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Ibovespa recua quase 2%, enquanto dólar e DI disparam com corte na meta fiscal

Bolsa acelera perdas à tarde em dia de piora generalizada no mercado doméstico por conta do anúncio do governo realizado ontem

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa cai perto de 2% nesta quinta-feira (23) a 49.709 pontos, perdendo os 50 mil pontos e já se aproxima do fundo formado em 16 de março, quando o índice caiu a 48.848 pontos. As notícias no cenário doméstico são ruins, com o anúncio do corte da meta fiscal de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) para 0,15% do PIB. Especula-se sobre notícias de que a mudança na meta já admite até déficit em 2015 e que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, perdeu a queda de braço no debate sobre o tema, o que mantém pressão sobre ativos brasileiros. 

Às 14h53 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,96% a 49.915 pontos. Já o dólar comercial sobe 2,09%, a R$ 3,2914 na compra e a R$ 3,2931 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 dispara 27 pontos-base, a 13,60% enquanto o DI para janeiro de 2021 salta 41 pontos-base, a 12,90%. 

Segundo João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, o governo derrubar a meta para os próximos dois anos, traz uma sensação geral de que a crise econômica brasileira foi subestimada. Isso influencia a Bolsa e também o DI, já que fica evidente o fracasso do ajuste fiscal, de modo que o combate à inflação acaba ficando muito mais nas mãos da política monetária. As expectativas de que o aumento da Selic deve ser maior do que o esperado ganham força. Os juros mais elevados também prejudicam a Bolsa por si só já que aumentam a rentabilidade da renda fixa. 

Do lado internacional, o parlamento grego aprovou o segundo pacote de austeridade para colocar o país de volta às negociações para um resgate de 86 bilhões de euros em três anos. Lá fora, com a exceção do mercado chinês, as bolsas internacionais operam entre perdas e ganhos. As ações da China tiveram um momento de recuperação depois da bolsa de Xangai ter chegado a cair 30% em um período de praticamente um mês. 

Economia pior
A taxa de desemprego no Brasil saltou de 6,7% em maio para 6,9% em junho, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou dentro da expectativa do mercado, que trabalhava mesmo com um avanço para 6,9% no indicador. Em relação a junho de 2014, a variação foi de 2,1 pontos percentuais, saindo de 4,8% para o patamar atual.

Diante da piora na economia, o Bradesco BBI cortou a estimativa para o PIB de 2016 de 0,3% de crescimento para uma retração de 0,8%. Por sua vez, o Itaú reduziu a previsão da a alta da Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 0,5 ponto percentual para 0,25 p.p..

Destaques da Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 11,23, -1,32%; PETR4, R$ 10,18, -1,74%) viram para forte queda. No radar da estatal, segundo a XP Investimentos, a venda de blocos já era esperada, diz XP. A companhia teve o aval do Cade para vender 20% em campos para a PetroRio, segundo despacho publicado no Diário Oficial da União. A participação negociada é dos contratos de concessão dos campos de Bijupirá e Salema. No dia 1° de julho, a PetroRio disse que pagaria US$ 25 MM pelas concessões.

Junto com a petroleira recuam as ações de bancos como o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,27, -3,27%) e Bradesco (BBDC3, R$ 26,39, -4,11%; BBDC4, R$ 26,80, -3,35%). Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,68, -1,24%) também vira para queda. Vale lembrar que o setor financeiro é responsável pela maior participação dentro todos os outros na carteira teórica do Ibovespa: quase 30%. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 KROT3 KROTON ON 9,85 -5,92
 BRML3 BR MALLS PAR ON 12,83 -5,87
 QUAL3 QUALICORP ON 20,51 -5,74
 ITSA4 ITAUSA PN 8,21 -5,41
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 6,67 -4,85

 

 

Já a mineradora Vale (VALE3, R$ 17,47, +1,04%; VALE5, R$ 14,46, +1,69%) opera em alta depois de divulgar nesta manhã seu relatório de produção do segundo trimestre. A produção própria de minério de ferro da Vale entre os meses de abril e julho foi a maior da história para um segundo trimestre. A mineradora atingiu produção de 85,3 milhões de toneladas de minério no período, contra 79,5 milhões de toneladas para o mesmo trimestre do ano passado.

O montante representou uma alta de 7,4% na comparação com igual período do ano passado. A produção cresceu nos Sistemas Norte, Sudeste e Sul, principalmente devido às melhores condições climáticas no segundo trimestre do ano e maior utilização da Planta 2. A XP Investimentos destacou o Sistema Norte, cuja produção de Carajás continuou puxando o forte crescimento da produção da mineradora.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 FIBR3 FIBRIA ON 43,32 +3,19
 USIM5 USIMINAS PNA 3,84 +2,67
 BRKM5 BRASKEM PNA 12,89 +2,63
 GGBR4 GERDAU PN 6,05 +2,54
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 20,90 +2,25


As exportadoras registram ganhos hoje em meio à disparada do dólar frente ao real. Nas maiores altas do Ibovespa, figuram as ações das empresas de papel e celulose Fibria (
FIBR3, R$ 43,31, +3,17%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,18, +2,22%), além do frigorífico JBS (JBSS3, R$ 15,35, +1,79%). Já um pouco mais distante aparecem os papéis da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 23,91, +0,59%).

Grécia aprova austeridade
Depois de um amplo debate, que começou ontem (22) e se estendeu até a madrugada de hoje (23), foi aprovado pelo Parlamento grego o segundo pacote de reformas necessário para que avancem as negociações com credores internacionais sobre a ajuda financeira de 86 bilhões de euros à Grécia. Foram 230 votos favoráveis e 63 contrários. Um grupo de 36 parlamentares do Syriza, partido do governo, ou disse não ou se abstive de votar. Com a dissidência da base, o primeiro-ministro Alexis Tsipras mais uma vez teve que contar com votos da oposição para garantir a aprovação do pacote. 

O ex-ministro de Finanças Yanis Varoufakis, que na votação do dia 15 de julho disse não ao primeiro pacote, desta vez, apoiou as medidas. Para ele, as reformas são benéficas ao país. O texto aprovado na madrugada, de mais de 900 páginas, altera o código civil para acelerar o sistema Judiciário e regular o saneamento dos bancos.

O resultado permite à Grécia iniciar negociações formais com credores internacionais para efetivação de um programa de ajuda financeira que garanta empréstimos a Atenas no total de 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Este é o terceiro programa de ajuda ao país desde 2010.

Ontem, o Banco Central Europeu concordou em ampliar em 900 milhões de euros o teto de empréstimos aos bancos gregos por meio do mecanismo de liquidez de emergência (ELA, na sigla em inglês). A medida garante alívio ao sistema financeiro grego, pois permite que os bancos continuem a operar. Depois de três semanas de fechamento, as agências reabriram as portas na segunda-feira (20), mas o controle de capital continua. O limite de saque passou de 60 euros por dia para 420 euros por semana. Outras operações, como saque de cheques e transferência de dinheiro para outros países, ainda estão suspensas.

 

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