Em mercados / acoes-e-indices

Bolsa segue EUA e ameniza perdas após pânico na China; dólar sobe a máxima em 12 anos

Ações asiáticas causam furacão de pânico nos mercados globais nesta manhã em meio a espiral de desvalorização do yuan e volatilidade no mercado

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Depois de desabar 6,5% na mínima do dia, o Ibovespa passa por recuperação e recua às 15h32 (horário de Brasília) 2,38%, a 44.631 pontos, seguindo o movimento das bolsas americanas, que também amenizam as perdas.

Passada a primeira hora de negociação no mercado, caracterizada pelo pânico, que levou o índice a desabar com investidores zerando posições, o mercado começa a se ajustar um pouco nessa tarde. "Depois de zerada muitas operações, alguns papéis começam a ficar atrativos, principalmente em relação ao dólar que subiu bastante, trazendo novamente investidores à Bolsa, mas nada impede de termos um fechamento ainda pior dado a grande volatilidade vista nos mercados hoje", comentou o gerente de mesa da Bovespa da H.Commcor, Ari Santos.  

 Neste momento, o dólar comercial subia 1,67% a R$ 3,5545 na venda, ao passo que o dólar futuro para setembro avançava 1,58% a 3.565 pontos. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 amenizava a alta e subia 15 pontos-base a 14,04%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 sobe 14 pbs a 13,86%. Os índices norte-americanos Dow Jones e S&P 500 recuavam 2,34% e 2,68% respectivamente, a 16.075 pontos e 1.918 pontos. 

O ajuste do mercado nesta tarde ocorre também em meio à percepção de alguns agentes do mercado de que o Federal Reserve pode demorar ainda mais para elevar os juros. Citando piora econômica, o Barclays alterou sua projeções de alta dos juros nos Estados Unidos de setembro deste ano para março de 2016. 

O que repercutiu mais cedo
As fortes desvalorizações do yuan trouxeram indefinição ao cenário global e fizeram com que a bolsa de Xangai despencasse 8,46%. No fim de semana, o governo chinês ainda disse que vai permitir a fundos de pensão que comprem ações. A especulação sobre corte de compulsórios para estimular a economia não se confirmou. Ao mesmo tempo, as cotações de commodities recuam às mínimas em 16 anos. No cenário interno o mercado avalia os desdobramentos da crise política depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, pediu a investigação da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). 

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 2,01% para uma de 2,06%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções caíram de 9,32% para 9,29%.

Dia de sell-off
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,91, -3,15%PETR4, R$ 7,94, -4,34%) afundavam em meio à derrocada do petróleo, com o barril do Brent recuando 4,11% a US$ 43,59. No noticiário da estatal, a companhia desativou a unidade de craqueamento catalítico fluido (FCCU, na sigla em inglês) com capacidade de produção de 56 mil barris por dia de gasolina na refinaria de Pasadena, Texas, Estados Unidos, com capacidade para 100 mil barris por dia, após um incêndio durante a noite de domingo, afirmaram fontes familiarizadas com as operações da fábrica. 

Ao mesmo tempo, os papéis da Vale (VALE3, R$ 15,62, -6,47%VALE5, R$ 12,47, -7,29%) despencam, com o minério de ferro spot com 62% de pureza no porto de Qingdao afundando 5,03% a US$ 53,28 a tonelada.

Com o ajuste do mercado, os papéis dos bancos também têm alívio nesta tarde, acompanhando o benchmark. O Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,10,-1,14%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,66, +0,24%BBDC4, R$ 23,04, -1,03%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,00, -2,38%) e Santander (SANB11, R$ 13,94, -1,41%) tinham quedas mais amenas nesta tarde.

No caso de Suzano (SUZB5, R$ 16,20, -3,91%), a companhia segue o desempenho dos mercados globais, e não consegue evitar a queda nem com a disparada do dólar, que chegou a R$ 3,57 na máxima do dia. No noticiário, em resposta à taxação antidumping aplicada pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a Suzano informou, no sábado, que não planeja alterar a sua estratégia de exportação para os Estados Unidos, enquanto não for proferida uma decisão final na investigação, prevista para o primeiro trimestre de 2016.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 GOAU4 GERDAU MET PN 2,69 -9,43
 USIM5 USIMINAS PNA 2,82 -8,14
 OIBR4 OI PN 2,76 -8,00
 CMIG4 CEMIG PN 8,03 -7,91
 BRAP4 BRADESPAR PN 8,09 -7,75

 

 

Do lado das altas estão as ações da Natura (NATU3, R$ 22,74, +1,20%), assim como outras companhias do varejo tais quais B2W (BTOW3, R$ 15,31, +10,14%) e Hering (HGTX3, R$ 13,82, +0,88%). 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 NATU3 NATURA ON 22,74 +1,20
 HGTX3 CIA HERING ON 13,82 +0,88
 JBSS3 JBS ON 14,28 +0,63
 ESTC3 ESTACIO PART ON 12,56 +0,48
 BBDC3 BRADESCO ON 24,66 +0,24

 

Cenário externo
As bolsas asiáticas e europeias despencaram em meio ao sell off global, agravado pelo tombo dos papéis chineses, que intensificou a fuga de ativos mais arriscados em meio a temores de desaceleração econômica global encabeçada pela China. Xangai teve baixa de 8,46%, a maior queda percentual diária desde 2007. Hang Seng teve queda de 5,17%, enquanto Nikkei despencou 4,61%. 

Ativos vistos como um porto-seguro, como títulos de governo e o iene, apresentaram ganhos em meio à instabilidade nos mercados financeiros. O gatilho para as turbulências veio sob a forma da forte desvalorização do iuan chinês, que alimentou temores sobre o estado da segunda maior economia do mundo.

"Os mercados estão em pânico. As coisas estão começando a parecer com a crise financeira asiática no fim da década de 1990. Especuladores estão vendendo ativos que parecem ser os mais vulneráveis", disse o chefe de pesquisa do Shinsei Bank, Takako Masai. Bolsas de valores em todo o mundo, do Japão à Indonésia, foram duramente atingidas pela queda das ações chinesas desde a abertura nesta segunda-feira, após Pequim não anunciar nenhum grande estímulo no fim de semana para sustentar as ações, como era amplamente esperado após a queda de 11 por cento da semana passada.

O sell-off se estendeu pela Europa, que viu as principais bolsas do continente caírem entre 4,6% e 5,96%. No cenário do continente, líderes da oposição grega fizeram progresso zero neste domingo nos esforços para tentar formar uma nova coalizão, apesar dos apelos internos e externos por eleições rápidas para que o país possa lidar com crises econômica e humanitária simultâneas.

 

Contato