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Ibovespa consolida queda com peso de incerteza política; dólar chega a R$ 4,00

Índice opera em queda depois do Futuro ameaçar uma recuperação pós-rumor de rebaixamento da Fitch

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (21) depois de passar a maior parte da sessão entre perdas e ganhos. Além do cenário político, com investidores preocupados com o envio das medidas do "pacotão" do ajuste fiscal, as notícias de que a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) deve ser elevada para 7% também ficam no radar dos investidores. A queda se acentuou depois do vencimento de opções sobre ações, que movimentou R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1,02 bilhão em opções de compra e R$ 1,28 bilhão em opções de venda. 

Às 15h10 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha queda de 1,24%, a 46.678 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,99% a R$ 3,9975 na venda, enquanto o dólar futuro para outubro registrava ganhos depois de abrir em queda, subindo 1,12% a R$ 4,007. No radar, o Banco Central oferta um leilão de linha após o câmbio bater R$ 3,96 na sexta-feira. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 26 pontos-base a 15,68%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 20 pbs a 15,67%.

Lá fora continua a incerteza sobre a economia global após a decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) de adiar a alta dos juros nos Estados Unidos na semana passada. As bolsas europeias subiram, mas os índices Dow Jones e S&P 500 passam a amenizar ganhos. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que a alta dos juros nos EUA foi adiada porque os riscos aumentaram, mas manteve em aberto uma elevação em outubro. Lockhart afirmou que a preocupação não é sobre os mercados propriamente ditos, mas sim com o fato de que "a volatilidade pode ser um sintoma de mais problemas fundamentais", explica.

Dia de queda por cenário político
Segundo Ari Santos, trader da H. Commcor, o cenário político e a deflagração de mais uma fase da Operação Lava Jato, criam volatilidade que deve durar um bom tempo do pregão e impedem a Bolsa de ter uma correção frente às perdas recentes. Da mesma opinião é o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, que vê possibilidade de ficar claro já esta semana que o Planalto não tem governabilidade para fazer o ajuste fiscal. A presidente Dilma encaminha proposta da CPMF ao Congresso hoje.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve decidir sobre o pedido de impeachment feito pelo fundador do PT, Hélio Bicudo, no final de outubro, de acordo com informações da Veja. A análise, segundo a reportagem, deve começar pelos pedidos mais frágeis.

Enquanto isso, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pediria para Cunha segurar os pedidos. As informações do Valor Econômico são de que Lula estaria assumindo a interlocução com o PMDB por ora.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,55% para uma de 2,70%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,34% este ano. A maior revisão, contudo, ficou por conta do câmbio para o fim de 2016. As expectativas subiram de R$ 3,80 para R$ 4,00 no período.

Destaques da Bolsa
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,96, +0,25%; VALE5, R$ 15,67, -0,76%) viram para queda em dia de baixa dos preços do minério de ferro e relatório mais pessimista do Credit Suisse. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,96, -1,41%), holding que detém participação na Vale, além da siderúrgica Usiminas (USIM5, R$ 4,34, -1,14%). 

O banco suíço cortou em 12% a projeção do Ebitda da Vale para 2017. Segundo o relatório, os resultados da mineradora de 2016 e 2017 serão "desafiadores". Nesta segunda-feira, o preço do minério do porto de Qingdao, na China, recuou 0,67%, para US$ 57,30 a tonelada. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 OIBR4 OI PN 3,51 -9,07
 GOLL4 GOL PN N2 4,20 -7,89
 SMLE3 SMILES ON 33,98 -7,11
 CCRO3 CCR SA ON 11,92 -4,64
 KROT3 KROTON ON 8,22 -4,53

 

 

Já as ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,72, -2,13%; PETR4, R$ 7,37, -3,03%) operam entre perdas e ganhos apesar da alta dos preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo Brent para dezembro sobe 1,76%, a US$ 49,08 o barril.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 BRKM5 BRASKEM PNA 15,88 +2,98
 LREN3 LOJAS RENNER ON 98,97 +2,22
 RENT3 LOCALIZA ON 22,85 +2,10
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,36 +2,10
 FIBR3 FIBRIA ON 54,31 +1,61

 

As ações de bancos consolidam queda após um início volátil de sessão. Caem Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 27,28, -2,05%) e Bradesco (BBDC3, R$ 24,84, -3,08%; BBDC4, R$ 22,58, -3,21%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,47, -2,14%). 

Entre as quedas também está a Oi (OIBR4, R$ 3,52, -8,81%). A companhia contratou o banco Rothschild para reestruturar sua dívida, segundo informações da Veja. Do dia 9 de setembro até a sexta-feira passada, os papéis da companhia dispararam 56%, em um movimento que operadores atribuíram a "short squeeze" (pressão de vendidos), em meio à crescente demanda pelo aluguel do papel e falta de doadores no mercado.

Cenário externo
As bolsas asiáticas caíram nesta segunda-feira após a decisão do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, de manter a taxa de juros em mínima histórica levantar novas preocupações com o crescimento global, particularmente na China. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, falará sobre economia às 14h. 

A China foi o único mercado asiático a desafiar a tendência de baixa, com o índice de Xangai tendo alta de 1,91% e o CSI300 com ganho de 1,75%.

Investidores vão se focar nas leituras preliminares do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a indústria da China e da zona do euro na quarta-feira para avaliar para onde a economia global está caminhando. "Parece uma continuação das preocupações com o crescimento que prejudicaram os mercados nos últimos meses", disse o chefe de estratégia de investimento da AMP Capital, Shane Oliver.

Em destaque ainda, estão as bolsas gregas. As ações gregas recuavam nesta segunda-feira depois da vitória do partido Syriza nas eleições nacionais e os rendimentos dos papéis do governo avançavam levemente conforme as atenções se voltavam para a formação de um novo gabinete e a implementação do terceiro resgate do país.

Na eleição de domingo, os eleitores deram a Alexis Tsipras e seu partido de esquerda uma segunda chance para levar a economia à recuperação, apesar de sua dramática virada em relação ao resgate internacional. A bolsa grega, com perdas de 15,6 por cento até agora no ano, apresentou uma recuperação de quase 22 pro cento antes da votação, após atingir mínima de 568 pontos em 24 de agosto. Nesta segunda-feira, a bolsa operava em baixa de 0,6 por cento, com os papéis de bancos tendo desempenho pior, recuo de 3,3 por cento.

No noticiário alemão, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) do país caiu 0,5% em agosto ante julho e teve queda de 1,7% na comparação anual, segundo dados publicados hoje pela agência de estatísticas do país, a Destatis. Os números indicam recuos mais fortes nos preços de porta de fábrica do que o esperado. Analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam declínio mensal de 0,3% e redução anual de 1,6%.

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