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Usiminas desaba 10%, PDG e Oi afundam após balanço e Vale ON cai 4%

Confira os principais destaques de ações da Bolsa no pregão desta quinta-feira

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa operou volátil nesta quinta-feira (7). O índice iniciou a sessão em alta mas logo virou para queda. O movimento, no entanto, foi amenizado, com o benchmark tentando não se afastar muito do patamar dos 57.000 pontos. A instabilidade da sessão hoje foi ditada pelas ações da Petrobras e Vale. Depois de abrirem em alta, virarem para queda, conseguirem leve recuperação, os papéis das duas empresas fecharam em perdas, mas, em ambos os casos, as preferenciais mostraram um desempenho bem mais ameno do que as ordinárias (que, em abril, foram as que mais subiram).

Além delas, o mercado sentiu o peso da forte queda dos papéis das siderúrgicas, que seguiram em derrocada na Bolsa. Também entre os destaques, chamaram atenção ainda as ações da Oi, que ficaram entre as maiores as perdas após seu balanço do primeiro trimestre, enquanto fora do índice a PDG desabou 12% também por conta do resultado.

Confira abaixo os principais destaques da Bolsa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 14,65, -1,08%; PETR4, R$ 13,70, +0,44%)
As ações da Petrobras tiveram sessão extremamente volátil hoje. Depois de abrirem em alta, os papéis viraram para queda, mas recuperaram e operaram no negativo. O mercado segue indefinido entre a ata do Copom, que deixou claro a sinalização de alta do juros, a fala da presidente do Federal Reserve na véspera, Janet Yellen, e os desdobramentos políticos com a aprovação de parte do ajuste fiscal defendido pelo governo. 

Apesar do movimento de hoje, lá fora, os preços do petróleo caíram forte após indicação do Irã de que poderá aumentar a produção. O petróleo Brent, usado como referência pela Petrobras, caía 2,17%, a US$ 66,30. 

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Vale (VALE3, R$ 23,88, -4,217%; VALE5, R$ 19,20, -0,93%) 
Os papéis da Vale apresentaram uma sessão bastante volátil. Chegaram a cair forte durante a manhã, recuperaram parte das perdas à tarde, chegando a zerar a queda, mas voltaram a recuar forte no final do pregão. Merece menção, no entanto, que as ações da VALE3 foram bem mais penalizadas do que VALE5, dado o descolamento que elas vêm apresentando desde abril. 

O que operadores de mercado vêm comentando nos últimos dias é que as ações ordinárias da mineradora têm sido fortemente demandada pelos vendidos. Segundo o Credit Suisse e XP Investimentos, o aluguel do papel está seco no BTC, enquanto a demanda continua aquecida. Na terça-feira, a disparada das ações de 9% pode ter sido motivada por um aperto dos vendidos ("short squeeze"), comentaram.

No radar, os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuaram 3% nesta quinta-feira, após a Rio Tinto anunciar que vai continuar com planos para produzir a commodity a todo o vapor.

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Eletrobras (ELET3, R$ 8,23, -4,97%; ELET6, R$ 9,96, -6,04%)
Na mesma toada, as ações da Eletrobras, que vinham de forte movimento positivo nos últimos dias, caíram forte hoje na Bolsa. Segundo o analista da XP Investimentos, Celson Placido, o julgamento marcado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para 19 de maio sobre um possível voto abusivo da União na aprovação da renovação das concessões da estatal de energia em 2012, é o que estava ajudando na disparada das ações da Eletrobras. Nos três primeiros pregões desta semana, os papéis preferenciais da companhia saltaram 20%. 

Siderúrgicas
Além da Eletrobras, entre as maiores quedas aparecem os papéis das siderúrgicas, que também vinham subindo forte nos últimos dias em meio à euforia do mercado vivida no mês de abril e nos primeiros dois pregões de maio. No setor caíram todos os papéis: CSN (CSNA3, R$ 8,35, -7,73%), Usiminas (USIM5, R$ 6,27, -10,04%), Gerdau (GGBR4, R$ 10,06, -1,85%) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 9,80, -3,45%). Ontem, CSN e Gerdau soltaram seus balanços do primeiro trimestre. A Usiminas reportou seus números no final do mês passado.  

