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Ibovespa zera ganhos após adiamento de votação dos vetos; dólar e DIs caem

Resolução na questão dos vetos fica novamente para depois e mercado volta a ficar desconfiado do governo

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa reduz ganhos nesta terça-feira (6), mantendo a alta mesmo depois de relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) mostrando uma previsão mais pessimista para a economia global e do adiamento da votação dos vetos da presidente Dilma para amanhã às 11h30 (horário de Brasília). 

Às 14h54 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve queda de 0,17% a 47.515 pontos. Na máxima do dia, o índice chegou a operar nos 48 mil pontos, mas acabou amenizando os ganhos ao longo da sessão. Se subir hoje, a Bolsa fará seu sexto pregão consecutivo de alta, feito que não era atingido desde agosto do ano passado. 

O movimento do nosso índice foi parecido com o registrado pelos índices Dow Jones e S&P 500 nos Estados Unidos, que agora operam entre leves perdas e ganhos. A projeção para o crescimento da economia global do FMI sofreu uma redução de 0,2 ponto percentual, para 3,1%. Já para o Brasil, a entidade prevê que o PIB (Produto Interno Bruto) vai recuar 3% este ano, ante projeção de 1,5% de retração anteriormente. 

A visão que o FMI tem do Brasil para os próximos dois anos só não é pior do que a que tem para a Venezuela, cujas estimativas para o PIB são de contração de 10% e 6% em 2015 e 2016, respectivamente.

O dólar comercial continuou em queda de 1,19% a R$ 3,8543 na venda, enquanto o dólar futuro para novembro caía 1,52%, a R$ 3,886. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 12 pontos-base a 15,35%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 10 pontos-base a 15,25%.

Já no radar político hoje, o mercado acabou vendo frustradas as suas expectativas de que fossem votados os vetos da presidente Dilma a pautas bomba. As expectativas, no entanto, continuam de que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os mantenha, no que seria a primeira vitória do governo desde o anúncio da reforma ministerial na sexta-feira. 

Por outro lado, nem todas as batalhas devem ser vencidas pela gestão Dilma. A mais complicada promete ser o julgamento das contas públicas da presidente no TCU (Tribunal de Contas da União). Apesar de todos os esforços da Advocacia-Geral da União para afastar o relator do processo, o ministro Augusto Nardes, sob a acusação de que ele antecipou o seu voto na questão, o tribunal deve manter o julgamento para amanhã (7). "O governo tenta intimidar TCU, mas não vamos nos acovardar", disse Nardes.

Bolsa, Renda Fixa, Economia, Câmbio, Futuros

Levy, Lula e Meirelles
Ainda trazendo instabilidade, os rumores de que, após a reforma ministerial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca substituir Joaquim Levy por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda só crescem. E, de acordo com o colunista do Valor Econômico, Raymundo Costa, citando fontes do PT, a entrada de Meirelles no lugar de Levy resolveria metade dos problemas da presidente Dilma Rousseff, pois sinalizaria ao mercado que o intervencionismo da presidente ficou para trás.

Mostraria que Lula está efetivamente no comando, o que todos aqueles ao lado do ex-presidente evitam falar abertamente para não ferir a suscetibilidade de Dilma e atrapalhar mais uma vez a mudança, afirma o colunista. "Meirelles seria um ministro forte ligado a Lula; Levy, um ministro sem força para se opor à heterodoxia da presidente da República", destaca.

Moody's
Por fim, relatório da agência de classificação de risco, Moody's, diz que previsão para o Brasil é de contração de 3% na atividade econômica em 2015. “Não vemos como a posição fiscal do Brasil pode melhorar no curto prazo, dada a falta de consenso político, que tem impedido a administração atual de entregar superávits primários grandes o suficiente para conter o aumento da proporção da dívida do governo”, diz Mauro Leos, vice- presidente e diretor de crédito sênior da Moody’s.

Além disso, ele afirmou que a agência não acredita que o Brasil possa atingir um crescimento real de 2% e superávits primários de, pelo menos, 2% do PIB (Produto Interno Bruto) até 2017-18, resultados que são necessários para estabilizar a relação dívida/PIB.

Já a diretora-gerente da Moody's Latin America, Susan Knapp, afirmou que as forças subjacentes do Brasil ainda são suficientes para manter o grau de investimento, apesar de as dinâmicas atuais de crescimento serem piores do que a agência antecipava. A declaração foi dada na 17ª Conferência Anual da Moody's, em São Paulo.

"As forças subjacentes ainda são suficientes para manter o grau de investimento, mas o Brasil enfrenta desafios, como o crescimento fraco, desequilíbrios fiscais persistentes e a situação política", comentou Susan. A diretora apontou que o desempenho econômico brasileiro tem sido mais fraco do que a Moody's havia antecipado e que espera-se uma melhora apenas moderada no curto prazo.

