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Ibovespa sobe 1,2% e tem melhor sequência desde agosto de 2014; dólar cai a R$ 3,90

Bolsa tem seu quinto fechamento no azul consecutivo em meio à melhora nos cenários político, por conta da reforma ministerial e exterior, com Fed mais longe de subir juros

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta de 1,20% a 47.598 pontos nesta segunda-feira (5), tendo a sua quinta alta em 5 pregões. Foi a maior sequência de ganhos diários do índice desde agosto de 2014, quando a Bolsa subiu por seis sessões consecutivas entre os dias 14 e 21. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 5,707 bilhões. Com a alta de hoje, o Ibovespa já acumula 8,29% de ganhos desde a terça passada, quando começou o rali.

Trazendo ânimo hoje esteve o cenário internacional, com expectativas de que o Federal Reserve demorará até o ano que vem para subir juros, por conta dos dados fracos recentes da economia americana. A melhora no cenário político aqui após a reforma ministerial também foi um dos vetores de alta do benchmark. 

O dólar comercial teve queda de 1,14% a R$ 3,9008 na venda, ao passo que o dólar futuro para novembro caiu 0,98%, a R$ 3,936. Já o DI para janeiro de 2017 ficou estável a 15,42%, enquanto o DI para janeiro de 2021 tem alta de 10 pbs a 15,29%. 

Cenário político
Na parte política, o governo pedirá o afastamento do relator do processo das "pedaladas fiscais" no TCU (Tribunal de Contas da União), Augusto Nardes. Com isso, a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma fica mais longe, trazendo alívio para o governo e, consequentemente, para a Bolsa. Segundo nota publicada pelo Broadcast, o pedido de suspeição de Nardes deve resultar no adiamento do julgamento do processo das pedaladas, que estava previsto para a próxima quarta-feira (7). 

Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, os investidores estão otimistas por uma melhora no ambiente político, com a possibilidade do PMDB ficar mais alinhado ao governo, mas é difícil afirmar a tendência do mercado antes da votação dos vetos presidenciais que ocorre amanhã. "Se não passarem os vetos, a coisa fica mais difícil e alguma correção é esperada a essa alta, mas pelo menos o mercado está dando o benefício da dúvida", explica. 

Para muitos analistas, a votação dos vetos de pautas bombas mostrará se o PMDB ficou satisfeito com a reforma ministerial e se irá, a partir de agora, dar mais apoio às medidas previstas no ajuste fiscal.

Neste cenário, o grande elemento de incerteza continua sendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem sua credibilidade posta em jogo por causa de denúncias relativas à manutenção de quatro contas com US$ 5 milhões na Suíça. Para o Planalto, as acusações contra o presidente da Câmara tiram força do movimento pró-impeachment. Porém, Cunha deve insistir em deflagrar o processo, com objetivo de criar uma cortina de fumaça que o ajude a se defender das denúncias.

Levy na corda bamba?
A incerteza sobre a permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, gera alguma instabilidade por aqui. Segundo informações do Valor Econômico, a situação de Levy começa a ficar igual à de Aloizio Mercadante, que foi tirado da Casa Civil e realocado na Educação por conta de sua relação conturbada com o ex-presidente Lula e também com o PMDB.

Dilma e o PT esperam ganhar condições de retomar medidas para o crescimento, num processo que pode levar à saída de Levy. Já Lula, defendia as saídas de Levy e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na reforma que foi anunciada, de acordo com o jornal O Globo. Para Lula, Levy tem "prazo de validade", que vence quando o governo conseguir aprovar as principais medidas do ajuste fiscal no Congresso. No lugar dele, Lula quer que Henrique Meirelles seja colocado na Fazenda, mas Dilma resiste ao nome do ex-presidente do Banco Central.

Indicadores
Às 10h foi divulgado o PMI (Índice Gerente de Compras) do Brasil para o setor de Serviços. Segundo o relatório da Markit, 
ao registrar 41,7 pontos em setembro, abaixo do valor de 44,8 pontos divulgado em agosto, o Índice de Atividade de Negócios do setor de serviços, sazonalmente ajustado, foi indicativo de um declínio acentuado no volume de produção, o terceiro mais rápido em seis anos e meio.

Também teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,8% para uma de 2,85%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,53% este ano.

CPMF
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a dizer nesta segunda que a CPMF tem mostrado papel importante no processo de ajuste fiscal, assim como foi relevante em 1999, quando a economia brasileira também passou por ajustes. Ele ressaltou que, no entanto, o tributo tem de ser provisório. "A CPMF até agora tem mostrado ter papel importante (no ajuste fiscal), como ela teve no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o presidente teve que trazer o Brasil de volta a uma rota de equilíbrio", afirmou Levy. "Demorou uns 'mesezinhos', mas (a CPMF) foi fundamental na arquitetura de reequilíbrio naquela época", afirmou Levy, após participar de seminário da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio. 