Oi (OIBR4, R$ 5,74, -5,90%)
Já entre os papéis que repercutiram hoje a temporada de balanços, a operadora de telefonia Oi desabou na Bolsa. A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2015 com prejuízo líquido consolidado de R$ 401,3 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 228 milhões obtidos no mesmo período do ano passado, em um desempenho mais fraco que a média esperada pelo mercado. Analistas, em média, esperavam prejuízo líquido de 342 milhões de reais para a Oi, com Ebitda de 1,97 bilhão. O resultado do primeiro trimestre inclui os impactos contábeis da descontinuação das operações da PT Portugal SGPS desde que o ativo foi colocado à venda, disse a Oi. Nas operações continuadas, a Oi teve prejuízo de R$ 414 milhões.

A receita líquida fechou o trimestre com leve baixa de 0,9% sobre o período de janeiro a março de 2014 e com recuo de 3,9% sobre os três últimos meses do ano passado, a cerca de R$ 7 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Oi totalizou R$ 2,011 bilhões no período, uma baixa de 34,6% na comparação anual. A margem Ebitda da Oi recuou no período de 43,3% para 28,6%.

BB Seguridade (BBSE3, R$ 36,10, +0,78%)
A BB Seguridades teve lucro líquido de R$ 949 milhões no primeiro trimestre, alta de 46% sobre igual período do ano anterior. Guide Investimentos e XP Investimentos comentaram que os resultados surpreenderam positivamente o mercado. 

Para a Guide, o bom resultado foi uma função de forte desempenho operacional e pelo resultado financeiro, com melhoras nos negócios das coligadas e controladas, destacando a melhora observada tanto na BB Corretora como na BB Mafre. 

Lojas Renner (LREN3, R$ 109,72, +5,00%)
As ações da Lojas Renner deram continuidade ao forte movimento após divulgação do resultado do primeiro trimestre, no dia 30 de abril. Naquele pregão, as ações saltaram 9,8%. Entre os primeiros meses do ano, a varejista mostrou lucro líquido de R$ 73,2 milhões, alta de 43,8% na comparação com o mesmo período de 2014. Na ocasião, a XP Investimentos comentou que o balanço da companhia foi "impressionante", com melhora no Ebitda, tanto na margem quanto no crescimento operacional, aliado ao crescimento nas vendas das mesmas lojas (que considera lojas abertas há pelo menos um ano), de 16,5%
.

Natura (NATU3, R$ 31,25, -5,73%
Por outro lado, as ações da Natura caíram forte após quatro pregões seguidos de ganhos (+27%), também em reação ao resultado do primeiro trimestre. Nos últimos dias, operadores têm comentado que o papel têm sido fortemente demandado pelos vendidos. Ontem, mais de 15,6 milhões de ações da companhia estavam alugadas - no maior patamar desde agosto do ano passado.

Ultrapar (UGPA3, R$ 70,85, -0,10%)
A Ultrapar soltou seu resultado ontem à noite, divulgando mais uma vez números sólidos e reforçando a resiliência do seu negócio, comentou a Guide Investimentos. A empresa registrou receita líquida de R$ 17,4 bilhões, crescimento de 9% na comparação anual, apesar da desaceleração econômica. O Credit Suisse também viu os números com bons olhos, destacando o forte crescimento do Ebitda e lucro líquido, de 7% e 3% acima do que esperavam, respectivamente. 

Braskem (BRKM5, R$ 13,60, +0,15%)
A Braskem viu sua receita líquida cair 14% do primeiro trimestre de 2014 para 2015, indo para R$ 10,95 bilhões, pelos preços menores de petroquímicos, que seguiram com a dinâmica do mercado global, mas que foi suavizada pela depreciação média do real em 12% no período. Em dólares, a receita caiu 22%.  

O lucro líquido da empresa ficou em R$ 204 milhões, contra R$ 396 milhões no ano anterior, queda de 49%.  

Mills (MILS3, R$ 7,83, -0,63%)
A Mills, fornecedora de equipamentos de construção, registrou um prejuízo líquido de R$ 14,5 milhões no trimestre, contra resultado negativo de R$ 6,2 milhões registrado no mesmo período do ano passado.O Ebitda caiu 55,9%, para R$ 47,4 milhões, enquanto a margem Ebitda recuou de 30,6% para 28,9% estre trimestre.