Destaques de ações
Do lado das quedas estão as ações de exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 52,02, -4,64%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,13, -3,05%), que são prejudicadas pela baixa do dólar, já que possuem receitas denominadas nesta divisa. Além delas, também cai Ambev (ABEV3, R$ 19,82, -2,60%), uma peso-pesado do índice que ontem rompeu sua máxima histórica. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 ESTC3 ESTACIO PART ON 14,77 -7,40
 FIBR3 FIBRIA ON 52,02 -4,64
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,55 -4,15
 JBSS3 JBS ON 16,13 -3,99
 CESP6 CESP PNB 14,95 -3,98

 

Entre as ações, a Petrobras (PETR3, R$ 9,88, +5,11%; PETR4, R$ 8,15, +4,22%) sobe depois do corte do plano de investimento de US$ 28 bilhões para US$ 25 bilhões em 2015. Ao todo são US$ 18 bilhões, ou 16% de redução, na previsão de gastos operacionais e investimentos para este e o próximo ano, devido à queda nos preços de petróleo e à desvalorização do real frente ao dólar.

As ações da Vale (VALE3, R$ 18,38, +1,32%; VALE5, R$ 14,88, +1,29%), consolidam alta. Principal produto da empresa, o minério de ferro não tem cotação negociada na China hoje por conta do feriado por lá, que acaba na quarta. No radar, no entanto, fica a notícia do Tratado Trans-Pacífico.

Países que representam 40% do PIB global fecharam ontem o acordo comercial, que unirá economias dos dois lados do Pacífico e será um elemento crucial da estratégia americana de conter a influência da China na Ásia, região vista por Washington como a principal fonte de dinamismo econômico do século 21. Segundo especialistas, o acordo deve dificultar as exportações brasileiras para esses países, especialmente de produtos manufaturados.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,41 +7,82
 HGTX3 CIA HERING ON 16,21 +6,64
 GOLL4 GOL PN N2 3,98 +6,13
 PETR3 PETROBRAS ON 9,88 +5,11
 BRKM5 BRASKEM PNA 18,93 +4,76

Entre as blue chips da Bovespa, os bancos voltam a operar em alta. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,69, +0,46%), Bradesco (BBDC3, R$ 25,78, +0,82%; BBDC4, R$ 23,20, +0,13%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,29, +0,80%) sobem. Juntos, os quatro papéis destas três empresas representam mais de 20% da carteira teórica do Ibovespa.

Entre as notícias específicas do setor financeiro, os bancários decidiram entrar em greve a partir de hoje, por tempo indeterminado, segundo comunicado publicado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Entre as reivindicações, a categoria pede reajuste salarial de 16% (reposição da inflação mais aumento real de 5,6%), contra uma proposta dos bancos de 5,5%. Ainda sobre o setor, atenção para a divulgação hoje, pelo Banco Central, dos dados de captação da poupança.

Cenário externo
O mercado tem um dia de correção lá fora após os fortes ganhos dos últimos dois pregões por conta das expectativas de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, eleve os juros apenas n ano que vem. Isso evita, por ora, a dor de cabeça do momento em que o aumento da rentabilidade dos títulos da dívida norte-americana, considerados os ativos financeiros mais seguros do mundo, trará uma queda no apetite de risco global. 

 Entre as commodities, o petróleo tipo Brent subia cerca de 4% nesta sessão, após avançar 2,3% ontem, liderado pelo avanço da gasolina nos Estados Unidos e pela disposição da Rússia de se reunir com outros grandes produtores de petróleo para discutir as condições do mercado.

Enquanto isso, na Europa, o dia oscila entre leves ganhos e perdas depois de rali com o Federal Reserve e após dados da Alemanha decepcionarem. Os pedidos às fábricas Alemanha em agosto registraram queda de 1,8% na comparação mensal, ante estimativa de queda de 0,5%. O índice anterior foi revisado de queda de 1,4% para queda de 2,2%.

Já no Japão, o índice Nikkei do Japão teve alta de 1%, ampliando sua recuperação ante a mínima de oito meses alcançada há uma semana. "Uma das duas maiores e mais persistentes preocupações [o aumento de juros nos EUA] tem diminuído, então os investidores estão assumindo riscos", disse o vice-presidente de investimento do Sumimoto Mitsui Trust Bank, Masashi Oda, referindo-se às expectativas de uma alta de juros pelo Fed no curto prazo.

As ações japonesas ganharam novo impulso com a especulação de que o banco central do país pode expandir seu programa de apoio à economia vacilante. O BC iniciou nesta terça-feira sua reunião de política monetária, na qual deve manter a política monetária.

Sinais de recuperação nos preços das commodities ajudaram a aliviar as preocupações com a desaceleração global e impulsionaram as ações de companhias de energia e recursos.

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