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Ibovespa cai 2,5%, entra em bear market e atinge nova mínima do ano; dólar sobe 1%

Índice volta a registrar perdas depois de subir ontem por conta do recuo da senadora Gleisi Hoffmann na questão do fim dos juros sobre capital próprio

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em baixa nesta quarta-feira (19) seguindo as quedas fortes das bolsas internacionais e dos índices norte-americanos em meio a receios de desaceleração na China e à espera da ata do Fomc (Federal Open Market Comittee). Mercado vê quase 50% de chance alta de juro americano em setembro. Na agenda do dia, o IBC-Br (Índice de Atividade do Banco Central) mostrou que a economia brasileira encolheu 1,89% no segundo trimestre de 2015. O dia também é de votação no Senado da reoneração das empresas desoneradas pelo antigo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Às 12h13 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 2,46%, a 46.283 pontos. Com isso, o índice caminha para entrar em bear market (mercado com tendência de queda), que é quando um ativo cai 20% da máxima para a mínima do ano. Além disso, ele opera no menor patamar intraday de 2015, rompendo o suporte dos 46.500 pontos. Se fechar abaixo dos 46.907 pontos o Ibovespa também vai marcar menor nível de fechamento do ano. Já o dólar comercial subia 1,08% a R$ 3,5035 na venda. Enquanto isso, o dólar futuro para setembro sobe 0,99% a R$ 3,517.

A queda também foi acelerada com a notícia da assinatura pelo Banco do Brasil de acordo para dar apoio ao setor automotivo, envolvendo 26 empresas âncoras. A previsão é de desembolso total de R$ 9 bilhões. Como medida para evitar o agravamento da crise, o governo orientou ontem os bancos públicos a liberar crédito mais barato para as empresas das cadeias produtivas de diversos setores da economia. O setor automotivo foi o primeiro segmento a ser contemplado. 

Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, o dia é quase de uma "tempestade perfeita", com o cenário interno pesando por conta de mais uma aprovação de pauta bomba que prejudica o ajuste fiscal e mostra a fragilidade do governo se combinando a mais uma intervenção estatal, que é o uso de bancos públicos contra a crise na indústria, todos se combinando com o temor de que o Federal Reserve eleve os juros nos EUA em setembro. 

Ainda no cenário doméstico, a correção do FGTS para ter uma rentabilidade mais parecida com a da poupança foi a pauta bomba aprovada na Câmara dos Deputados ontem. O projeto ainda deve passar por Senado e Dilma ainda conta com alternativa de veto. De qualquer forma, este resultado mostra como o governo enfrenta um ’’quadro adverso’’ na Câmara, onde não tem uma base parlamentar fiel para derrubar propostas que exigem apenas maioria simples, diz MCM em nota. 

Pela proposta final, em 2016 a remuneração do FGTS será a Taxa Referencial (TR) mais 4% para os novos depósitos, 1 ponto acima da atual correção. Em 2017, sobe para TR mais 4,75%; e em 2018, TR mais 5,5%. A partir de 2019, a remuneração será igual à poupança, hoje em 6,17% mais TR. A remuneração dos depósitos antigos permanece em TR mais 3%.

Esta notícia acaba ofuscando um pouco o otimismo da última sessão depois que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) recuou de sua proposta de acabar com os juros sobre capital próprio dentro da Medida Provisória 675, que também institui a elevação da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para bancos de 15% para 23%. Gleisi, no entanto, disse em entrevista ao InfoMoney que deve apresentar um Projeto de Lei sobre o assunto ou esperar a Fazenda encaminhar MP. "Pode ser que a gente não consiga fazer isso em um curto prazo, mas acho que, em médio prazo, conseguimos", afirma. 

Ações em destaque
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,99, -2,47%; VALE5, R$ 13,50, -2,53%) caem perto de 1%. No mercado de commodities, o minério de ferro spot no porto de Qingdao caiu 0,90%, a US$ 56,41 a tonelada.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 MRFG3 MARFRIG ON 5,97 -5,24
 USIM5 USIMINAS PNA 3,19 -5,06
 BBAS3 BRASIL ON 18,64 -4,99
 ESTC3 ESTACIO PART ON 12,61 -4,40
 CSNA3 SID NACIONAL ON 3,17 -4,23

 

 

 

Depois de subirem no último pregão com o recuo de Gleisi na questão dos JCP, as ações de bancos voltam a recuar nesta quarta. Ações de Bradesco (BBDC3, R$ 24,70, -3,18%; BBDC4, R$ 23,35, -3,75%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 25,96, -3,24%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,81, -4,13%) e Santander (SANB11, R$ 14,13, -3,62%) registram perdas. Vale lembrar que juntas, estas companhias possuem por volta de 22% da participação na carteira teórica do Ibovespa. 

Outra peso pesado do Ibovespa, a cervejaria Ambev (ABEV3, R$ 18,26, -2,77%), que vale por 8% do Ibovespa, opera em queda depois de registrar ganhos ontem. 

Apenas duas ações das 66 que compõem a carteira teórica do benchmark da nossa Bolsa operavam em alta, sendo que o melhor desempenho do índice ficava por conta da Marcopolo (POMO4, R$ 2,03, +0,50%). 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 POMO4 MARCOPOLO PN N2 2,04 +0,99
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 23,15 +0,48


Agenda de indicadores
Em junho o IBC-Br caiu 0,58%, levemente pior do que a previsão da mediana dos analistas, que era de 0,55% de retração. Os dados divulgados nesta quarta-feira refletem uma sequência de deterioração do desempenho da indústria, do comércio e do setor de serviços. 

Às 15h será divulgada a ata do Fomc. As expectativas são de que o documento possa dar algum sinal das chances do Fed subir o juro na reunião de setembro.

Também vale lembrar que o fluxo cambial no Brasil sairá às 12h30 e que às 11h30 teremos os estoques de petróleo nos Estados Unidos. 

Bolsas mundiais caem
Os mercados de Xangai e Shenzhen chegaram a cair 3% pela manhã, levando suas perdas a mais de 8% desde que investidores "surtaram sem aviso" na terça-feira. Mas compradores apoiados pelo governo logo correram em auxílio, permitindo que os índices terminassem o dia com alta de mais de 1%.

O dia também é de tensão para as bolsas europeias, com o mercado de olho, além do mercado chinês, no cenário grego após a aprovação do terceiro pacote de resgate para o país pelo Parlamento alemão, além da expectativa pela ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). O alemão DAX tem queda de cerca de 1%, enquanto o francês CAC 40 cai 0,50%. 

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse que não há garantia de que o terceiro resgate à Grécia funcione, mas salientou que seria irresponsável não dar ao país endividado a chance de recomeçar.

"É claro, após a experiência dos últimos anos e meses não há garantia de que tudo funcionará e é um direito ter dúvidas", disse Schaeuble a parlamentares alemães nesta quarta-feira antes do voto sobre o pacote de resgate.

 

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