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Ações vão de queda de 17% à alta de mais de 30% após balanços; veja destaques do dia

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa subiu nesta sexta-feira (31), destoando das bolsas internacionais e puxado pelas ações da Vale, Petrobras, bancos e outras que reagiram à temporada de balanços corporativos do segundo trimestre.

Lideraram os ganhos do índice hoje as ações da Braskem, após a Petrobras comentar que não reconhece as perdas de R$ 6 bilhões em contratos com a petroquímica, além da Embraer, que ganhou força depois do HSBC elevar a recomendação da ação mesmo após resultado decepcionar ontem.  

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira: 

Braskem (BRKM5, R$ 12,54, +9,33%)
Nesta manhã, a Petrobras disse que não reconhece perdas de R$ 6 bilhões em contratos com a Braskem. Na sexta-feira passada, o Ministério Público Federal afirmou que a estatal teve um prejuízo de R$ 6 bilhões entre 2009 e 2014 com a venda de nafta para a petroquímica do grupo Odebrecht. 

Segundo denúncia apresentada naquele dia, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa agiu para fechar um acordo de negociação de nafta com a Braskem, em 2009, a preços abaixo do mercado internacional. 

Embraer (EMBR3, R$ 23,90, +6,22%)
As ações da Embraer subiram forte hoje após elevação de recomendação pelo HSBC e forte queda na quinta-feira, após o balanço do segundo trimestre. Com a alta de hoje, a a ação apaga a derrocada da véspera. Ontem, a empresa cortou sua projeção da receita líquida para esse ano em US$ 300 milhões, para faixa entre US$ 800 milhões e US$ 950 milhões, devido a menores receitas esperadas para o segmento de Defesa e Segurança. No segundo trimestre, o segmento atrapalhou os números da companhia, com o aumento do volume a receber pelas Forças Aéreas Brasileiras de R$ 223 bilhões para R$ 1,088 bilhão. 

Hoje, o HSBC elevou a recomendação das ações da companhia de manutenção para compra, com preço-alvo de R$ 32,00 por ação. 

BRF (BRFS3, R$ 71,87, +4,02%)
As ações da empresa de alimentos BRF subiram forte hoje e renovam sua máxima histórica na Bolsa após analistas ressaltarem resultados sólidos da companhia no segundo trimestre. Favorecida principalmente pelo desempenho das operações internacionais, a dona das marcas Sadia e Perdigão encerrou o período com lucro líquido de R$ 363 milhões (atribuído aos sócios da empresa controladora), um aumento de 36% na comparação com o mesmo período de 2014. Segundo a Citi Corretora, as margens fortes das vendas no exterior mais do que compensaram a contração nas margens locais. 

Em teleconferência, o vice-presidente de finanças e relações com investidores da empresa, Augusto Ribeiro Junior, destacou o desempenho no Oriente Médio, já refletindo as aquisições feitas pela BRF na área de distribuição. No mais, o dólar mais valorizado na comparação com o mesmo período de 2014 também favoreceu o resultado da empresa. 

A geração de caixa medida pelo Ebitda avançou 43,6%, passando de R$ 906 milhões de abril a junho do ano passado para R$ 1,4 bilhão no segundo trimestre deste ano. Ante o primeiro trimestre de 2015, o Ebitda teve alta de 45,1%. A margem Ebitda dos segundo trimestre de 2015 foi de 17,4% ante 13,7% do mesmo período do ano passado e 13,5% do primeiro trimestre deste ano

Vale (VALE3, R$ 17,87, +2,41%; VALE5, R$ 14,65, +1,67%)
As ações da Vale viraram para alta após queda nesta manhã, deixando para trás o movimento negativo da véspera após balanço do segundo trimestre, embora tivesse vindo acima do esperado pelos analistas, e contrariando a queda do preço do minério de ferro hoje. A commodity caiu 4,57% nesta sexta-feira no porto de Qingdao, na China, para US$ 55,89 a tonelada, acumulando no mês queda de 10%. Seguem o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 9,84, +3,36%), holding que detém forte participação na mineradora.  

