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Ibovespa sobe puxado por Vale e siderúrgicas; dólar e DIs têm alta por política e Levy

Alta das commodities novamente trouxe otimismo ao pregão, mas Petrobras e bancos mantiveram o índice longe das máximas; dólar fecha perto dos R$ 3,50

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em alta de 0,46%, a 50,287 pontos, nesta quarta-feira (5), mas acabou ficando longe das máximas pressionado por Bradesco (BBDC3; BBDC4) e pela Petrobras (PETR3PETR4), que virou para queda perto da última hora do pregão. O mercado hoje refletiu os dados abaixo do esperado do ADP Employment, que mostrou uma criação de 185 mil novas vagas no setor privado dos Estados Unidos em julho ante 215 mil esperados. Os números arrefeceram os temores de que o Federal Reserve deva elevar os juros em setembro, perspectiva que estava mais forte depois que o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, acenou para esta possibilidade. O volume negociado no pregão desta quarta-feira foi de R$ 5,153 bilhões.

Já o dólar comercial registrou ganhos depois de cair pela manhã por causa dos dados norte-americanos. A divisa subiu 0,71%, a R$ 3,4890 na venda. Já o dólar futuro para setembro teve alta de 0,43%, a R$ 3,517. No radar, o banco Société Générale elevou suas projeções do câmbio para R$ 4,00. A moeda ainda repercutiu as falas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que mostrou naturalidade com a alta do dólar ao dizer que câmbio tem aumentado competitividade da indústria.

Além disso, apesar do ADP mais fraco, segundo o Barclays, a previsão é de que o Federal Reserve deve começar a elevar os juros já na próxima reunião de setembro"Nós acreditamos que os dados já estão suficientemente fortes para remover dúvidas sobre a economia do País" no primeiro semestre, disse Rob Martin, do banco, em nota.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subiu 15 pontos-base a 13,77% ao passo que o DI para janeiro de 2021 teve alta de 15 p.bs. a 13,19%. Antes da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que será divulgada amanhã às 8h30, analistas acreditam que os investidores estejam pondo em dúvida a sinalização do comitê em sua última reunião de que acabará com o ciclo de aumento dos juros. Por conta da depreciação do real e da tensão política, alguns players podem estar imaginando mais altas da Selic no futuro. 

Falando em cenário político, as tensões voltaram juntamente com os parlamentares no retorno do recesso. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), excluiu o PT das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) e sinalizou que vai articular o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Ao mesmo tempo, o presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu segurar a votação do projeto que reduz a desoneração da folha de salários das empresas até 26 de agosto, quando a proposta passa a obstruir votações no plenário da Casa.

Destaques de ações
Entre as ações, a Vale (VALE3, R$ 19,01, +5,03%; VALE5, R$ 15,39, +3,92%) fechou em forte alta, refletindo a alta do minério de ferro spot no porto de Qingdao, que subiu 2,7% a US$ 56,78 a tonelada. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 GOAU4 GERDAU MET PN 4,26 +7,85
 RUMO3 RUMO LOG ON EG 9,50 +6,26
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,61 +5,52
 GFSA3 GAFISA ON 2,63 +4,37
 VALE3 VALE ON 18,89 +4,36

Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 10,32, +3,61%), holding que detém participação na Vale, além do setor siderúrgico, com as ações da Usiminas (USIM5, R$ 4,17, +0,00%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,25, +3,48%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,17, +5,57%). É importante mencionar que essa é a quarta alta seguida das ações da Metalúrgica Gerdau, período em que subiram 28%. Do lado das quedas, as ações da CSN (CSNA3, R$ 4,35, -0,23%) fecharam no negativo.

Nesta manhã, a mineradora informou que pretende levantar entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões em caixa em 2015 com venda de ativos e parcerias. A companhia informou ainda que o break-even do preço do minério de ferro foi reduzido para US$ 39,1 a tonelada, no centro da faixa que já havia sido informada pela mineradora de US$ 37 a US$ 41 a tonelada.  

