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Grécia freia otimismo na semana, mas Ibovespa sobe 0,71%; dólar recua

Índice tem leve alta em semana marcada por informação de que JCP não deve acabar do lado positivo e tragédia grega do lado negativo; semana que vem será decisiva

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (12) seguindo o movimento negativo das bolsas mundiais. Na semana, no entanto, o desempenho ficou positivo em 0,71%, depois da forte alta da quarta-feira. Ontem, o FMI (Fundo Monetário Internacional) surpreendeu ao deixar as negociações em Bruxelas por conta de diferenças com a Grécia. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que espera por "propostas sérias" do país. 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou em queda de 0,64%, a 53.347 pontos nesta sexta. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 5.028 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,39%, a R$ 3,1164 na compra e a R$ 3,1181 na venda. No mercado de juros futuros teve influência o relatório do Credit Suisse revisando a sua projeção para a taxa Selic em 2015 para 14,75%. O DI para janeiro de 2017 subiu 1 ponto-base, para 13,89%, ao passo que o DI para janeiro de 2020 recuou 4 pontos-base, para 12,83%. 

Na avaliação do economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, o mercado está chegando a uma fase em que "alguma coisa vai acontecer", já que o assunto Grécia já está pesando há muito tempo e uma conclusão para a tragédia grega, seja em acordo, seja em default, está perto de ocorrer. Para ele, os investidores aproveitam a sexta para zerar posições e diminuir o risco em vista da indefinição no cenário atual. "Depois de uma decisão é que teremos uma visão um pouco mais clara em bolsa", disse.

Dia de tragédia grega
Nas bolsas internacionais, o impacto das preocupações com a Grécia foi visível. Com a exceção do índice FTSE 100, bolsa de Londres, todas as bolsas mais relevantes caíram mais de 1% nesta sexta. A um oceano de distância, o desempenho dos índices de ações dos Estados Unidos também caíram. Durante o dia, a Alemanha até tentou amenizar o clima de embate entre a Grécia e seus credores ao afirmar que quer manter o país na zona do euro e que um resgate de Atenas sem o FMI é "impensável", lembra a equipe de análise da XP Investimentos.

O problema é que já surgem rumores de que a Alemanha está se preparando para um default grego. Durante o fim de semana, a Grécia ainda pode apresentar uma proposta decisiva para responder às críticas de que faz muito debate e faz pouco na direção de levar uma proposta aceitável aos seus credores. 

Vindo para o Brasil, ficaram no radar os eventos com a presença de Joaquim Levy e da presidente Dilma Rousseff (PT). No Rio de Janeiro, durante a 73ª plenária do Grupo dos 30, Levy disse que o Brasil conseguiu afastar o risco de rebaixamento de rating, contrariando informação do Valor Econômico desta semana que falava sobre possível corte da nota de crédito soberana brasileira em julho. Ele ainda falou sobre o Plano de Comércio Exterior, que deve ser anunciado em breve e será "muito realista" na avaliação do ministro. Já no Congresso do PT, Dilma tenta defender Levy dos ataques da própria base do partido.

Semana de indefinição
Talvez a palavra que mais tenha marcado esta semana na Bolsa seja "indefinição". Os investidores esperam sinais claros antes de tomarem posições mais radicais, o que fez com que a tendência dos últimos dias na Bovespa fosse de movimento lateral. O desempenho semanal foi uma alta de 0,71%.

Uma tentativa de escape ocorreu na quarta, quando a Bolsa teve uma forte recuperação com uma notícia do Valor Econômico de que o Ministério da Fazenda não tem no seu horizonte próximo a ideia de acabar com os juros sobre capital próprio e tributar dividendos. Apesar do incremento de mais de R$ 15 bilhões que a medida poderia trazer, a queda nos investimentos, principalmente dos estrangeiros, que respondem por 52% do capital que circula na BM&FBovespa diariamente, não é uma boa ideia no momento atual do país. A resposta da Bolsa foi uma alta de 2%. 

Contudo, logo veio a Grécia e uma correção dos bancos para trazer o mercado de volta para terreno neutro. O FMI abandonou as negociações em Bruxelas e deixou investidores perplexos. Como o país mais "problemático" da zona do euro irá pagar sua dívida sem um acordo com a instituição? A resposta foi a queda do Ibovespa vista hoje. 

Para os DIs, a semana foi de alta primeiro por conta da inflação, que chegou a 8,47% no acumulado de 12 meses segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado na quarta. Com o teto da meta do Banco Central em 6,5% é de se esperar que a autoridade monetária decida tomar medidas drásticas para fazer a inflação recuar. Na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), foi isso mesmo que o BC indicou ao falar que os avanços realizados até agora na política monetária "não foram suficientes" e que a autarquia precisa de "determinação e perseverança para impedir a transmissão da inflação para prazos mais longos". 

No caso do câmbio, apesar da alta hoje, houve queda na semana com investidores esperando um forte fluxo cambial por conta das captações de empresas no exterior. O dólar comercial caiu 1,03% nos últimos cinco dias. 

Semana que vem será de decisão
O impasse dos últimos dias, contudo, deve acabar na semana que vem. A decisão do Fomc (Federal Open Market Comittee) deve mostrar uma direção clara para a política monetária dos Estados Unidos, que veem uma melhora gradual na sua economia depois de um primeiro trimestre negativo. Também deve ser a semana na qual a Grécia decide se irá realizar o acordo com os seus credores ou se haverá um default possivelmente seguido pela tão temida "Grexit", a saída do país da zona do euro. 

