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Bolsa volta a operar em queda em dia de Fomc e "guinada de Lula"; dólar sobe a R$ 3,91

Mercado fica de olho em reunião de decisão de juros nos EUA ao mesmo tempo em que questão política preocupa no Brasil depois de Lula criticar o ajuste fiscal e propor um governo sem Levy e Tombini

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa volta a operar em queda nesta quinta-feira (17), depois de zerar perdas com o desempenho de Vale, bancos e siderúrgicas. No radar fica a espera da decisão de juros do Fomc (Federal Open Market Committee) nos Estados Unidos. No ambiente político, o novo arranjo do governo fica no radar, ao mesmo tempo em que causam algum mal estar as declarações do ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, contra o ajuste fiscal.

Às 12h13 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha queda de 0,17%, a 48.472 pontos. Já o dólar comercial sobe 1,34% a R$ 3,8854 na venda, ao passo que o dólar futuro para outubro sobe 1,27% a R$ 3,898. Nos EUA, os índices Dow Jones e S&P 500 operavam entre perdas e ganhos com leves altas de 0,10% a 16.757 pontos e de 0,08% a 1.997 pontos, cada um. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 18 pontos-base, a 15,18%, enquanto o DI para janeiro de 2021 tinha alta de 24 pbs a 15,25%. 

O analista da consultoria WhatsCall, Flávio Conde, disse que o que mais pesa no mercado hoje é realmente a tensão política, que foi deixada de lado nos últimos dois dias, segundo ele, por conta dos rumores envolvendo Mercadante e da alta do petróleo, que disparou mais de 5% na última sessão. "O problema não é só o Mercadante, o pacote fiscal vai diminuindo a cada dia e pode ser menor do que o imaginado. Isso fora que a CPMF muito provavelmente não será aprovada", explica. 

Para Conde, as falas de Lula hoje deram mais um motivo para o mercado acreditar que o ajuste não será bem sucedido, apesar de ressaltar que o ex-presidente é conhecido por dar declarações aparentemente contraditórias em um curto espaço de tempo. "Isso é uma coisa histórica dele, mas o mercado queria mais um motivo para justificar um movimento negativo", avalia. 

Na sua avaliação, o dólar irá para R$ 4,00 nos próximos dias e um rebaixamento da nota do Brasil pela Moody's ou pela Fitch, tirando o grau de investimento do País, deve ficar no radar. 

Cenário político
Notícia do Valor Pro da quarta-feira foi de que o ministro seria substituído pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, mas o colunista do G1, Gerson Camarotti, disse hoje que Dilma manterá Mercadante e colocará o petista Ricardo Berzoini na coordenação política.

Já o Instituto Lula e o PT formulam nova política econômica, abandonando ajuste e baixando juros para influenciar eleição de 2018. Neste novo ordenamento, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, seriam substituídos. Lula vai a Brasília hoje e deve encontrar Dilma.

Ao mesmo tempo, Levy teria dito a interlocutor que não aquenta mais ser contrariado. O ministro teria defendido medidas que não foram acatadas por Dilma no último pacote. Ele e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, têm encontro reservado na Comissão Mista do Orçamento para explicar as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo. 

Nos bastidores, Levy defendeu uma reforma na Previdência. A interlocutores, o ministro Levy tem sinalizado a urgência de o governo tomar posição e apresentar a reforma atrelada diretamente ao novo imposto do cheque, batizado desta vez de CPPrev. O ministro da Fazenda também disse que um eventual reajuste da Cide, tributo cobrado sobre os combustíveis, é impossível neste momento. 

Pacote fiscal cada vez menor
Em menos de uma semana após ser anunciado, o pacote fiscal já deve ter pontos cruciais alterados na proposta. O Planalto recuou, por exemplo, na suspensão do reajuste do funcionalismo, no direcionamento das emendas parlamentares e na diminuição de recursos do Sistema S.

Abrir mão dessas medidas pode diminuir em até R$ 14,6 bilhões a meta dos cortes, estimada em R$ 26 bilhões. O passo atrás do Executivo na negociação com o Congresso também pode comprometer outros R$ 6 bilhões dos R$ 45,6 bilhões previstos como elevação de receita. O governo aceita ainda discutir a redução do prazo de vigência da CPMF. A duração, segundo fontes, não está definida.

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,35, -1,37%; PETR4, R$ 7,96, -2,21%) caíam forte em meio à notícia da renúncia do presidente da sua divisão de distribuição de combustíveis, a BR Distribuidora. José Lima de Andrade Neto apresentou sua renúncia nesta quarta-feira (16). Segundo a estatal, saída ocorreu por motivos de saúde. O diretor financeiro da companhia, Carlos Alberto Tessarollo, permanece na presidência da empresa em caráter interino. Ele já ocupava o cargo cobrindo as férias de José Lima.