Petrobras (PETR3, R$ 11,58, +0,52%; PETR4, R$ 10,50, +0,29%)
A abertura de capital da BR Distribuidora poderá acontecer ainda este ano, caso as condições de mercado sejam favoráveis, e os bancos que vão contribuir com a operação ainda estão sendo definidos, disse nesta quinta-feira o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, em evento na sede da empresa no Rio de Janeiro. 

O executivo afirmou ainda que a companhia espera recuperar todos os mais de R$ 6 bilhões que foram identificados por ela como desviados em corrupção, na esteira da Operação Lava Jato.

Lojas Renner (LREN3, R$ 108,89, -1,51%)
Mais uma vez a companhia mostrou resultados sólidos e com forte expansão da margem bruta e Ebitda no segmento de varejo. Mesmo diante da crise econômica afetando fortemente o varejo, a Renner foi uma das poucas a conseguir se salvar no período. A companhia registrou lucro líquido de R$ 158,17 milhões, uma alta de 33% ante o mesmo período de 2014. A média compilada pela Bloomberg com a opinião de 17 analistas indicava um lucro de R$ 147,50 milhões. 

Apesar dos números ainda melhores do que o esperado pelos analistas, as ações da companhia caem hoje. Analistas do Credit Suisse ressaltaram que, embora a empresa continue sendo prudente na exposição de crédito, a piora na inadimplência vista no período poderia ser vista com preocupação pelo mercado. Ainda assim, eles destacaram que a ação continua sendo a melhor opção para quem quer estar exposto ao setor de varejo no Brasil. 

RaiaDrogasil (RADL3, R$ 43,51, +1,94%)
As ações da RaiaDrogasil subiram após balanço bem recebido pelo mercado. Segundo o Credit Suisse, esse foi mais um resultado "excepcional" da empresa, apesar do cenário macroeconômico desafiador. Destaque para a margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida), que expandiu 2,08 pontos percentuais, bem acima das expectativas dos analistas do banco suíço. 

SulAmérica (SULA11, R$ 17,28, +5,60%)
A SulAmérica teve sua quinta alta seguida, acumulando alta de mais de 13% nesse rali, atingindo sua máxima desde junho de 2014. A empresa teve lucro líquido de R$ 123,5 milhões no segundo trimestre, uma alta de 130,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A companhia apurou R$ 4,278 bilhões em receitas com seguros, uma evolução de 13,2% na comparação com igual termo de 2014. 

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 3,43, +31,87%)
A empresa registrou ontem à noite queda de 88,6% no lucro líquido do segundo trimestre, em relação a igual período de 2014, atingindo R$ 3 milhões. Entretanto, o resultado fraco já era esperado pelo mercado e a ação reage com forte alta hoje. O segundo trimestre da companhia acompanha o momento ruim enfrentado pelo setor de varejo, com queda na receita líquida e no resultado líquido nos dois períodos comparativos semestrais. 

Segundo a empresa, a queda do lucro líquido foi influenciada pela menor diluição das despesas fixas e pelo aumento das despesas financeiras, em função da alta de juros no período. A despesa financeira líquida da companhia foi de R$ 104,7 milhões, aumento de 31,6% em relação aos R$ 79,5 milhões de um ano antes. 

Já a receita líquida da Magazine Luiza caiu 10,1%, para R$ 2,11 bilhões. De acordo com a companhia, a queda é explicada pela base de comparação elevada de igual período de 2014, pelo efeito das vendas da categoria de imagem em decorrência da Copa do Mundo e pelo cenário macroeconômico mais desafiador.