Ações em destaque hoje
Do lado negativo, depois de dois pregões de ganhos, as ações da Vale (VALE3, R$ 21,16, -0,80%VALE5, R$ 17,88, -0,78%) caíram nesta sexta-feira. A produção de minério de ferro da China caiu 9,9% em maio ante o mesmo mês de 2014, para 117,66 milhões de toneladas, informou nesta sexta-feira o departamento de estatísticas do país. Mas a produção da commodity subiu 13% ante o volume produzido em abril deste ano. Com mais minério no mercado mundial, as chances de valorização da Vale ficam menores. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 CYRE3 CYRELA REALT ON 9,77 -4,03 -8,62
 NATU3 NATURA ON 28,86 -3,41 -5,96
 TIMP3 TIM PART S/A ON 9,59 -2,64 -17,20
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 81,29 -2,52 -16,81
 USIM5 USIMINAS PNA 4,70 -2,49 -6,42

Acompanharam o movimento da mineradora as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,86, -0,75%), holding que detém participação na Vale, além das siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 4,70, -2,49%), CSN (CSNA3, R$ 6,13, 0,00%) e Gerdau (GGBR4, R$ 8,60, -1,26%). A Gerdau fez hoje em Nova York o Gerdau Day para investidores e analistas. André Gerdau Johannpeter, CEO (Chief Executive Officer), da companhia disse que as exportações do minério de ferro não são viáveis a preços atuais. Gerdau vê "quedas grandes" no consumo na maioria dos segmentos, reforçando que o Brasil passa por ambiente desafiador. "As medidas de austeridade são necessárias", comentou. 

Do lado dos bancos, eles estenderam as perdas da véspera, depois de subir forte com notícias de que o governo não está tão inclinado assim a tributar dividendos e acabar com os juros sobre capital próprio. Recuram Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,20, -1,04%), Bradesco (BBDC3, R$ 26,57, -0,45%BBDC4, R$ 27,77, -1,87%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,50, -1,42%). 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 EMBR3 EMBRAER ON 24,14 +2,94 -0,97
 GOLL4 GOL PN N2 7,78 +1,83 -48,75
 SANB11 SANTANDER BR UNT 16,36 +1,61 +23,92
 QUAL3 QUALICORP ON 21,05 +1,45 -22,96
 CTIP3 CETIP ON 33,58 +0,99 +6,84

Do lado neutro, os papéis da Oi (OIBR4, R$ 6,21, +0,16%) ficaram quase no zero a zero. A empresa de telefonia vai recomprar até 333,1 milhões de euros em oferta por títulos com vencimentos em 2016 e 2017. A companhia aceitou 173,7 milhões em ofertas preferenciais e 141,4 milhões de euros em ofertas não-preferenciais, segundo o comunicado da empresa. Na quinta-feira, a operadora captou 600 milhões de euros em bonds para 2021. Segundo Flavio Guimarães, diretor-financeiro da Oi, a captação é parte de uma estratégia mais ampla para melhorar perfil de dívida da empresa. 

As ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,18, +0,21%PETR4, R$ 13,02, -0,23%) fecharam entre perdas e ganhos. A tão esperada reunião do conselho da estatal ainda não está confirmada para o dia 26 de junho, quando o colegiado aprovaria o novo plano de negócios da companhia. Além disso, a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Dilma Rousseff mantêm conteúdo local e modelo de partilha.

Apesar da alta do dólar, a Embraer (EMBR3, R$ 24,14, +2,94%) é a única exportadora que viu suas ações se valorizarem hoje. Segundo informações do Valor, a companhia disse que está animada com a possibilidade de vender E-Jets para portuguesa TAP, adquirida ontem pelo consórcio Gateway, integrado pelo empresário David Neeleman, dono da brasileira Azul. A TAP tem 77 aviões, sendo 61 Airbus e oito aeronaves da Embraer. Vale mencionar que entre as posições que o megainvestidor George Soros se desfez no Brasil, conforme informado ontem à SEC (Securities and Exchange Commission), estão ações da Embraer.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 33,20 -1,04 446,68M
 PETR4 PETROBRAS PN 13,02 -0,23 386,74M
 VALE5 VALE PNA 17,88 -0,78 261,29M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 27,77 -1,87 226,22M
 KROT3 KROTON ON 12,50 +0,40 180,38M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 81,29 -2,52 159,43M
 PETR3 PETROBRAS ON 14,18 +0,21 133,52M
 ABEV3 AMBEV S/A ON EJ 18,68 -0,37 126,09M
 ITSA4 ITAUSA PN 8,56 -0,23 112,88M
 CIEL3 CIELO ON 41,41 -0,60 109,13M

* - Lote de mil ações 
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Ação bola craque da semana
A ação que mais subiu na semana foi Estácio (ESTC3, R$ 20,60, +13,12%). Os acionistas da empresa devem agradecer ao ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro por isso. Sofrendo desde o começo do ano com as mudanças que dificultam a obtenção do Fies (Fundo de Financiamento Infantil), a companhia disparou depois que o ministro anunciou o Fies parte II. De detalhes pouco se sabe, mas está entre os objetivos do governo dar mais atenção à formação de professores e às áreas de saúde e engenharia.  

Ação bola murcha da semana
Do lado negativo não poderia dar outro setor que não o de imobiliárias. A Cyrela Realty (CYRE3, R$ 9,77, -9,12%) sofreu com as sinalizações "agressivas" no sentido de aumento dos juros do Banco Central e à inflação alta. Incorporadoras são muito sensíveis à acessibilidade ao crédito em vista da da sua operação. Mais juros então, igual a menos receita para elas. 

 

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