Segundo o Credit Suisse, se o resultado for ajustado pela provisão para devedores duvidosos extra de R$ 9,8 milhões das companhias que entraram em recuperação judicial, o número até veio em linha com o esperado. Os analistas ressaltaram que o mais importante disso é o sinal dado pela empresa de manter o fluxo de caixa através de cortes de custos/investimentos e vendas de equipamentos usados. 

Hypermarcas (HYPE3, R$ 21,30, +3,40%)
A Hypermarcas confirmou nesta manhã que contratou assessoria de bancos de investimentos para analisar alternativas estratégicas para seu negócio de produtos descartáveis, substancialmente composto pelo portfólio de fraldas infantis e geriátricas. Tal negócio registrou receita líquida de R$ 858 milhões em 2014. Uma matéria do Valor feita antes do anúncio da empresa apontava que a venda poderia sair por R$ 2 bilhões, tendo cerca de seis empresas estrangeiros interessadas e o banco Merrill Lynch, que iria assessorar a operação. A empresa não confirmou nenhuma dessas informações. 

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,42, -12,50%)
A PDG encerrou o trimestre com prejuízo de R$ 161,7 milhões, revertendo o lucro de R$ 2,8 milhões no primeiros trimestre de 2014. Nos três primeiros meses do ano, a construtora lançou apenas um empreendimento com VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 23 milhões e 187 unidades. A companhia informou que o projeto já atingiu 70% de vendas até o momento.

Segundo a XP Investimentos, mais uma vez o resultado da companhia veio abaixo das expectativas. Já para o Credit Suisse, a receita líquida mais fraca já era esperada dado o menor nível de lançamentos, a despesas gerais e administrativas foi um ponto positivo e o prejuízo foi menor do que o esperado. Os analistas do banco suíço comentaram que gostaram da geração de caixa da empresa e veem a gestão tomando as decisões acertadas, embora acreditem que tudo isso já esteja precificado no papel. 

Sabesp (SBSP3, R$ 19,65, +2,99%)
O Credit Suisse iniciou cobertura das ações da Sabesp com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 21,00 por papel. Os analistas comentam que a expectativa de uma regulação mais amigável pudesse trazer um grau de visibilidade razoável para a empresa não se concretizou e eles enxergam os controladores da Sabesp diante de um cenário difícil onde tem que lidar com reservatórios em nível baixo, desafio de aumentar tarifa com uma oferta problemática e administrar uma empresa com uma situação financeira não muito favorável (alavancagem alta e fluxo de caixa negativo).

Anima
As ações da Anima (ANIM3, R$ 19,42, +3,85%) reagiram hoje à divulgação nesta manhã do balanço do primeiro trimestre. A empresa informou lucro líquido de R$ 65,8 milhões no período, valor 45,5% superior ao registrado no mesmo período de 2014. Segundo comentário da Planner, os resultados do trimestre vieram bons, com aumento na receita, lucro e Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Com a reação das ações da Anima hoje, outras empresas do setor também ganharam força na Bolsa com a proximidade da divulgação de seus resultados: Kroton (KROT3R$ 10,75,+2,28%) e Ser Educacional (SEER3R$ 14,14 +1,00%) sobem forte hoje. A exceção fica com a Estácio (ESTC3, R$ 18,25, -0,27%), que operou no negativo. A companhia reporta seu balanço hoje após o fechamento do pregão; Kroton divulga dia 12; e Ser, dia 15. 

No radar da Ser, aparece ainda a notícia de que a companhia contratou Antonio Carbonari Netto como vice-presidente de desenvolvimento e expansão. Segundo o Santander, o executivo ajudará no plano de expansão da companhia. 

Eucatex (EUCA4, R$ 3,62, +9,04%)
A Eucatex encerrou o período com lucro líquido de R$ 2,1 milhões, queda de 81,7% quando comparado com 2014. O lucro líquido recorrente, no entanto, caiu 75,6%, para R$ 4,2 milhões no trimestre. Já a receita líquida subiu 5,5% ao fechar o trimestre em R$ 278 milhões. O Ebitda ajustado recorrente fechou estável, em R$ 47,8 milhões, enquanto a margem Ebitda ajustada recorrente teve queda de 0,9 p.p, para 17,2%.

 

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