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Ibovespa cai forte, dólar chega a R$ 4,21 e DIs disparam em meio a política e exterior

Mercado tem novo dia de "pânico" seguindo o after-market da última sessão; exterior fica de olho em fala de Yellen

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em baixa nesta quinta-feira (24), seguindo o movimento de pânico que se apoderou dos mercados de juros futuros depois do fechamento do último pregão. No cenário político, o relator das contas da presidente Dilma no TCU (Tribunal de Contas da União), Augusto Nardes, disse que o tribunal fará história. Enquanto isso, lá fora, as bolsas europeias e os futuros dos índices Dow Jones e S&P 500 recuam à espera do discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, que ocorrerá às 18h (horário de Brasília).

Às 10h29 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha queda de 1,96%, a 44.451 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial sobe 2,16% a R$ 4,2356 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para outubro tinha alta de 1,44% a R$ 4,252. Hoje, o Banco Central oferta 20.000 contratos de swap, após atuação ontem fracassar em impedir salto de 3,2% do câmbio. Segundo informações do Estado de S. Paulo, o presidente do BC, Alexandre Tombini, deixou por duas vezes sua reunião com membros da Fitch ontem para coordenar a estratégia de política cambial. De acordo com a Reuters, o governo não vai vender os dólares nas reservas internacionais para impedir a onda de depreciação do real.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 71 pontos-base, a 17,26%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registrava ganhos de 56 pbs, a 17,50%. Os limites de alta para os contratos DIs hoje são 17,27% no caso do DI para janeiro de 17 e 17,60% no caso do DI para janeiro de 2021.

Na agenda do dia, às 10 horas, a Comissão Mista de Orçamento realiza audiência pública para ouvir o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, sobre o cumprimento das metas fiscais. Enquanto isso, às 11 horas, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, dá entrevista sobre o Relatório Trimestral de Inflação.

Neste RTI, o BC mostrou que vê o cenário recessivo mais do que compensando impacto do câmbio na inflação. O BC elevou a previsão de IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao fim de 2016 de 4,8% para 5,3% no cenário de referência do RTI e vê IPCA em 4% no terceiro trimestre de 2017. O BC ainda vê convergência da inflação em 2016 apesar da deterioração agravada pelo downgradde, mas o documento cita preocupação maior de investidor com perspectiva fiscal. 

Entre os indicadores brasileiros, também foi divulgada agora às 9h a PME (Pesquisa Mensal do Emprego) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostrou um leve avanço da taxa de desemprego de 7,5% em julho para 7,6% em agosto deste ano. Em relação a agosto de 2014, a alta foi de 2,6%. Segundo a pesquisa Bloomberg, a mediana das expectativas dos economistas era de que a desocupação fosse para 7,7%.

Tensão política
A tensão no ambiente político cresceu, com reflexos no mercado, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acenou com a possibilidade de afastamento de Dilma baseado em atos do primeiro mandato, a partir de uma provável decisão do TCU sobre as contas do governo. Cunha respondeu à questão de ordem da oposição com o rito necessário para o processo e disse que deve despachar pedidos a partir próxima semana. 

Enquanto isso, o ex-presidente Lula aconselhou Dilma a adiar reforma ministerial e atender a pedidos do PMDB. Ele teria dito que é melhor perder ministérios do que a Presidência e a ideia é por nos ministérios quem tem voto e pode ajudar o governo no Congresso, de acordo com informações do Estado de S. Paulo. A Avaliação dos presidentes e líderes partidários é pessimista sobre a possibilidade da reforma ministerial resolver o problema de governabilidade.

Dilma cogita deixar de lado a fusão das Secretarias de Portos e Aviação Civil e deixar o PMDB com 6 pastas. Ela também ofereceu o Ministério das Comunicações ao PDT. 

Destaques de ações
As ações da Vale (VALE3, R$ 18,70, -1,06%; VALE5, R$ 14,79, -0,87%) registram mais um dia de queda, seguindo o cenário de maior aversão ao risco do mercado brasileiro e também em meio às preocupações com a economia chinesa. As preocupações de que um eventual aperto da política monetária dos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento da China possam afetar a economia global assustaram os investidores, particularmente aqueles que investiram em ações e commodities.   

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 SMLE3 SMILES ON 28,80 -7,40
 BRML3 BR MALLS PAR ON 9,99 -6,37
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 39,88 -4,46
 SBSP3 SABESP ON 15,00 -4,15
 ELET3 ELETROBRAS ON 4,88 -4,13

 

 

Quem também cai forte são as ações de bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 25,67, -2,77%), Bradesco (BBDC3, R$ 23,46, -3,46%; BBDC4, R$ 21,27, -3,01%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,32, -2,42%). Juntas, estas três instituições financeiras respondem por mais de 20% do peso da carteira teórica do Ibovespa. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,11 +0,98
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 19,40 +0,52
 BRKM5 BRASKEM PNA 16,38 +0,43
 USIM5 USIMINAS PNA 3,32 +0,30
 FIBR3 FIBRIA ON 57,96 +0,28


Cenário externo
As bolsas asiáticas tiveram baixa em sua maioria nesta quinta-feira diante das preocupações com a China e os Estados Unidos, o que aumenta a pressão sobre os ativos de risco. Os mercados mantêm cautela antes da fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, que pode dar mais sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária norte-americana.

As preocupações de que um eventual aperto da política monetária dos Estados Unidos e a desaceleração do crescimento da China possam afetar a economia global assustaram os investidores, particularmente aqueles que investiram em ações e commodities. As ações de Xangai reduziram os ganhos e fecharam as operações com alta de 0,89%, refletindo como a confiança do investidor na economia permanece instável.

O Nikkei do Japão, que teve operações nesta quinta-feira pela primeira vez na semana após uma sequência de feriados nacionais. As ações das montadoras japonesas caíram em uma reação tardia ao escândalo da Volkswagen. "Os investidores ficarão cautelosos por enquanto. Os mercados irão se tornar mais estáveis apenas quando as incertezas sobre a economia da China e a política monetária norte-americana diminuírem", disse o estrategista sênior da Mitsui Asset Management Masahiro Ichikawa.

As bolsas europeias também registram um dia de queda, com destaque para a baixa superior a 25 do alemão DAX, enquanto o francês CAC 40 registra uma queda de 1,6%. No noticiário corporativo, chama a atenção a recuperação das ações da Volkswagen de cerca de 7% em meio ao escândalo de fraudes nas emissões de poluentes, enquanto a BMW vê suas ações afundarem na bolsa hoje, chegando a ter baixa 8,6% após a revista Auto Bild dizer, em um relatório, que o modelo X3 da montadora alemã fraudou as emissões de forma semelhante à Volkswagen.

Entre os dados econômicos, boa notícia para a Alemanha: o ndice IFO clima de negócios na Alemanha superou as estimativas, mostrando resiliência da maior economia europeia.

 

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