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,40, +2,73%; PETR4, R$ 7,82, +0,64%) subiram acompanhando o dia positivo na Bovespa e puxadas pelos preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo Brent, usado como referência pela estatal, subiu 2,44%, a US$ 49,98 o barril.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 OIBR4 OI PN 3,26 +10,88 -62,14
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,09 +8,20 -20,86
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 53,52 +5,44 -45,11
 GGBR4 GERDAU PN 5,96 +5,30 -36,31
 USIM5 USIMINAS PNA 3,30 +4,43 -34,29

 

Já as ações da Vale (VALE3, R$ 18,14, +1,80%; VALE5, R$ 14,69, +1,59%), Bradespar (BRAP4, R$ 8,85, +0,57%), holding que detém participação na mineradora, e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 3,30, +4,43%), CSN (CSNA3, R$ 4,09, +8,20%) e Gerdau (GGBR4, R$ 5,96, +5,30%) subiram hoje seguindo a alta dos preços das commodities nesta segunda-feira. O otimismo do mercado acompanhou os dados da economia americana, com ênfase no Relatório de Emprego, consolidando a opinião de que o Federal Reserve deve ter mais paciência. 

Ainda do lado positivo, a Oi (OIBR4, R$ 3,26, +10,88%) disparou depois de comunicar que vai converter 66,84% de suas ações preferenciais em ordinárias. A companhia estima que em 9 de outubro os papéis preferenciais existentes na carteira de conversão serão convertidos em ordinários nas contas de custódia dos acionistas solicitantes mantidas na BM&FBovespa ou no Banco do Brasil; e a partir de 13 de outubro as ordinárias resultantes da conversão poderão ser negociadas na BM&FBovespa. 

Segundo o Itaú BBA, é mais um acontecimento no plano da Oi para melhorar a governança corporativa. "A conversão de ações transfere liquidez às ações ON, que implica uma melhor governança e traz a Oi para mais perto de atender a regra 'uma ação, um voto' exigida pelo Novo Mercado", disseram os analistas.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 SMLE3 SMILES ON 31,50 -6,11 -28,97
 RADL3 RAIADROGASIL ON 39,35 -3,15 +57,21
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,66 -2,67 +31,60
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,55 -1,95 +21,08
 BRPR3 BR PROPERT ON 11,16 -1,85 +11,22

 

Já entre as quedas, as ações das exportadoras tiveram desempenho mais fraco dentro do Ibovespa devido à queda do dólar frente ao real. Nos destaques, as empresas do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 54,55, +0,59%) e Suzano (SUZB5, R$ 18,70, -1,16%) tiveram performance abaixo da média do mercado.  

Também vale ressaltar a queda das ações da Smiles (SMLE3, R$ 31,50, -6,11%), que ficaram com o pior desempenho do Ibovespa depois de quatro pregões de respiro. Os papéis da empresa de programa de fidelidade caíram 51% do dia 16 de julho (quando bateram a máxima histórica) até o fechamento da última segunda-feira (28), em um cenário de incertezas econômicas que abalam sua controlada Gol (GOLL4, R$ 3,75, +2,46%) e colocam dúvidas sobre os próximos trimestres da companhia.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN 7,82 +0,64 537,47M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 28,56 +2,11 461,38M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 23,17 +2,93 286,52M
 VALE5 VALE PNA 14,69 +1,59 223,63M
 BRFS3 BRF SA ON 71,32 -0,18 195,10M
 ITSA4 ITAUSA PN 7,59 +2,29 188,08M
 CIEL3 CIELO ON 38,40 -0,90 158,82M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 20,35 +1,45 158,77M
 PETR3 PETROBRAS ON 9,40 +2,73 156,84M
 JBSS3 JBS ON 16,80 -0,12 154,23M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Cenário externo
O dia foi de forte alta para as bolsas mundiais, que sustentam 4º dia de rali no exterior e dólar se enfraquece contra maioria das demais moedas ainda refletindo perspectiva de adiamento da alta dos juros do Federal Reserve após os dados de emprego. As commodities como petróleo e cobre se valorizam.

As bolsas europeias subiram forte, com principais índices ganhando entre 2,76% e 3,83%, ainda refletindo dados abaixo do previsto de emprego e pedidos às fábricas, divulgados na sexta. 

Os dados compilados pela Bloomberg mostram que mercado precifica mais de 50% de chances de alta da taxa do Fed apenas para março. Já para próximo FOMC, apostas são de apenas 8%. O economista-chefe da Allianz, Mohamed El-Erian vê 50%-50% de probabilidade de aumento em dezembro.

Além disso, dados também mostram crescimento fraco na Europa, apontando para potenciais novos estímulos pelo BCE. Em destaque, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, caiu para 53,6 em setembro, de 54,3 em agosto, segundo dados finais publicados hoje pela Markit Economics. O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires e também da prévia de setembro, que eram de 53,9 em ambos os casos.

No noticiário corporativo, as ações da trader de commodities e mineradora Glencore avançavam nesta segunda-feira com a esperança de investidores de que a empresa esteja levando adiante seus planos de cortar dívida com a venda de uma fatia em ativos de agricultura.

O preço da ação da Glencore caiu mais de 60% neste ano, afetado por um colapso dos preços globais de commodities durante o último ano e pelo nervosismo do mercado sobre a capacidade da mineradora de pagar sua pesada dívida.

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