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Petrobras e Vivo disparam 7%, bancos sobem e elétricas afundam com S&P

Confira os destaques de ações do pregão desta quarta-feira

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(Andrea Comas/Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa seguiu o movimento da véspera e atingiu o segundo dia de alta, mais uma vez com as blue chips favorecendo os ganhos do índice. Enquanto a Petrobras subiu 7%, a Vale avançou 2% e os bancos também tiveram ganhos. Na ponta negativa destaque mais uma vez para a Braskem, que voltou a cair forte.

Confira os destaques do pregão desta quarta-feira (29):

Petrobras (PETR3, R$ 11,80, +7,47%; PETR4, R$ 10,72, +7,52%)
As ações da Petrobras voltaram a disparar, figurando entre as maiores altas do Ibovespa, "repetindo" o forte movimento de alta ontem. Nesses dois dias, a alta já é de mais de 11%. Apesar da alta dos preços do petróleo lá fora, os papéis sobem muito mais forte do que a commodity. Neste momento, o petróleo Brent, negociado em Londres e usado como referência pela estatal, avançava 0,43%, US$ 53,53. 

Bancos
Os papéis dos bancos tiveram o dia positivo no mercado e subiram, com exceção do Santander (SANB11, R$ 16,10, -0,80%). Na próxima quinta-feira antes do pregão, ele e Bradesco (BBDC4, R$ 27,60, +1,10%) divulgarão seus balanços do segundo trimestre, dando início à temporada para o setor. Analistas esperam por lucros crescentes das instituições, apesar do cenário de deterioração econômica. Para ver a prévia, clique aqui. Chama atenção hoje ainda o desempenho dos papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,93, +4,43%), enquanto Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,63, +0,99%) tiveram alta mais amena.  

Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 44,24, +6,60%)
As ações da operadora Telefônica Brasil, dona da marca Vivo no Brasil, dispararam após anúncio de troca de ações com a Vivendi ofuscando balanço considerado neutro por Credit Suisse e JPMorgan. Analistas comentam que o anúncio dessa troca de ações reduz o "overhang" em Vivo - ou excesso de liquidez - pela metade já que diversos investidores esperavam que um grande bloco de ações pudesse vir ao mercado. A Vivendi trocará 58,4 milhões de ações preferenciais da companhia por 46 milhões de ações ordinárias da Telefónica espanhola, segundo comunicado da companhia. 

Sobre o balanço, a Telefônica informou que teve lucro líquido de R$ 932,9 milhões no segundo trimestre, queda de 56,4% frente ao mesmo período do ano passado. O balanço inclui os resultados da operadora GVT, adquirida no ano passado, comparáveis a partir de janeiro de 2014. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 3,13 bilhões, crescimento de 2,8% ano contra ano.

Elétricas 
As ações do setor elétrico ficaram entre as maiores baixas do Ibovespa nesta sessão. Na ponta negativa do índice figuram os papéis da Cesp (CESP6, R$ 17,84, -3,88%), CPFL Energia (CPFE3, R$ 18,35, -2,45%), Cemig (CMIG4, R$ 8,98, -3,23%) e Copel (CPLE6, R$ 33,35, -1,39%). Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's, seguindo sua revisão na perspectiva do rating do Brasil, cortou a perspectiva para 41 empresas brasileiras, incluindo companhias do setor elétrico, como Eletrobras (ELET3, R$ 5,45, +0,18%; ELET6, R$ 8,17, -2,04%), Cesp, Tractebel (TBLE3, R$ 35,16, +1,82%) e Coelce (COCE5).

Por outro lado, a Moody's reafirmou o rating em escala global da Taesa (TAEE11, R$ 20,01, -1,43%), com perspectiva estável. Segundo a agência, a companhia tem "fluxos de caixa estáveis e previsíveis", graças a contratos de concessões de transmissão de eletricidade de longo prazo.

Vale (VALE3, R$ 18,35, +1,44%VALE5, R$ 15,11, +1,68%)
A Vale amenizou os ganhos mais fortes registrados durante a tarde, mas seguiu o movimento de alta da véspera, quando fechou em alta de 8% no caso das ações ordinárias. A valorização foi impulsionada pela alta do minério de ferro, que subiu 4,57% no porto de Qingdao, na China, para US$ 55,89 a tonelada. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 10,02, +1,62%), holding que detém participação na mineradora. A Vale divulga resultado na manhã da próxima quinta-feira. Analistas esperam por bons números no segundo trimestre, com vendas robustas compensando a queda do minério de ferro no período.

