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Exterior e impostos fazem Bolsa subir; dólar e DIs caem com leilão do Banco Central

Semana de ata do Copom começa positiva para o mercado em meio a melhora no cenário externo com crescimento maior que o esperado da economia da zona do euro

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa sobe nesta terça-feira (8), volta de feriado aqui e nos Estados Unidos, em meio a melhora no cenário externo. No noticiário macro, a China conseguiu dar alguma estabilidade ao seu mercado com o anúncio de medidas como a introdução do circuit break e a isenção de impostos para dividendos de investidores a longo prazo. Isso ofuscou as notícias de queda nas importações da segunda maior economia do mundo. Por aqui, ficam no radar as possibilidades aumentos provisórios de impostos sem passar pelo Congresso. Um aumento da Cide sobre os combustíveis, por exemplo, pode render R$ 12 bilhões ao governo. 

Às 13h17 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 0,83%, a 46.885 pontos. Já o dólar comercial tem queda de 1,13% a R$ 3,8086 na venda, enquanto o câmbio futuro para outubro cai 1,15% a R$ 3,840. Depois do câmbio bater R$ 3,84 na sexta, o Banco Central faz leilão de linha de até US$ 3 bilhões. Quem seguia o desempenho da moeda eram os futuros de DI. O contrato para janeiro de 2017 recua 21 pontos-base, a 14,84%, ao mesmo tempo em que o contrato para janeiro de 2021 cai 25 pbs a 14,71%. 

Os índices Dow Jones e S&P 500 sobem 1,82% a 16.395 pontos, e 1,76% a 1.955 pontos.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 foi de uma retração de 2,26% para uma de 2,44%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,29% este ano.

Vale lembrar que na quinta-feira (10) será divulgada a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que manteve a taxa de juros Selic inalterada em 14,25% ao ano, mostrando uma preocupação com o crescimento mesmo com a inflação acima de 9%. Ainda fica no radar a possibilidade maior de corte de rating do País devido ao déficit projetado para o Orçamento do governo em 2016 e às conversas sobre a não permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no cargo. Na quinta também será divulgado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Política
Dentro do ajuste fiscal, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante disse que o governo precisa aumentar impostos provisoriamente. O ministro credita grande parte da crise à economia mundial e reconhece excesso na política anticíclica. "Vamos lutar para cumprir a meta de superávit de 0,7% do PIB em 2016", disse.

Além disso, no 7 de setembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) não fez o tradicional pronunciamento na TV, mas discursou nas redes sociais e admitiu (à sua maneira) a culpa do governo na crise. “Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los. É minha responsabilidade apresentar caminhos e soluções”, afirmou. Dilma também disse que o Brasil precisa de alguns ’’remédios amargos’’, porém ’’indispensáveis’’, embora ressalte que não abre mão da “alma e do caráter” do seu governo, com oportunidades iguais para população.

Já o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), disse que não manobra para assumir o cargo de Dilma. "Se eu quisesse ocupar o lugar de Dilma, teria agido subterraneamente". Na semana passada, Temer afirmou que ela não aguentaria até o fim do mandado com 7% de popularidade.

Destaques de ações
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,15, +2,53%; PETR4, R$ 8,71, +2,35%) operavam em alta. No noticiário da estatal, o governo estuda elevar alguns tributos, e os estudos mais avançados no Ministério da Fazenda são o que envolvem a alta da Cide-Combustíveis, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast. Um aumento da Cide dos atuais R$ 0,22 por litro para algo em torno de R$ 0,60 representaria uma arrecadação extra para a União de cerca de R$ 12 bilhões. O aumento menor para R$ 0,40 é outra opção em estudo.

Além disso, fica no radar a espera pela greve da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que está aguardando o melhor momento para deflagrar a paralisação em todas as unidades da estatal, anunciada na semana passada. Os sindicalistas aguardam a oportunidade em que a paralisação, em plataformas, refinarias e terminais, provoque prejuízo à estatal. Segundo o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, o movimento poderá ser deflagrado a qualquer momento.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 USIM5 USIMINAS PNA 3,78 +9,25
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,35 +7,94
 GOLL4 GOL PN N2 4,68 +4,23
 BRAP4 BRADESPAR PN 10,05 +4,15
 VALE5 VALE PNA 15,34 +4,14

 

 

Os papéis da Vale (VALE3, R$ 18,96, +3,95%; VALE5, R$ 15,34, +4,14%) sobem diante do desempenho do minério de ferro. A commodity spot com entrega no porto de Qingdao subiu 1% a US$ 57,42. 

