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Ibovespa volta ao 'marasmo' com espera por definição de questões econômicas

Índice começa a semana em alta; IPCA e ata do Copom ficam no radar dos investidores esta semana

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa voltou a operar entre perdas e ganhos nesta segunda-feira (8), refletindo a indefinição no mercado. Lá fora, as outras bolsas de mercados emergentes recuam pelo 11º dia seguido após a queda acima do previsto das importações chinesas. Por aqui, ficam no radar as declarações da presidente Dilma Rousseff em entrevista exclusiva ao Estado de S. Paulo defendendo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, antes do Congresso do PT. 

Às 15h25 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tem leve baixa de 0,03%, a 52.959 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial tem queda de 1,13%, a R$ 3,1139 na compra e a R$ 3,1151 na venda, enquanto o dólar futuro para julho cai 0,95%, a R$ 3,141. No mercado de juros futuros, o contrato DI para janeiro de 2017 cai 0,10 ponto percentual, a 13,55%, ao passo que o DI para janeiro de 2020 cai 0,11 p.p., a 12,60%. 

O analista da Walpires Corretora, Angelo Larozi, disse que o Ibovespa está em compasso de espera, com investidores procurando uma definição para questões como o ajuste fiscal e a elevação de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve. Além disso, a situação da Grécia também preocupa e encontra-se indefinida. 

O mercado ainda reflete a divulgação do Relatório Focus, que mostrou elevação nas projeções de inflação e redução na expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto). Nesta semana os investidores ficarão de olho no IPCA que sairá na quarta-feira, assim como na ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que será divulgada na quinta. A expectativa é que a ata traga mais indicações acerca dos próximos passos do aperto monetário que vem sendo realizado pelo Banco Central. Na reunião da última quarta o BC elevou a Selic de 13,25% a 13,75% ao ano.

Os investidores ainda esperam por mais detalhes sobre o novo plano de concessões de infraestrutura do governo. A ampliação do valor do plano, que ainda poderá sofrer revisão, foi discutida neste final de semana em reunião da presidente com ministros envolvidos na elaboração do pacote, que é a aposta do governo para estimular o crescimento da economia.

Segundo relatório ao mercado da XP Investimentos, A estimativa originalmente em discussão estava em torno de R$ 134 bi, mas na reunião deste domingo (7), que durou quase cinco horas, foi definida uma turbinada dos investimentos. O valor deve crescer em mais R$ 54 bi com a inclusão no plano do acordo internacional para a construção da ferrovia bioceânica (entre o Peru e o Brasil com participação chinesa), a Rio-Vitória e os processos já iniciados em 2014 de Manifestação de Interesses (PMIs), no qual as empresas interessadas nas concessões se candidatam a elaborar o projeto.

Hoje, além do Relatório Focus, também foram divulgados os indicadores antecedentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que apontaram para um enfraquecimento econômico no Brasil, na China, nos Estados Unidos e no Canadá. No caso do Brasil, o dado recuou para 99,0 em abril, de 99,1 em março, sinalizando "perda de ímpeto no crescimento", enquanto na Rússia o resultado avançou para 99,6, de 99,3, sugerindo uma "mudança positiva do ímpeto de crescimento", de acordo com pesquisa mensal da OCDE. Na China, a leitura declinou para 97,5, de 97,7, com "amenização" da expansão.

Ações em destaque
Os bancos Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,20, +0,15%) e Bradesco (BBDC3, R$ 26,05, +0,50%; BBDC4, R$ 27,82, +1,02%) sobem nesta segunda, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,25, -0,36%) cai. É vetor de alta a notícia de que o julgamento dos planos econômicos no Supremo Tribunal Federal (STF), tema que preocupa o governo em razão do impacto no sistema financeiro, só deve ocorrer assim que o 11º ministro da Corte, Luiz Edson Fachin, se disser apto a julgar o caso, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo.

A discussão sobre a constitucionalidade dos planos econômicos nas décadas de 80 e 90, que teriam provocado perdas no rendimento das cadernetas de poupança, está parada há mais de um ano por falta do quórum mínimo de oito ministros para análise do tema.