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 73,18, +1,77%)
O Grupo Pão de Açúcar teve prejuízo no segundo trimestre, afetado por retração econômica do país, aumento de despesas e menor geração de caixa operacional. O caixa operacional teve impacto dos fracos resultados de Cnova e Via Varejo (VVAR11), os braços que abrigam as operações de móveis e eletrodomésticos e de comércio eletrônico, disse a varejista em seu relatório de resultados divulgado nesta terça-feira. A varejista teve prejuízo de R$ 30 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 358 milhões um ano antes. Excluindo o resultado consolidado da Cnova, o lucro líquido da companhia alcançou R$ 123 milhões. No segmento alimentar, o lucro caiu 44,1%, para R$ 102 milhões, enquanto as despesas subiram 12,9%. 

Na manhã de terça-feira, a Via Varejo, empresa de móveis e eletrodomésticos do Grupo, informou prejuízo líquido de R$ 13 milhões entre abril e junho frente a lucro de R$ 187 milhões obtido um ano antes. A Cnova, que reúne ativos de comércio eletrônico do francês Casino e também do Pão de Açúcar, informou na semana passada prejuízo de 40,2 milhões de euros, ante resultado negativo um ano antes de 21,3 milhões. 

Segundo o analista independente Flávio Conde, do blog What'sCall, o segmento alimentar do grupo foi relativamente bem, mas a Via Varejo e a Cnova jogaram para baixo o Ebitda e o lucro líquido do grupo virou prejuízo no segundo trimestre. O balanço pode pressionar os papéis da companhia hoje. Já o BTG Pactual lembra que, apesar do resultado ruim, as ações já caíram 27% no acumulado do ano, refletindo a rápida deterioração dos resultados, em meio à enorme volatilidade do lucro por ação do grupo e das duas principais subsidiárias - Via Varejo e Cnova. Os analistas do banco esperam alguma recuperação das vendas nos próximos dois trimestres, pensando que o potencial de queda agora é limitado, mas devemos ver antes a construção de um momentum mais positivo antes de iniciar uma visão mais positiva.

JBS (JBSS3, R$ 14,15, -2,88%)
A JBS, maior produtora global de carnes, não tem planos de realizar fechamentos de unidades de abate de bovinos no Brasil no segundo semestre, após suspender atividades de algumas plantas recentemente por conta da oferta limitada de animais e de uma demanda mais fraca. A informação é do presidente-executivo da companhia, Wesley Batista, que disse, no entanto, que continua monitorando o mercado interno e as exportações. 

"Não posso prometer que, se o consumo doméstico continuar piorando e a exportação não reagir, não possa vir nenhum outro ajuste. Em princípio, fizemos o que tínhamos que fazer", afirmou Batista a jornalistas, após participar de um evento do setor de aves e suínos em São Paulo.

Braskem (BRKM5, R$ 11,72, -3,78%)
A petroquímica Braskem informou que advogados da companhia protocolaram nesta quarta-feira petição endereçada à Polícia Federal argumentando que o contrato de fornecimento de nafta à empresa pela Petrobras não gerou prejuízo à petroleira. A petição vem após o Ministério Público Federal ter denunciado na sexta-feira executivos da Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato. Naquele pregão, os papéis da companhia afundaram 10,12% para subirem 12,5% ontem. Segundo a denúncia, os executivos seriam responsáveis por dano de 6 bilhões de reais causado por contrato de fornecimento de nafta pela Petrobras à petroquímica.

Indústrias Romi (ROMI3, R$ 2,43, -4,33%)
As ações da small cap Indústrias Romi caíram forte após a empresa ter reportado ontem um prejuízo líquido de R$ 13,8 milhões. O prejuízo alcançado é 14 vezes maior que os R$ 892 mil do segundo trimestre do ano passado. No acumulado do semestre, o prejuízo atribuído aos sócios da empresa controladora somou R$ 15,5 milhões, contra R$ 2,1 lucrado no igual período de 2014.

Sua receita operacional líquido caiu 17% para R$ 118,9 milhões e seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu de R$ 10,1 milhões para R$ 8,9 milhões do segundo trimestre do ano passado para este.

 

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