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Sinal do Ibovespa é corrigido e índice cai 2% com política e Fed; dólar dispara a R$ 4,05

Cenário político e provável aumento de juros nos EUA antes do esperado pressionam o mercado brasileiro; dólar futuro já bate R$ 4,07 e registra maior valor da histórica

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve seu sinal normalizado depois de passar perto de meia hora com o sinal paralisado nesta terça-feira (22). O índice cai seguindo o desempenho das bolsas europeias e dos índices Dow Jones e S&P 500, que recuam forte em meio a declarações "hawkish" (agressivas) do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart. Os investidores também estão de olho no Congresso, que irá decidir à noite sobre os vetos da presidente Dilma Rousseff (PT) às medidas que aumentam gastos e podem inviabilizar o ajuste fiscal. 

Às 13h28 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 2,38%, a 45.482 pontos, segundo o sinal fornecido pela BM&FBovespa. Home Brokers e outras plataformas ainda ficaram com seus sinais desatualizados até às 12h30, mesmo depois da normalização no próprio site da BM&FBovespa e no InfoMoney às 11h10. 

Já o dólar comercial tem alta de 1,95% a R$ 4,0586, na venda, enquanto o dólar futuro para outubro tem alta de 1,71% a R$ 4,068. Para o Société Génerale, o dólar pode ir a R$ 5,00 se a crise política piorar. Hoje, o Banco Central fez leilão de 9.450 contratos de swap cambial para rolagem em outubro. A moeda norte-americana também se fortalecia intensamente contra as principais moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano. "Essas dificuldades que o governo enfrenta no Congresso deixam o país quase ingovernável do ponto de vista fiscal", disse o operador da corretora SLW, João Paulo de Gracia Correa.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 18 pontos-base a 15,80%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 28 pbs a 16,12%.

No cenário internacional, Lockhart falou ontem à tarde e sinalizou que os juros do Fed podem subir este ano. Lockhart volta a falar nesta terça. “O Fed está tentando acalmar o mercado, mas está tendo o efeito oposto”, diz Bernard Aw, estrategista da IG Asia Pte em Cingapura.

Na agenda do dia está marcada reunião do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com representantes da agência de classificação de risco, Fitch. O encontro ocorre em meio a rumores de que um rebaixamento do rating brasileiro pela agência pode sair a qualquer momento. 

Política
No cenário político brasileiro, Congresso Nacional decide à noite sobre vetos da presidente Dilma Rousseff ao reajuste de 78% do Judiciário, à correção de aposentadorias pelo mesmo índice do salário mínimo e à flexibilização do fator previdenciário. A queda dos vetos teria impacto de R$ 127,8 bilhões, segundo informações do Valor Econômico. Derrubar o veto de reajuste do Judiciário seria como acender fósforo em tanque de gasolina, teria dito ontem presidente da Câmara, Eduardo Cunha, segundo Agência Estado.

Contudo, após reunião no Palácio do Planalto, líderes da base aliada na Câmara dos Deputados manifestaram preocupação com a sessão do Congresso Nacional, marcada para apreciar vetos presidenciais nesta terça. Eles não descartaram a possibilidade de adiar novamente a votação, caso o governo corra o risco de perder a votação. Parte dos vetos da presidente Dilma Rousseff se refere a projetos que aumentam as contas públicas. De acordo com o líder do PSC na Câmara, Sílvio Costa (PE), se houver quórum, o governo correrá o "sério risco" de os vetos serem derrubados pelos deputados e senadores.

Indicadores
Entre os indicadores, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), subiu 0,39% entre agosto e setembro, contra estimativas de 0,38%. Anualizada, a inflação está em 9,57% contra expectativa de 9,56%.

Já na nota do setor externo do Banco Central, o Brasil teve déficit em transações correntes de 2,487 bilhões de dólares em agosto, acumulando em 12 meses um rombo equivalente a 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB). As estimativas do mercado eram de déficit de US$ 3,2 bilhões em agosto contra US$ 6,16 bilhões em julho. 

