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"Tragédia grega" afunda o Ibovespa em dia de pessimismo global; dólar recua a R$ 3,10

Índice volta a recuar depois de mais um fracasso nas negociações da dívida grega com os seus credores; dados de produção industrial nos EUA vêm acima do esperado

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira (15) repercutindo novamente o cenário para a Grécia após mais uma decepção nas negociações do país com os seus credores internacionais. No domingo bastaram 45 minutos para que as conversas com os gregos fossem dadas como fracassadas. Por aqui ficam no radar as discussões sobre o ajuste fiscal depois de mais um episódio de tensão no relacionamento do governo com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Às 11h54 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 0,97%, a 52.831 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial recuava 0,52%, a R$ 3,0990 na compra e a R$ 3,1020 na venda. Vale lembrar que hoje é dia de vencimento de opções sobre ações. 

Para Angelo Larozi, analista da Walpires Corretora, o cenário está bastante conturbado para o mercado brasileiro. Ele explica que a Grécia e a reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee) vão ficar no centro das atenções dos investidores esta semana, que esperam por definições mais claras nestes fronts para poder tomar posições. Ele não vê o mercado ficando mais otimista no curto prazo com todas as preocupações no exterior se somando ao cenário interno que não vai bem com economia fraca e inflação acelerando. "Estamos em um cenário muito perigoso que acaba prejudicando a performance das ações", avalia.

Para ele, o Ibovespa corre o risco neste momento de romper a parte de baixo da zona de congestão em que tem operado entre 54.313 pontos e 52.650 pontos. "Se ele perder este suporte a gente pode ter novas sessões de baixa e realizações", explica. O objetivo de uma eventual queda se confirmada a perda do suporte ficaria nos 51.985 pontos. 

Grécia gera preocupação
As possibilidades de a Grécia entrar em default pela falta de acordo com seus credores mexem com o humor do mercado nesta segunda. Autoridades da União Europeia culparam Atenas pelo colapso da última rodada de conversas sobre a dívida da Grécia, que segundo as autoridades não ofereceu quaisquer novas concessões para assegurar os recursos de que precisa para pagar 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) até o fim deste mês.

"Dado que a Alemanha não vai aprovar nada parecido com alívio de dívida a este ponto, provavelmente vamos ver uma continuação deste jogo político de 'gato e rato' durante a reunião de ministros das Finanças do Eurogrupo na quinta-feira, e para além disso até o fim do mês", disse o analista-chefe de mercados da CMC Markets UK, Michael Hewson, em nota para clientes.

"Isso nos leva a perguntar o porquê de não podermos pôr um fim nesta charada que sugere que um acordo é possível, e acelerar o tempo até o momento no final do mês quando o default acontece e podemos passar para a próxima etapa do processo", disse Hewson.

Ações em destaque
As ações da Vale (VALE3, R$ 20,70, -2,17%; VALE5, R$ 17,51, -2,07%) operam em queda. O minério de ferro negociado no porto de Tianjin iniciou a semana com queda de 0,8%, cotado em US$ 64,50 a tonelada. Já o do porto de Qingdao caiu 1,35%, a US$ 64,25. Na frente macro, os dados de venda de veículos da China vieram fracos e continuam a mostrar que o mercado está desacelerado e que vendedores continuam a dar grandes descontos, destacou em relatório o JP Morgan. De acordo com o FT, o ex-secretário do Tesouro Paulson disse que a China corre um sério risco caso não acelere as reformas de suas empresas estatais.

Além disso, a agência de classificação de risco Fitch Ratings informou o mercado, na noite da última sexta-feira (12), que afirmou os ratings em moeda estrangeira e local da Vale em ‘BBB+’. Já o rating da companhia em escala nacional permaneceu em ‘AAA(bra)’. A perspectiva sobre o risco dos investimentos é considerada estável pela agência, lembra a equipe de análise da XP Investimentos em relatório ao mercado.

