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Bolsa deixa para trás queda do petróleo e política e já sobe 5000 pontos no rali

Ibovespa já acumula 11% de ganhos desde o início do rali e nem adiamento de votação de vetos foi capaz de frear o ímpeto comprador

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fecha em alta nesta quarta-feira (7) pelo sétimo pregão consecutivo, fazendo a maior sequência de altas diárias desde março de 2014, quando a Bolsa só fez subir entre os dias 17 e 25. Durante a sessão, o índice chegou a subir 3,26% pela manhã, puxado tanto pela expectativa de votação dos vetos da presidente Dilma, quanto pela disparada do petróleo, que subia mais 2% depois de saltar 5% ontem. Com o novo adiamento na questão dos vetos por conta da falta de quórum na Câmara dos Deputados, o benchmark chegou a amenizar ganhos, mas voltou a ganhar força perto do fechamento. 

O Ibovespa fecha em alta de 2,47% a 48.914 pontos. Desde o início do rali, o índice já acumulou ganhos de 11,28% ou 5.000 pontos. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 11,678 bilhões. Ao mesmo tempo, o dólar comercial sentiu o peso da questão política e subiu 0,89% a R$ 3,8771 na venda, acabando na máxima do dia depois de passar a maior parte do pregão em queda. O dólar futuro tinha alta de 0,80% a R$ 3,918. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 24 pontos-base, a 15,49%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 28 pontos-base, a 15,49%. 

O analista e blogueiro do InfoMoney, Pedro Paulo Silveira, acredita que a piora do cenário para Dilma não necessariamente é ruim para a Bolsa. Para ele, atualmente há dois cenários possíveis:

No primeiro, o parlamento deixa de impor dificuldades a Dilma, o relacionamento melhora, o ajuste é aprovado e a presidente Dilma Rousseff se mantém no cargo. No segundo, a relação torna-se insustentável e, frente ao risco de não haver qualquer ajuste e as contas públicas sofrerem um colapso, Dilma cai, por renúncia, impugnação ou impeachment. O novo governo, frente a este quadro, seja o do vice-presidente, Michel Temer, seja o do senador tucano, Aécio Neves, seria obrigado a continuar o ajuste e as medidas de austeridade. Passado o pânico político inicial de uma deposição, a economia se reequilibraria e a Bolsa teria todos os motivos para subir.

Cenário político
Neste momento ocorre o julgamento no TCU (Tribunal de Contas da União), das contas da presidente Dilma. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, decidiu manter o julgamento das contas públicas depois da Advocacia-Geral da União (AGU) apresentar pedido de liminar no STF requerendo a suspensão da análise e do julgamento, também no TCU, do afastamento do relator do caso, ministro Augusto Nardes, pedido pelo governo. De acordo com a Folha de S. Paulo, a União dá como certa a derrota no TCU e, por isso, adota uma estratégia de ganhar tempo.

A tensão contra o governo tem aumentado desde ontem com a decisão pelo prosseguimento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da ação do PSDB que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por irregularidades na campanha eleitoral de 2014. O relator do processo pode ser o ministro Gilmar Mendes, que é um grande crítico da presidente Dilma e do PT. 

Por fim, continuam no radar os rumores de uma possível saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Segundo a Folha, a saída do ministro é esperada por petistas para entre o fim deste ano e o início de 2016. O tema tem sido recorrente nos jornais desde a reforma ministerial anunciada por Dilma na semana passada. Apesar dos rumores, o governo acredita que o dólar vá a R$ 4,50 caso Levy deixe a Fazenda agora.

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,40, 5,16%, PETR4, R$ 8,47, +3,42%), que chegaram a subir até 11%, diminuem fortemente os ganhos após os dados do estoque de petróleo nos EUA. Além disso, o FMI ( Fundo Monetário Internacional ) alertou em documento divulgado hoje que o endividamento de empresas estatais pode comprometer os ratings soberanos de países emergentes, na medida em que o Estado pode ter que assumir dívidas dessas companhias, que estão sob pressão em meio à valorização do dólar e perspectiva de alta de juros nos Estados Unidos.  

