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Ibovespa cai mais de 2% com cenário interno tenso e China; dólar e DI sobem

Além das notícias negativas no front doméstico, o mercado ainda acelera as perdas com a queda das commodities no cenário externo

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa volta a cair 2% nesta sexta-feira (24) estendendo perdas depois da sequência de cinco quedas, que culminou na perda dos 50 mil pontos ontem. Além do corte na meta fiscal, que trouxe um pessimismo generalizado para os mercados, os dados fracos da economia chinesa divulgados hoje trouxeram baixa às commodities, o que contribui para a piora do apetite por risco hoje. 

Às 15h30 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha queda de 2,02%, a 48.799 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial dispara 1,60%, a R$ 3,3479 na compra e a R$ 3,3486 na venda. O real continua a sua trajetória de queda, acompanhando o desempenho da maioria das moedas ligadas a commodities em meio aos dados fracos da economia chinesa. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 estende os ganhos da véspera e sobe 20 pontos-base a 13,86%, assim como o DI para janeiro de 2021, que sobe a 4 p.bs. a 13,14%.

Uma informação importante para o mercado de ações é que o índice Ibovespa em dólar hoje atinge um fundo na faixa de 15.146 pontos a 15.918 pontos, o que faz com que alguns investidores estrangeiros vejam a nossa Bolsa como barganha mesmo com todas as notícias negativas.

Levy
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o governo "não jogou a toalha" e que a política fiscal vai continuar a ser feita com vigor, mas de maneira realista. Em teleconferência a analistas e investidores, Levy disse que a redução da meta fiscal não significa o fim do ajuste e que o governo não jogou a toalha. Ele falou na abertura do capital da IRB e de outros setores. Enquanto isso, a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), articula reunião com governadores para discutir pacto de governabilidade, segundo informações do Valor Econômico. 

Destaques da Bolsa
As ações do setor financeiro voltam a cair forte e impedem um repique da Bolsa. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 28,50, -1,72%) e Bradesco (BBDC3, R$ 26,25, -0,11%; BBDC4, R$ 26,25, -0,94%) recuam. 

Assim como os bancos, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,92, -3,28%; PETR4, R$ 9,86, -3,05%) recuam. Hoje haverá reunião do conselho de administração da companhia, que discutirá os ativos que deverão ser vendidos pela companhia. Nela está prevista a "reestruturação" da Transportadora Associada de Gás (TAG), braço da subsidiária Gaspetro responsável pela rede de gasodutos da estatal. A informação é do conselheiro Deyvid Bacelar, representante dos funcionários no colegiado. A pauta também contempla a renovação de registro da companhia na SEC, nos Estados Unidos, segundo a publicação.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,15 -7,38 -39,32 8,54M
 GFSA3 GAFISA ON 2,38 -6,67 +8,18 3,04M
 CMIG4 CEMIG PN 9,00 -6,44 -29,32 29,39M
 ELET3 ELETROBRAS ON 5,28 -6,22 -8,97 2,88M
 BRML3 BR MALLS PAR ON 12,05 -5,93 -24,55 49,43M

 

As ações da Vale (VALE3, R$ 16,91, -2,37%; VALE5, R$ 14,08, -1,95%) viram para queda depois de chegar a subir 1% apesar da queda do minério de ferro na esteira dos indicadores fracos do gigante asiático. A commodity spot no porto de Qingdao caiu 0,58%, a US$ 51,42.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 FIBR3 FIBRIA ON 44,04 +1,17 +36,32 102,98M
 SMLE3 SMILES ON 53,20 +1,04 +19,96 13,35M
 EMBR3 EMBRAER ON 23,79 +0,38 -2,25 15,88M
 RENT3 LOCALIZA ON 28,38 +0,32 -19,32 36,50M
 KROT3 KROTON ON 9,94 +0,20 -35,57 93,20M

 

As ações do setor de papel e celulose como Suzano (SUZB5, R$ 15,51, +0,06%) voltam a subir hoje com a alta do dólar. Ontem, esses papéis aproveitaram para subir entre alta da moeda americana e resultados do segundo trimestre de Fibria (FIBR3, R$ 43,98, +1,03%) e Klabin (KLBN11, R$ 21,04, -0,14%) - lembrando que Suzano só divulgará balanço no dia 12 de agosto. 

Entre as sete altas do dia, o setor de educacionais sobe com Estácio (ESTC3, R$ 16,73, +1,39%) e Kroton (KROT3, R$ 10,04, +1,21%).

Dados fracos na China
As bolsas asiáticas caíram nesta sexta-feira depois que a pesquisa Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial da China despencou para uma mínima de 15 meses, reanimando preocupações sobre as exportações da região.

O PMI preliminar do Caixin/Markit sobre a indústria da China recuou para 48,2, abaixo da previsão de economistas de 49,7 e a menor leitura desde abril do ano passado. Esse foi o quinto mês consecutivo abaixo de 50, o nível que separa contração da expansão. O PMI fraco vem na sequência de alguns dados ruins em algumas das maiores economias da região. A economia sul-coreana registrou o crescimento mais fraco em seis anos no segundo trimestre, enquanto as exportações japonesas para a China foram relativamente fracas, provocando receios de desaceleração nos lucros corporativos na Ásia.

Hoje o Rand, moeda da África do Sul, e o dólar australiano lideram queda das principais divisas contra moeda americana; moedas de produtores de commodities entre maiores perdas.

Enquanto isso, o dia é de leves perdas e ganhos para as bolsas europeias, em meio aos dados ruins da China e a pressão sobre o mercado de commodities. O minério de ferro do porto de Qingdao teve queda de 0,58%, a US$ 51,42, enquanto o cobre atingiu o menor nível de 2009. A Anglo American reportou seus números para o segundo trimestre, com queda de 36% nos ganhos.

Destaque ainda para os dados econômicos da zona do euro. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que mede a atividade nos setores industrial e de serviços, caiu para 53,7 em julho, de 54,2 em junho, segundo dados preliminares publicados hoje pela Markit Economics. O resultado veio abaixo da previsão de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que era de queda menor do indicador, a 54,0. Leituras acima de 50,0, porém, indicam expansão da atividade.

Apenas o PMI industrial do bloco recuou para 52,2 em julho, de 52,5 em junho, também ficando abaixo da expectativa, que era de estabilidade a 52,5.

 

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