As ações da Sabesp (SBSP3, R$ 16,57, -4,88%) registram uma das maiores quedas nesta sessão. A Fiesp entrou com pedido de liminar contra o reajuste de 15,24% nas contas da Sabesp, segundo informações do jornal Valor Econômico, alegando que o reajuste extraordinário é ilegal.  Em resposta à liminar, a companhia informou que o reajuste obedeceu a preceitos legais. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 SBSP3 SABESP ON 16,56 -4,94
 POMO4 MARCOPOLO PN N2 2,57 -3,02
 TIMP3 TIM PART S/A ON 9,31 -2,92
 BRAP4 BRADESPAR PN 11,54 -2,70
 CSNA3 SID NACIONAL ON 5,97 -2,61

 

 

Já a Petrobras (PETR3, R$ 14,27, +0,63%; PETR4, R$ 13,06, +0,31%) opera em alta, mas tem uma sessão volátil. O professor da Stern School of Business e considerado o "papa do valuation", Aswath Damodaran, destacou nesta segunda-feira um cenário bastante desolador para a Petrobras. "A Petrobras está além da redenção", afirmou o professor, fazendo duras críticas ao governo brasileiro e à utilização das estatais como forma para promover interesses políticos. "A corrupção da Petrobras é só um sintoma. O grande problema é que, por décadas, a companhia tem sido exaurida em nome de objetivos políticos", afirmou em entrevista por telefone ao jornal. 

Por outro lado, o JP Morgan elevou a recomendação da petroleira de neutro para overweight (desempenho acima da média do mercado) e aumentou o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) para o final de 2016 de US$ 7,00 para US$ 10,50 para os ADRs e de R$ 11,00 para R$ 18,00 para os papéis PETR3 e PETR4.  

Ainda no noticiário da estatal, a companhia informou ter recebido em 12 de junho US$ 1,5 bilhão do financiamento assinado em 20 de maio com o Banco de Desenvolvimento da China. Além disso, destaque para a notícia do jornal O Globo de que a petrolífera tem perda bilionária com atraso para atracar em porto de Macaé. De acordo com fontes técnicas, a falta de espaço para atracar as embarcações de apoio à exploração de petróleo estaria provocando, em média, uma fila de espera de um dia, com pelo menos 12 barcos. Em 12 meses, os gastos estimados, diz uma fonte ouvida pelo jornal, ficam entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, ou R$ 1,5 bilhão.

Outras perdas ganham destaque: as subsidiárias da Petrobras perdem R$ 280 milhões com corrupção, conforme destaca reportagem da Folha. No mercado de commodities, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) recua 0,97%, a US$ 59,35, ao passo que o Brent cai 1,86%, a US$ 62,68. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 1,33 +2,31
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,64 +1,33
 CESP6 CESP PNB 20,01 +1,32
 EMBR3 EMBRAER ON 24,29 +0,62
 PETR3 PETROBRAS ON 14,26 +0,56

Do lado positivo subiam as ações da Embraer (EMBR3, R$ 24,29, +0,62%). A companhia anunciou 50 pedidos firmes para seus jatos de corredor único na feira de Paris nesta segunda-feira avaliados em um total de 2,6 bilhões de dólares. As encomendas, que também incluem dezenas de opções para mais jatos, vêm de companhias aéreas como a United Airlines, da United Continental Holdings, SkyWest e Colorful Guizhou, e da empresa de leasing Aircastle.

As ações da Rumo (RUMO3, R$ 1,32, +1,54%) subiam forte depois de uma abertura em queda. A companhia aprovou um grupamento de 10 para 1 para os seus papéis. 

Cenário doméstico
Neste fim de semana Eduardo Cunha, que já tinha defendido o fim da aliança entre o PMDB e o PT nas eleições presidenciais de 2018 subiu o tom contra a presidente Dilma Rousseff (PT) no Twitter. Cunha postou uma série de mensagens na rede social, nas quais afirma que petistas agridem porque não conseguem debater e "convencer de suas posições". No Congresso do PT diversos militantes do partido vaiaram e hostilizaram o deputado, que agradeceu ironicamente às manifestações e disse que "ficaria preocupado se fosse aplaudido lá". 

Também fazia pressão por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,3% para uma de 1,35%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções foram de um avanço de 8,46% para um maior, de 8,79% este ano. O teto da meta do Banco Central é de 6,5% ao ano.

Indicadores nos EUA
O mercado ainda esperava pelos dados da produção industrial nos Estados Unidos, que registrou uma queda de 0,2% em maio, ante os 0,3% de expansão esperados pela mediana dos analistas. Em abril, o indicador recuou 0,5%. A utilização da capacidade também ficou abaixo do esperado, em 78,1%, contra expectativas de 78,3%. Dados fracos nos EUA costumam impulsionar as bolsas internacionais por diminuírem a chance de que o Federal Reserve realize um aumento de juros antes do esperado este ano. Esta quarta-feira (17) terá reunião do Fomc.  

As bolsas norte-americanas operam em quedas entre 0,8% e 1%. 

 

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