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Ibovespa volta a cair depois de tentar mais um repique com alta da Vale; dólar sobe

Índice opera em queda com o cenário externo negativo apesar da tentativa de recuperação de algumas ações

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (27) ameaçando repiques durante determinados momentos do pregão, mas voltando sempre a ficar em terreno negativo. Mesmo após cair 6% na semana passada, a Bolsa continua sem demonstrar força para uma recuperação. As notícias do lado internacional são ruins depois que a bolsa de Xangai despencou 8,48% hoje. O lucro de grandes empresas industriais da China teve queda de 0,3% em junho ante igual mês do ano passado, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país.

Às 12h59 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 0,38%, a 49.058 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial sobe 0,32%, a R$ 3,3570 na compra e a R$ 3,3577 na venda. Por outro lado, o dólar futuro para agosto zera ganhos e opera em leve queda de 0,04% R$ 3,363. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 sobe 1 ponto-base, a 13,91% ao passo que o DI para janeiro de 2021 opera estável a 13,02%. 

Entre os indicadores domésticos, a Dívida Pública Federal brasileira ficou em R$ 2,58 trilhões em junho. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, a dívida pública externa somou R$ 121,3 bilhões no mês passado. Já a dívida pública interna ficou em R$ 2,46 trilhões. A Fatia estrangeira da dívida interna foi de 20,04% em junho, contra 20,8% em maio. O aumento na dívida mobiliária federal interna foi de 3,81% em junho frente a maio. Já o estoque da dívida total, incluindo também a dívida externa, subiu 3,50% em junho.

Também tinha algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,7% para uma de 1,76%. Já no caso da Selic, apesar das indicações mais "hawkish" (agressivas) do diretor de Assuntos Econômicos do Banco Central, Luiz Awazu, na semana passada, as projeções foram reduzidas de 14,5% para 14,25% ao ano.

Ações em destaque
Do lado negativo continuam as ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,82, -2,43%; PETR4, R$ 9,83, -2,09%). A reunião do conselho de administração da estatal durou mais de sete horas na sexta-feira. O teor das deliberações dos conselheiros ainda não foi divulgado, e um comunicado da empresa é esperado até esta segunda-feira, segundo fontes próximas à companhia. O Broadcast apurou que um dos temas do encontro seriam as mudanças na estrutura administrativa da Transportadora Associada de Gás (TAG), um dos ativos na lista de desinvestimentos da estatal. Os desdobramentos da Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção na estatal e envolve outras empresas, também se mantém em evidência, lembra a equipe de análise da XP Investimentos em relatório.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRKM5 BRASKEM PNA 11,08 -8,05
 RUMO3 RUMO LOG ON 0,87 -5,43
 BRML3 BR MALLS PAR ON 12,33 -3,67
 JBSS3 JBS ON 14,27 -3,58
 POMO4 MARCOPOLO PN N2 2,25 -2,60

 

 

Já as ações da Braskem (BRKM5, R$ 11,08, -8,05%) figuram como a maior queda do Ibovespa nesta manhã. O Ministério Público Federal afirmou na sexta-feira que a Petrobras teve um prejuízo de R$ 6 bilhões entre 2009 e 2014 com a venda de nafta para a Braskem, petroquímica do grupo Odebrecht. Segundo a denúncia apresentada, o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, agiu para fechar um acordo de negociação de nafta com a Braskem, em 2009, a preços abaixo do preço internacional.

Em nota, a Braskem disse que "não faz sentido" falar em R$ 6 bilhões de prejuízo na Petrobras. A Braskem é controlada pela Odebrecht e tem como segunda maior sócia a própria Petrobras.

Já na ponta positiva os papéis da Vale (VALE3, R$ 17,44, +3,87%; VALE5, R$ 14,43, +2,85%) recuam depois do minério de ferro no porto de Qingdao subir 1,81%, a US$ 52,35. 

Os papéis de bancos têm leves altas. Bradesco (BBDC3, R$ 26,53, +0,80%; BBDC4, R$ 26,95, +0,90%) sobe após caír forte nas últimas sessões em meio à piora no cenário doméstico por conta do corte da meta fiscal do governo de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) para 0,15% do PIB.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 GOLL4 GOL PN ES N2 5,99 +6,58
 ELET6 ELETROBRAS PNB 8,44 +4,84
 BRAP4 BRADESPAR PN 9,69 +4,08
 VALE3 VALE ON 17,44 +3,87
 CMIG4 CEMIG PN 9,42 +3,86

 

O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,13, +3,53%) está entre as maiores altas do pregão. O Tesouro Nacional disse que a venda de ações do BB que estavam em poder do Fundo Soberano do Brasil somou R$ 134 milhões (ou 5,6 milhões de ações ordinárias) e foi realizada entre os dias 29 de junho e 15 de julho. Para o Credit Suisse, a nota do Tesouro é marginalmente positiva dado a remoção de expectativa do mercado de que pudesse haver mais vendas. A Rico Corretora também destaca que, apesar de todo o cenário desfavorável, esta notícia não deixa de ser positiva para o curto prazo para acionistas do banco.

Cenário externo
As bolsas asiáticas fecharam em queda nesta segunda-feira em meio a perdas em Wall Street e preocupações sobre a China, enquanto investidores preparavam-se para a reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que pode dar outro passo em direção à elevação da taxa de juros no país. O destaque ficou para Xangai, com queda de 8,48%, com a confiança ainda impactada pela leitura fraca da pesquisa Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed irá se reunir terça e quarta-feiras. Considera-se que é altamente improvável que o comitê eleve o juro nesta reunião, embora aparentemente ainda pareça que o banco central está determinado a fazer a alteração em setembro.

O dia é de queda também para as ações europeias, em meio ao sell off das ações asiáticas e também de olho no Fed. Entre os dados da zona do euro, o índice de sentimento das empresas da Alemanha subiu para 108,0 em julho, de 107,4 em junho, segundo dados publicados hoje pelo instituto alemão Ifo. O resultado veio acima da expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam modesta alta do indicador, a 107,5.

A Grécia segue no radar: o FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou nesta sexta-feira que recebeu uma carta da Grécia pedindo um novo empréstimo. Além disso, a bolsa de valores do país permanecerá fechada nesta segunda-feira, mas deverá reabrir na terça-feira após um mês de fechamento, disseram fontes oficiais à Reuters. "É certo que não reabrirá na segunda, mas talvez na terça", disse um porta-voz da Bolsa de Valores de Atenas à Reuters sob condição de anonimato.

 

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