A saída ocorreu ao mesmo tempo em que o presidente do conselho de administração da estatal, Murilo Ferreira, entra de licença em meio a rumores de que sua relação com o presidente da petroleira, Aldemir Bendine, está fragilizada. 

Quem também opera em queda são bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,81, -0,62%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,79, -0,85%; BBDC4, R$ 24,56, -0,73%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,88, -1,92%). 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 SMLE3 SMILES ON 37,11 -4,11
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 61,19 -2,75
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,10 -2,71
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,58 -2,53
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 42,32 -2,42

 

 

As ações da Vale (VALE3, R$ 19,54, +2,63%; VALE5, R$ 15,49, +2,31%), viravam para alta depois de abrirem em forte queda. No radar da companhia, o minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em alta de 0,28%, a US$ 57,37.

Enquanto isso, as ações das siderúrgicas passam a operar entre perdas e ganhos. No noticiário das companhias, segundo o Valor, a Usiminas (USIM5, R$ 4,42, -0,23%) vai aplicar reajuste de 5% a 7% nos preços de aço fabricado pela companhia - que envolverá toda a linha de produtos. A estimativa é que atinja 60% da carteira da companhia. Ficarão de fora as montadoras de veículos e outros grandes clientes (com contratos anuais). Desde o dia 25 de agosto, as ações da companhia subiram 64%, em meio às expectativas pelo reajuste. No mesmo caminho, os papéis da CSN (CSNA3, R$ 5,25, +1,94%) e Gerdau (GGBR4, R$ 6,41, -1,08%) avançaram 84% e 42%, respectivamente.

A expectativa é que CSN e ArcelorMittal sigam o mesmo caminho de Usiminas, nos mesmos níveis. A Gerdau já aplicou alta de 7% a 8% este mês para laminado a quente. Os reajustes da Usiminas são necessários, conforme fontes, para reforçar seu resultado financeiro. A expectativa é que a companhia terá um resultado bem fraco no terceiro trimestre.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 OIBR4 OI PN 3,77 +7,71
 VALE3 VALE ON 19,54 +2,63
 FIBR3 FIBRIA ON 54,16 +2,60
 NATU3 NATURA ON 21,28 +2,36
 VALE5 VALE PNA 15,49 +2,31


As ações da Oi (
OIBR4, R$ 3,77, +7,71%) seguem em disparada pelo quinto pregão, acumulando no período alta de 45%. Operadores de mercado comentam que o movimento é devido a um "short squeeze" com o papel. Isto é, sem doadores no BTC, investidores que estão na ponta vendedora precisam zerar sua posição, destravando esse movimento. Segundo a mesa de BTC da XP Investimentos, o "recall" (quando o doador pede a ação emprestada de volta) tem sido crescente com as ações preferenciais da empresa e não há doadores no mercado.

Operadores atribuem a falta de doadores à proposta da companhia de conversão voluntária de ações preferenciais em ordinárias. O prazo para que detentores de ações preferenciais solicitem a conversão já teve início e vai até 1° de outubro. A conversão se dará na proporção de 0,9211 ação ON para cada ação PN. 

Cenário externo
As bolsas de valores da China recuaram mais de 2% nesta quinta-feira, com uma forte queda nos últimos 30 minutos de pregão revertendo os ganhos de mais cedo, o que revela a fragilidade da confiança dos investidores diante do aprofundamento da ofensiva anticorrupção de Pequim sobre o setor financeiro. Enquanto isso, o mercado segue na expectativa pela decisão do Federal Reserve, que acontece nesta quinta-feira e pode dar sinais sobre uma alta de juros.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 2,18% para 3.236 pontos, enquanto o índice de Xangai teve queda de 2,08%, para 3.086 pontos.

Na quarta-feira, a China anunciou investigação envolvendo o presidente assistente do regulador de valores mobiliários, um dia após a CITIC Securities dizer que muitos executivos de alto escalão, incluindo seu gerente geral, estavam sendo investigados.

"O combate à corrupção é bom para o mercado no longo prazo", disse Samuel Chien, um sócio do gestor de fundos de hedge BoomTrend Investment Management. "Mas no curto prazo, o mercado vai provavelmente vai oscilar conforme os investidores observam o que virá a seguir." Por outro lado, o dia foi de alta para o índice Nikkei, do Japão, com alta de 1,43%.

As bolsas europeias, enquanto isso, oscilam entre perdas e ganhos, também de olho na reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). No noticiário econômico da região, destaque para o boletim do BCE (Banco Central Europeu), afirmando que cresceram os riscos de que o crescimento da zona do euro e a inflação fiquem abaixo das expectativas, mas é cedo demais para concluir se isso coloca em xeque o cenário para a inflação no médio prazo.

O crescimento continuará na zona do euro, embora a um ritmo mais fraco do que projetado anteriormente e o BCE está pronto para agir para garantir uma trajetória sustentável da inflação na direção de seu objetivo de médio prazo de pouco abaixo de 2%, completou o boletim.

 

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