Em destaque, ainda estão os dados da China.  O PMI (Índice de Gerente de Compras) do Caixin/Markit, mostrou que serviços cresceu em julho no maior ritmo em 11 meses. O PMI subiu para 53,8, contra leitura de 51,8 em junho, atingindo o maior nível desde agosto de 2014 e marcando o 12º mês consecutivo de expansão.

Além disso, o Ministério dos Transportes aprovou o enquadramento, como prioritário, de projeto de investimento da Vale para fins de emissão de debêntures incentivadas, conforme portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União. Com a decisão, a empresa captará recursos com incentivo fiscal para aplicar na expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Segundo fontes, a Vale deve protocolar na CVM até o final da semana uma emissão de R$ 1 bilhão em debêntures incentivadas, em duas séries.

Quem também subiu pelo quarto pregão consecutivo foi a Rumo (RUMO3, R$ xx,xx, x,xx%), que vinha operando entre altas e baixas depois de uma sequência de seis quedas entre os dias 17 e 24 de julho.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 SMLE3 SMILES ON 54,03 -3,09
 SBSP3 SABESP ON 17,16 -3,00
 CESP6 CESP PNB 18,16 -2,99
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 12,89 -2,72
 CMIG4 CEMIG PN 9,35 -2,60

 

Do lado das quedas, os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 10,99, -1,08%; PETR4, R$ 10,01, -1,67%) fecharam em no vermelho. Estava previsto para hoje o julgamento do processo aberto pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para levantar as aquisições e alienações de ativos promovidos pela estatal. O relator do processo é o ministro do TCU Vital do Rêgo Filho, que foi senador pela Paraíba entre 2011 e 2014. No Senado, Rêgo Filho presidiu a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e a CPI da Petrobras, em 2014.

Ainda no radar da companhia, o barril do petróleo Brent teve queda de 1,48% a US$ 49,25.

Junto com a petroleira, depois de cair forte nos últimos dias por conta da aquisição do HSBC por US$ 5,2 bilhões, o Bradesco (BBDC3, R$ 27,24, +0,48%; BBDC4, R$ 25,95, -0,31%) ameaçou um dia de repique, mas fechou em queda.

Dia misto na Ásia e altas na Europa
O dia foi de alta nas principais bolsas europeias, na sequência de uma série de dados e balanços positivos. Entre os resultados, destaque para o francês Société Générale, que registrou lucro ligeiramente melhor do que o previsto e disse que vai conseguir reduzir custos. As ações chegaram a subir cerca de 7%. Os temores sobre a crise econômica na Grécia também parecem ter diminuído temporariamente, depois que o país e os seus credores disseram que estavam otimistas sobre um novo acordo de resgate dentro de dias. 

Já na China, o índice de Xangai caiu 1,62%, apesar de o banco central do país prometer estabilizar as expectativas do mercado e de uma pesquisa que mostrou que a atividade no setor de serviços acelerou no mês passado. O PMI (Índice de Gerente de Compras) do Caixin/Markit, mostrou que serviços cresceu em julho no maior ritmo em 11 meses. O PMI subiu para 53,8, contra leitura de 51,8 em junho, atingindo o maior nível desde agosto de 2014 e marcando o 12º mês consecutivo de expansão.

Nos EUA, a maioria dos índices acionários fechou em alta ante a possibilidade menor de que o Federal Reserve decida elevar os juros da economia norte-americano na próxima reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee). Dow Jones teve queda de 0,06%, a 17.540 pontos, e Nasdaq registrou ganhos de 0,67%, a 5.140 pontos.

Agenda de indicadores
Além dos dados lá fora, aqui foi divulgado o PMI (Índice Gerente de Compras) do setor de Serviços brasileiro às 10h. O índice ficou em 39,1 pontos em julho, ante expectativas de 39,9. Vale lembrar que no PMI qualquer número abaixo de 50 pontos mostra uma retração do setor econômico analisado. 

O fluxo cambial para julho ficou negativo em US$ 3,935 bilhões. Houve uma uma entrada líquida de US$ 4,441 bilhões na conta do comércio exterior, que foi superada pela saída líquida de US$ 8,376 bilhões na conta financeira, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central.

 

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