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Cenário catastrófico caso Levy saia mostra que investidor precisa ter prudência

Perda do grau de investimento do Brasil e disparada do dólar a R$ 3,40 caso Levy entregue o cargo estão no radar das previsões do mercado

Joaquim Levy
(Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados)

SÃO PAULO - O mercado acordou preocupado nesta segunda-feira (25) depois de notícias veiculadas por toda a imprensa apontarem que o possível descontentamento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com o número divulgado pelo governo para o corte de gastos poderia culminar na sua saída. No final da manhã, Levy negou qualquer desentendimento com o Planalto e confirmou que estava realmente gripado (motivo que o fez se ausentar do anúncio do corte na sexta-feira). A reação do mercado foi imediata: o Ibovespa saiu do negativo a passou a operar no azul, enquanto o dólar e o DI futuro amenizaram as altas.

O mal estar passageiro entre Levy e governo pode ter passado, mas é bem provável que outras "gripes" possam sondar os corredores da Fazenda durante as negociações sobre o ajuste de contas. E a reação extremamente pessimistas dos investidores com uma possível saída do ministro - visto hoje quase como um super heroi do governo - deixa claro porque esses "ruídos" trazem tanta volatilidade.

"Todo gestor prudente pensa em uma possível saída de Levy", disse, o sócio da gestora Queluz, Mauricio Pedrosa. Já o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, acredita que uma eventual saída de Levy aumentaria as chances de perda do "grau de investimento" do Brasil, visto que as principais agências de classificação de risco depositaram uma enorme confiança no trabalho que o ministro vem fazendo para sanear a situação das contas públicas.

"Seria uma quebra de previsibilidade para o investidor, porque o Levy ancorou as expectativas do mercado. A saída dele seria uma desancoragem radical", explica um gestor que não quis ser identificado. Inevitavelmente, a saída de Levy e esta provável perda do grau de investimento "expulsaria" os investidores estrangeiros do País. Na mesma toada, os brasileiros provavelmente migrariam para ativos mais seguros como a renda fixa ou apostariam "contra o País", já prevendo este movimento dos gringos. Duas maneiras de fazer isso seriam, por exemplo, comprar dólar ou investir em juros futuros, precificando também um aumento na taxa Selic para conter esta fuga de recursos. 

Para onde iria dólar, DI e Bolsa?
Se essa saída do Levy se tornasse realidade, o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, enxerga um cenário de alta do dólar até R$ 3,40, Ibovespa recuando até a faixa dos 50 mil pontos e os contratos de DI para 2018 saltando de 12,85% para 13,30%.

"A probabilidade do governo entregar um [resultado] fiscal melhor ficaria mais distante", afirma. Diante do déficit de 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto) que o Brasil registrou em 2014, fica claro o motivo para tamanha preocupação com o ajuste fiscal planejado por Levy. 

A recuperação vista hoje do Ibovespa indica que o mercado acredita que Levy deve ficar no cargo. O cenário base do analista político da Arko Advice, Cristiano Noronha, é de que Joaquim Levy não deixará o governo e que, mesmo com divergências, não está isolado. Se houver uma saída, o governo sofreria turbulência e grande dificuldade para reconquistar toda a credibilidade que conseguiu com a indicação do ministro. "Houve descontentamento, mas ele não sai", afirmou.

Num primeiro momento, Levy deve ficar e o mercado respondeu rapidamente a essa permanência. Mas tendo em vista os riscos implícitos em uma eventual saída, vale a pena ficar de olho na veracidade dos próximos diagnósticos do ministro.

 

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