2,97%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,70% este ano.

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,06, -6,07%; PETR4, R$ 8,33, -5,34%) afundam na nesta terça-feira, dando sequência ao forte movimento negativo dos ADRs da véspera, lembrando que a Bovespa estava fechada por conta do feriado. No noticiário da empresa, a Petrobras negocia vender cerca de 25% da BR Distribuidora, segundo informações da Folha de S. Paulo. 

Além disso, de acordo com o jornal O Globo, a petrolífera investiu US$ 66 milhões para explorar poço seco em um campo de petróleo no Benin. A operação está na origem do pagamento de propina ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teria recebido depósitos que somam 1,3 milhão de francos suíços, o equivalente a R$ 5,1 milhões, do lobista João Augusto Rezende Henriques no mesmo mês em que foi selada a decisão do investimento. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,83 -9,38
 VALE3 VALE ON 18,91 -9,04
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 53,50 -9,01
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,63 -8,77
 SANB11 SANTANDER BR UNT 14,18 -8,52

 

Quem também cai são os bancos depois que o Credit Suisse rebaixou sua recomendação para as ações de diversas instituições. As recomendações das ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,97, -5,35%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,18, -5,52%; BBDC4, R$ 22,52, -6,13%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,33, -6,37%), Santander (SANB11, R$ 14,17, -8,58%) e Itaúsa (ITSA4, R$ 7,67, -4,48%) passaram de neutra para underperform (desempenho abaixo da média). 

Ainda entre as blue chips, a Ambev (ABEV3, R$ 18,93, -4,35%) cai apesar da notícia de que a SABMiller aceitou a proposta de aquisição pela controladora da cervejaria brasileira, a Anheuser-Busch Inbev por US$ 106 bilhões. O acordo para criar uma cervejaria que fabricaria quase um terço da cerveja mundial ficaria entre as cinco maiores fusões na história corporativa e seria a maior aquisição de uma companhia britânica.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 18,03 +7,19
 CESP6 CESP PNB 16,43 +3,33
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 22,98 +2,68
 FIBR3 FIBRIA ON 52,57 +2,18
 CPLE6 COPEL PNB 32,30 +1,89

 

Entre as altas ficam as ações de companhias exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 52,57, +2,18%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,03, +7,19%). As duas são beneficiadas pela alta do dólar, já que possuem suas receitas denominadas na moeda norte-americana. 

Fed
Entre ontem e hoje, discursos de três presidentes regionais do Federal Reserve chamaram a atenção.

O vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fischer, falando na reunião do FMI em Lima, Peru, disse que talvez a economia dos EUA esteja forte o suficiente para merecer um aumento das taxas de juros por volta do final do ano. Ele advertiu que os responsáveis pela política econômica estão monitorando os dados sobre empregos no país que estão chegando e ficarão de olho nos acontecimentos internacionais na hora de decidir o momento escolhido para decolar.

Já o o presidente do Federal Reserve Atlanta, Dennis Lockhart afirmou que o mês de outubro poderia ter dados econômicos suficientes para que o Fed considere um aumento da taxa de juros em sua reunião no final do mês, mas haverá muito mais dados em mãos a tempo para a reunião de dezembro. "Eu acho que em outubro teremos uma reunião crucial, claramente existe o potencial de que os dados antes da reunião de outubro sejam suficientes ... (mas) nós teremos muito mais em dezembro", disse ele após um discurso em Orlando, nos Estados Unidos.

O presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, por sua vez, afirmou que a autoridade monetária alcançou sua meta cheia do nível de emprego, disse uma autoridade da instituição nesta segunda-feira, mas não deverá começar a aumentar as taxas de juros porque ainda não atingiu seu objetivo de chegar a inflação de 2%.

Cenário externo
As bolsas chinesas fecharam sem direção comum nesta terça-feira após dados do comércio do país em setembro deixarem os economistas divididos sobre se o setor está mostrando sinais de virada. As ações globais recuam, interrompendo rali de nove dias, após importações na China caírem mais que o previsto. 

As exportações da China caíram menos do que o esperado em setembro, com os dados mensais mostrando recuperação, mas uma queda mais forte nas importações deixou economistas divididos sobre se o setor comercial do país está mostrando sinais de recuperação. As exportações caíram 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado, contra queda de 6,3% projetada por economistas em pesquisa da Reuters e recuo de 5,5% em agosto.

Entretanto, as importações por valor total caíram pelo 11º mês seguido, perdendo mais de 20% em setembro na comparação anual devido aos preços fracos de commodities e à demanda doméstica fraca, o que continuará a complicar os esforços de Pequim para conter a deflação. Economistas esperavam queda de 15%, após declínio de 13,8% no mês anterior.

Na Europa, o índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu para 1,9 em outubro, de 12,1 em setembro, segundo dados divulgados hoje pelo instituto alemão ZEW. O resultado veio bem abaixo da expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam recuo menor do indicador, a 6,9. O índice de condições atuais do ZEW, por sua vez, recuou para 55,2 neste mês, de 67,5 em setembro. Também neste caso, a previsão dos analistas era de queda menos acentuada do índice, para 64,7.

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