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Fitch coloca rating em xeque e Ibovespa acelera perdas; dólar e DIs sobem

Índice volta a registrar perdas em meio a cenário negativo tanto aqui como lá fora

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (1) pressionado pelo Orçamento do governo anunciado ontem, que prevê um déficit de R$ 30,5 bilhões em 2016. Com isso, a agência de classificação de risco Fitch disse que o dado mostra dificuldades no País, o que foi entendido como um sinal de que a agência pode cortar o rating do País em breve. Além disso, hoje a China decepcionou novamente ao mostrar fraqueza nos seus PMIs (Índices Gerentes de Compras) de manufaturas e serviços. No caso do índice industrial, houve uma queda para o menor patamar em 3 anos. 

Às 12h55 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira recuava 2,05% a 45.668 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial sobe 1,18% a R$ 3,6699, enquanto o dólar futuro para outubro subia 1,30% a R$ 3,705. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 sobe 8 pontos-base a 14,29% ao passo que o DI para janeiro de 2021 tem alta de 8 pbs a 14,18%.  

O mercado repercute hoje uma possível de perda do grau de investimento depois do déficit do governo. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estaria desconfortável diante da falta de apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) aos cortes de gastos e não respondeu a pergunta sobre se continuaria no governo. É preciso que duas rebaixem o rating abaixo do investment grade para que haja de fato a perda, que reduz bruscamente os investimentos estrangeiros no País, já que muitos fundos só podem investir em países com grau de investimento. 

Destaques de ações
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,16, -4,33%; PETR4, R$ 8,76, -4,68%) têm queda forte. No mesmo momento, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), negociado no Texas, recuava 7,40%, a US$ 45,57, enquanto o Brent registrava baixa de 7,33%, a US$ 51,71. "Boa parte da queda deve-se a posição de cobertura vendida", disse Ben Le Brun, analista de mercado da Sydney's OptionsXpress. Nos últimos três dias, o petróleo WTI subiu 27,5% - o maior ganho nesse período desde agosto de 1990. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 SMLE3 SMILES ON 43,10 -9,91
 TIMP3 TIM PART S/A ON 8,34 -5,23
 GFSA3 GAFISA ON 2,17 -4,82
 CYRE3 CYRELA REALT ON 8,00 -4,76
 PETR4 PETROBRAS PN 8,76 -4,68

 

 

Os papéis dos bancos seguem o sentimento negativo do mercado dos últimos dias e recuam quase 2% hoje. Todos os grandes bancos caíam nesta sessão: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,08, -1,71%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,48, -2,74%; BBDC4, R$ 22,35, -3,04%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,45, -2,13%) e Santander (SANB11, R$ 14,13, -2,08%).

As ações da Smiles (SMLE3, R$ 42,97, -10,18%) voltam a cair forte na Bolsa, pressionadas pela alta do dólar. A valorização da moeda americana traz efeitos negativos para a empresa, já que encarece as viagens e torna mais difícil os resgates de milhas aéreas. Da máxima intradiária atingida dia 13 de agosto para cá, as ações da companhia já caíram 21% no mercado.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 GGBR4 GERDAU PN EJ 5,45 +3,81
 GOAU4 GERDAU MET PN ED 3,12 +3,65
 MRFG3 MARFRIG ON 6,55 +2,34
 BRKM5 BRASKEM PNA 14,39 +2,27
 POMO4 MARCOPOLO PN N2 2,04 +2,00

 

Do lado das altas sobem apenas as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 5,44 +3,62%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,13, +3,99%). 

Também sobem os papéis da Braskem (BRKM5, R$ 14,36, +2,06%). A companhia comunicou nesta manhã que está finalizada com a Petrobras a celebração de um novo aditivo contratual de curto prazo para fornecimento de nafta petroquímica e, nesse contexto, a administração da empresa disse que não prevê interrupção nas suas operações. 

Cenário externo
O dia volta a ser de queda para os principais mercados globais, com os índices futuros norte-americanos e as bolsas europeias em queda de cerca de 2% na primeira sessão de setembro (1). Em destaque, estiveram os números ruins da economia chinesa, que aumentam os temores sobre o crescimento do gigante asiático. As bolsas asiáticas ampliaram as perdas nesta terça-feira depois que duas pesquisas mostraram que o setor industrial da China está passando pela pior desaceleração em vários anos, levantando novas questões sobre a saúde de sua economia.

Separadamente, o PMI de atividade industrial da Caixin/Markit registrou leitura final de 47,3 em agosto, a menor desde março de 2009. "Estes resultados reforçam as expectativas de continuidade da desaceleração do PIB chinês neste trimestre e de um fraco desempenho do mercado de commodities. Além disso,  manterão em alta as preocupações dos investidores com as economias emergentes, que são grandes exportadores de commodities", afirma a LCA Consultores. 

"Recentes volatilidades nos mercados financeiros globais podem pesar sobre a economia real, e uma perspectiva pessimista pode se autoconcretizar", disse o economista-chefe da Caixin Insight Group, He Fan. Os dados econômicos chineses acabaram afetando com força o desempenho da bolsa japonesa, com o Nikkei caindo 3,84%. Já Xangai caiu 1,28% e Hang Seng teve baixa de 2,24%. 

Destaque ainda para a fala da diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, de que que o Fundo espera que o crescimento econômico global se enfraqueça e que a Ásia está sujeita a desacelerar ainda mais em função da recente volatilidade nos mercados financeiros, embora a região deva liderar o resultado mundial. Entre as commodities, o minério de ferro registra alta de 0,67%, a US$ 56,59 a tonelada. Enquanto isso, o petróleo registra queda, com o brent em baixa de cerca de 2,49%, a US$ 52,80.

Destaque ainda para os dados econômicos da zona do euro.  O crescimento industrial da zona do euro desacelerou em agosto, apesar do leve aumento dos preços das fábricas, ampliando as preocupações do Banco Central Europeu (BCE) no momento em que busca impulsionar a inflação e a expansão, mostrou o PMI. O PMI final de indústria do Markit atingiu 52,3 no mês passado, abaixo da preliminar que havia sugerido estabilidade ante os 52,4 de julho. O índice está, entretanto, acima da marca de 50 que separa crescimento de contração há mais de dois anos.

Já a  taxa de desemprego da zona do euro caiu para 10,9% em julho, de 11,1% em junho, atingindo o menor nível desde fevereiro de 2012, segundo a Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia. O resultado surpreendeu analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam estabilidade na taxa.

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