Também registram ganhos os papéis de siderúrgicas como CSN (CSNA3, R$ 4,35, +7,94%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,20, +2,14%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,65, +3,11%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,78, +9,25%). De acordo com informações do jornal Valor, os representantes das principais fabricantes de aço do País estiveram com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em busca de medidas para enfrentar a crise.

Participaram do encontro, que durou mais de uma hora e meia, os empresários Jorge Gerdau e Benjamin Steinbruch (CSN), o principal executivo da ArceloMittal e também presidente do conselho do Instituto Aço Brasil, Benjamin Baptista, o presidente-executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, Rômel de Souza, que preside a Usiminas, André B. Gerdau Johannpeter, da Gerdau. Os representantes do setor destacaram que a situação precisa de medidas emergenciais, sem tempo para espera de grandes mudanças e efeitos do ajuste fiscal. Isso embora apoiem o ministro em seu plano de ajuste das contas nacionais.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 CCRO3 CCR SA ON 13,24 -5,77
 QUAL3 QUALICORP ON 16,29 -4,40
 CMIG4 CEMIG PN 7,15 -3,77
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,15 -3,76
 ELET6 ELETROBRAS PNB 8,16 -3,32

 

Também cai a CCR (CCRO3, R$ 13,24, -5,77%). O governo do Estado de São Paulo já estuda relicitar a exploração do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, atualmente à cargo da concessionária CCR AutoBan. Segundo relatório da equipe de análise da XP Investimentos, a decisão foi tomada em razão do juiz da 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, Luis Manuel Fonseca Pires, ter acolhido os argumentos do governo paulista e da Artesp, anulando o termo aditivo do contrato de concessão, firmado em 21 de dezembro de 2006 com a CCR AutoBan, que aumentou o prazo de concessão de 2018 para 2026.

Cenário externo
As bolsas chinesas subiram quase 3% nesta terça-feira à medida que uma onda de compras no final da sessão ajudaram a eliminar perdas de mais cedo, mas os negócios nos mercados de ações e de índices futuros encolheram drasticamente na sequência de uma série de medidas do governo destinadas a reduzir a atividade especulativa.

Na segunda-feira, a China disse que removerá o imposto sobre ganhos com dividendos para investidores que mantiverem ações por mais de um ano em um esforço para encorajar investimentos de longo prazo. O anúncio veio horas após reguladores proporem a introdução de um "circuit breaker" no índice de referência chinês CSI300 para ajudar a estabilizar o mercado. Isso ocorre junto com as medidas que Pequim já introduziu para restringir as operações com índices futuros e opções.

Por outro lado, o dia foi de queda para o Nikkei, de 2,43%, com as exportações de aço da China ficando inalteradas em agosto na comparação com julho, em 9,73 milhões de toneladas, mostraram dados de alfândega divulgados nesta terça-feira. Por outro lado, as importações recuaram 13,8%. Houve queda nas compras de minério de ferro (-14% em agosto ante igual mês do ano anterior), produtos de aço (-9,6%), e petróleo bruto (-13%). Já as importações de cobre permaneceram estáveis. 

Enquanto isso, a economia do Japão encolheu a uma taxa anualizada de 1,2% entre abril e junho, ante uma estimativa inicial de contração de 1,6%, mostraram dados revisados do Produto Interno Bruto (PIB) japonês nesta terça-feira (horário local). A previsão mediana do mercado era de uma contração de 1,8 por cento.

As bolsas europeias sobem cerca de 2%, apesar da sessão volátil na Ásia. Entre os dados econômicos, a economia da zona do euro cresceu mais rapidamente do que o esperado no segundo trimestre, segundo dados divulgados nesta terça-feira, principalmente devido ao crescimento mais rápido na Itália e na Grécia. A Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, informou que o Produto Interno Bruto (PIB) nos 19 países que compartilham o euro cresceu 0,4% na comparação trimestral no período de abril a junho, para uma alta de 1,5% na base anual. Os mercados futuros norte-americanos também sobem, com os principais índices em alta de cerca de 2%.

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