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 VALE3 VALE ON 20,15 +10,05 -4,98
 SANB11 SANTANDER BR UNT 15,17 +8,82 +21,78
 RUMO3 RUMO LOG ON 6,90 +8,66 -60,48
 BBAS3 BRASIL ON 17,93 +8,47 -18,49
 OIBR4 OI PN 3,67 +8,26 -57,38

Também dispararam as ações da Vale (VALE3, R$ 20,15, +10,05%; VALE5, R$ 15,85, +6,23%), Bradespar (BRAP4, R$ 9,48, +5,92%), holding que detém forte participação na Vale, e siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 4,70, +5,86%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,38, +5,30%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,43, +6,99%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,39, +2,11%). 

Sobre as siderúrgicas, merece menção ainda que o mercado especula possibilidade das companhias iniciarem vendas de ativos para aliviar seu endividamento. A primeira delas poderia ser a CSN, conforme apurou o Broadcast, que informou que há grande interesse de investidores estrangeiros pelo Terminal de Contêineres (Tecon), em Sepetiba. A venda desse ativo da CSN deverá estrear a lista de desinvestimentos da empresa, que busca reduzir o seu endividamento, e ajudar a companhia a levantar R$ 1 bilhão com a venda integral do Tecon até o fim do ano, segundo fontes. 

O dia foi de forte alta também para as educacionais. Dentro do setor, subiram ainda a Estácio (ESTC3, R$ 15,32, +3,30%), Kroton (KROT3, R$ 9,43, +5,25%). No caso desta última, ontem o Ministério da Educação (MEC) autorizou 41 novos cursos de graduação em instituições de ensino pertencentes ao grupo. Das autorizações, 56% são nas áreas de saúde, engenharia e licenciatura, correspondendo a 9,2 mil novas vagas, das quais 85% destinadas a região Nordeste e 15% para a região Norte do Brasil, disse a empresa.  

Já as ações de empresas exportadoras seguiram com forte queda, mesmo com o dólar virando para alta, atingindo os R$ 3,88. A exceção fica com a Fibria (FIBR3, R$ 54,50, +3,75%), que passou a subir junto com a moeda. Enquanto isso, outras empresas exportadoras recuam: Suzano (SUZB5, R$ 17,92, -0,88%), além das empresas do setor de proteína animal JBS (JBSS3, R$ 15,75, -2,78%), Marfrig (MRFG3, R$ 6,81, -2,44%) e BRF (BRFS3, R$ 66,47, -3,53%). 

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BRFS3 BRF SA ON 66,47 -3,53 +6,37
 JBSS3 JBS ON 15,75 -2,78 +42,16
 MRFG3 MARFRIG ON 6,81 -2,44 +11,64
 CPLE6 COPEL PNB 31,70 -1,18 -9,32
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 17,92 -0,89 +60,66


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 26,91 +0,04 2,45B
 PETR4 PETROBRAS PN 8,47 +3,42 996,66M
 VALE5 VALE PNA 15,85 +6,23 760,82M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 29,64 +2,85 746,58M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 24,23 +3,59 407,31M
 BBAS3 BRASIL ON 17,93 +8,47 387,63M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 28,30 +4,89 308,85M
 PETR3 PETROBRAS ON 10,40 +5,16 308,53M
 BRFS3 BRF SA ON 66,47 -3,53 303,51M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,95 +3,25 299,42M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Cenário externo
O dia foi de alta para as bolsas europeias, que tiveram leves ganhos, assim como os índices dos EUA, que sobem entre 0,7% e 0,9%. No noticiário corporativo, destaque para as ações da Volkswagen, que chegaram a subir 8%, após o novo CEO Matthias Mueller dizer em entrevista a um jornal alemão que a empresa fará recall dos carros afetados pela crise da emissão de poluentes.

Do outro lado do mundo, as bolsas asiáticas fecharam em alta conforme a valorização dos preços do petróleo ontem impulsionou as ações ligadas a recursos naturais e com a confiança também ajudada pela expectativa melhor do que o esperado da previsão de lucro da sul-coreana Samsung Eletronics. Vale ressaltar que Xangai não abriu por conta de feriado, enquanto Nikkei subiu 0,75% e Hong Kong teve alta de 3,13%.

A Samsung Eletronics liderou os ganhos com alta de 8,7%. A gigante dos smartphones disse que deve registrar o primeiro lucro trimestral em dois anos devido às fortes vendas de chips e displays, apesar de analistas atribuírem muito do resultado surpreendente ao won, moeda sul-coreana, mais fraco.

Um salto dos preços do petróleo ajudou a compensar algumas preocupações de que a desaceleração da China possa levar a uma sobrecapacidade em muitas indústrias, especialmente do setor de recursos naturais.

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