JBS (JBSS3, R$ 15,41, +2,12%)
As ações da JBS voltaram a subir forte hoje. Ontem, se resultados fortes da Pilgrim's Pride - empresa americana de aves da JBS - animaram os papéis da empresa, hoje um relatório do Credit Suisse trouxe uma visão bem positivo para o setor.

O banco iniciou cobertura no setor dos frigoríficos com recomendação de compra. Para os analistas, o setor deve ser um dos poucos beneficiados pelo momento atual da economia e que gradualmente deve ter uma diminuição do receio que alguns investidores têm em dedicar tempo e consequentemente investir no setor de frigoríficos. Segundo eles, o momento é bastante favorável para exportação tanto de frangos quanto de carne, principalmente em função da limitação da exportação tanto da Austrália quando dos Estados Unidos.

Além de JBS, o Credit tem recomendação outperform (desempenho acima da média) para Minerva (BEEF3), BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3).  

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,24, -17,24%)
A construtora e incorporadora PDG Realty teve prejuízo no segundo trimestre acima de estimativas de analistas, pressionada por queda nas vendas e por ajustes em sua estrutura administrativa. 

A empresa teve prejuízo de R$ 231 milhões no segundo trimestre, ante resultado negativo de R$ 135 milhões no mesmo período do ano passado. A média de estimativas de analistas apontava para prejuízo de R$ 145,8 milhões. 

No período, a companhia não realizou lançamentos, preferindo dar foco nas obras em andamento e na redução de estoques, que caíram 20,8% ano a ano. Ainda assim, as vendas contratadas líquidas caíram 81,5%, a R$ 71 milhões. Os distratos atingiram R$ 279 milhões no trimestre, 1,5% acima do segundo trimestre de 2014 e crescimento de 10% sobre os três primeiros meses do ano.

Equatorial (EQTL3, R$ 35,00, -2,72%)
As ações da Equatorial afundaram na Bolsa hoje. Ontem, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reportou números finais da RAB (base de ativos auditados) para revisão tarifária da Celpa, controlada pela Equatorial. O anúncio de R$ 4,364 milhões e R$ 3,090 milhões para a RAB bruta e líquida, respectivamente, vieram em linha com os números esperados pelo Credit Suisse, mas desapontam o mercado, pois vieram 10% abaixo do que foi divulgado na revisão preliminar, o que puxou a ação desde então. Se assumir que nada mais vai mudar, a revisão tarifária da Celpa com novos números da RAB deve cortar o Ebitda recorrente da empresa em R$ 60 milhões ao ano e ganhos de R$ 51 milhões ao ano, contra um cenário em que não houvesse a mudança na proposta preliminar, disseram os analistas do banco. 

Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 41,44, +3,26%)
As ações da Transmissão Paulista (Cteep) alcançaram hoje seu maior patamar desde o fechamento de 23 de junho após balanço do segundo trimestre. A companhia registrou lucro líquido de R$ 79,9 milhões no período, queda de 11,3% sobre o mesmo intervalo de 2014.  

Paranapanema (PMAM3, R$ 2,75, -7,09%)
As ações da Paranapanema seguiram em queda após derrocada de 14% na véspera depois de resultado do segundo trimestre. Os resultados da companhia mostraram aumento de vendas, mas forte queda na rentabilidade, que ocorreu em função da retração do mercado interno, queda de preços e perdas cambiais, que levaram a um prejuízo de R$ 108 milhões, maior em 49,9% do que no mesmo período do ano anterior.

A Planner Corretora ressaltou as fortes oscilações que os resultados da companhia sofrem com a volatilidade do câmbio, como foi visto neste início de ano, mesmo com a companhia usando derivativos e a contabilidade de hedge para evitar isso. Além das perdas de rentabilidade operacional, os números do trimestre foram fortemente impactados pelo resultado financeiro negativo de R$ 97 milhões. Desse total, R$ 101 milhões deveu-se principalmente à variação cambial negativa e R$ 20 milhões às perdas com hedge. 

 

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