No mês, os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 5,246 bilhões, contra estimativa de US$ 3,4 bilhões em pesquisa Reuters com economistas. Já para a conta corrente, a expectativa era de um saldo negativo pior, de US$ 3,25 bilhões em agosto.

Destaques de ações
Entre as ações que compõem o índice, destaque para Petrobras (PETR3, R$ 8,33, -3,36%; PETR4, R$ 6,90, -5,48%) que recua e se aproxima dos R$ 6,00. Os papéis da estatal acompanham a forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional, que já supera 2%. A commodity cai como reflexo das preocupações dos investidores com o excesso de oferta. Os níveis dos estoques permanecem em níveis elevados. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 SMLE3 SMILES ON 29,72 -12,56
 KROT3 KROTON ON 7,43 -10,48
 OIBR4 OI PN 3,17 -10,45
 CSNA3 SID NACIONAL ON 5,12 -9,54
 USIM5 USIMINAS PNA 3,92 -7,98

 

 

As ações das educacionais caem hoje após notícia de que, em breve, o Fies pode ser alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), segundo informações da coluna Radar, da Veja. Cai Estácio (ESTC3, R$ 12,36, -4,92%), enquanto Kroton (KROT3, R$ 7,42, -10,60%) despenca. 

As blue chips do setor financeiro como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,55, -2,50%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,31, -3,38%; BBDC4, R$ 21,97, -2,83%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 15,82, -2,89%) operam em fortes baixas. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 FIBR3 FIBRIA ON 56,36 +3,24
 RENT3 LOCALIZA ON 23,35 +2,01
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 19,08 +1,49
 BRKM5 BRASKEM PNA 15,93 +1,40
 BRPR3 BR PROPERT ON 10,69 +0,56


As ações das exportadoras se "salvam" nesta sessão, com escalada do dólar, que já supera o patamar de R$ 4,00 pela primeira vez. Entre as poucas altas do Ibovespa, aparecem as ações das empresas de papel e celulose Fibria (
FIBR3, R$ 56,37, +3,26%) e Suzano (SUZB5, R$ 19,08,+1,49%).  

Cenário externo
As bolsas asiáticas subiram nesta terça-feira, acompanhando as altas de Wall Street de segunda-feira, apesar do principal índice regional estar em queda.

O índice Nikkei do Japão permanece fechado até quarta-feira. Os mercados ganharam ânimo com a alta de 1,9% das ações chinesas na segunda-feira, escreveu em nota o estrategista-chefe de câmbio do Commonwealth Bank of Australia, Richard Grace. Xangai avançou 0,94% e Hang Seng teve alta de 0,18%.

As ações chinesas estenderam seus ganhos nesta terça-feira, com o CSI300 com alta de 0,93% e o índice de Xangai com ganho de 0,94%. "Mas não vai demorar muito para parte desse otimismo ser abalado se o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de setembro da China, a ser divulgado na quarta-feira, estiver em baixa", acrescentou Grace.

Hoje, em entrevista ao WSJ, o presidente da China, Xi Jinping, defendeu a forma como seu governo tem conduzido a segunda maior economia do mundo e disse que a desaceleração do país e flutuações nos mercados financeiros não vão deter as reformas que precisam ser feitas. Xi Jinping disse que a recente intervenção do governo nos mercados foi necessária para "desarmar riscos sistêmicos". Segundo Xi, o resgate foi semelhante a medidas tomadas por governos em "alguns mercados estrangeiros maduros".

As bolsas europeias, enquanto isso, têm um dia de forte queda, de olho nas ações da Volkswagen, que registra mais uma baixa de cerca de 20%. A gigante alemã Volkswagen reconheceu ter equipado modelos a diesel nos Estados Unidos com um software que falsificava dados de emissões poluentes. O alemão DAX tem queda de 2,80%, enquanto o francês CAC 40 cai mais de 3%.

Hoje, a companhia afirmou que fará uma provisão de 6,5 bilhões de euros (US$ 7,3 bilhões) no terceiro trimestre.

 

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