Já os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 13,62, +0,74%; PETR4, R$ 12,60, +0,32%) viraram para alta. O noticiário segue movimentado nesta segunda-feira, também repercutindo o que foi revelado no último final de semana.  Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo do último final de semana, um documento da Petrobras indica que o ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa viajou a Brasília, em 2006, para se reunir com o então presidente Lula, com a finalidade de tratar da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos. O encontro teria ocorrido um mês antes da compra da planta de refino ser autorizada. 

No caso do Brasil, o dado recuou para 99,0 em abril, de 99,1 em março, sinalizando "perda de ímpeto no crescimento", enquanto na Rússia o resultado avançou para 99,6, de 99,3, sugerindo uma "mudança positiva do ímpeto de crescimento", de acordo com pesquisa mensal da OCDE. Na China, a leitura declinou para 97,5, de 97,7, com "amenização" da expansão.

Em meio aos dados fracos da China, a Vale (VALE3, R$ 20,16, -2,14%; VALE5, R$ 17,14, -2,67%) registra queda. As exportações da China caíram menos que o esperado no mês passado, mas as importações recuaram a um ritmo mais forte, aumentando receios acerca de uma desaceleração da economia e dando a Pequim novos motivos para adotar mais medidas de estímulo. As exportações da China em maio caíram 2,5% em dólares na comparação com o ano anterior, uma queda menor do que a esperada pelo mercado, enquanto as importações tombaram 17,6%.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 RUMO3 RUMO LOG ON 1,39 +4,51
 DTEX3 DURATEX ON 8,23 +3,13
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 8,33 +3,09
 NATU3 NATURA ON 30,73 +2,43
 LREN3 LOJAS RENNER ON 109,67 +2,40

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 OIBR4 OI PN 6,19 -6,07
 BRAP4 BRADESPAR PN 11,39 -3,56
 USIM5 USIMINAS PNA 4,74 -3,46
 MRFG3 MARFRIG ON 3,88 -3,24
 FIBR3 FIBRIA ON 42,93 -3,11
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

Importações na China
Após a divulgação das importações chinesas vir abaixo do esperado, as bolsas asiáticas tiveram fechamentos diversos nesta segunda-feira (8), temendo desaceleração na economia do gigante continental. 

As exportações da China caíram menos que o esperado no mês passado, mas as importações recuaram a um ritmo mais forte, aumentando receios acerca de uma desaceleração da economia e dando a Pequim novos motivos para adotar mais medidas de estímulo. As exportações da China em maio caíram 2,5% em dólares na comparação com o ano anterior, uma queda menor do que a esperada pelo mercado, enquanto as importações tombaram 17,6%.

Considerando expectativas de uma leve recuperação nos níveis de importação em maio devido aos preços do petróleo em recuperação, "a queda contínua nas importações sugerem que fatores no lado da demanda - consumo doméstico enfraquecendo - estão atuando", disse o economista da Forecast Pte Chester Liaw à Reuters.

Grécia e Rússia preocupam G7
Na Europa, o dia é de leves perdas enquanto as tensões geopolíticas seguem eliminando o apetite por riscos por parte do mercado. A exceção fica por conta dos papéis do Deutsche Bank, que sobem forte após rumores de renúncia na diretoria. O índice FTSEurofirst 300, depois de um começo de pregão mais otimista, acompanhou o movimento negativo das principais bolsas do continente.

No plano geopolítico, mexem com o humor dos mercados a notícia de que líderes do G7 decidiram manter sanções contra a Rússia enquanto o presidente Vladimir Putin e os separatistas por ele apoiados não firmarem um termo de paz com a Ucrânia, além do clima de tensão quanto à capacidade da Grécia honrar o pagamento de suas dívidas. As expectativas são de que novas negociações tomem posto nesta semana. 

As tensões sobre a natureza prolongada das negociações veio à tona domingo, quando o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker acusou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras de distorcer propostas de reforma por parte dos credores da Grécia e de arrastar os pés em oferecer um plano alternativo.

 

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