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Decepção com resultado afunda Embraer e Vale cai 5% com freio chinês; veja mais

Entre os destaques ainda estiveram os papéis ordinários da Usiminas, que já acumulam queda de mais de 50% desde fevereiro, ainda em meio à briga societária

Embraer - Phenon100
(Embraer)

SÃO PAULO - A Bolsa voltou a ter desempenho negativo nesta quinta-feira (5), com o Ibovespa fechando com queda de 0,20%, a 50.365 pontos. O grande destaque desta sessão ficou com a Embraer, que viu seus papéis afundarem na Bolsa em meio à decepção do mercado com os resultados da companhia - que levou a corte de recomendação para as ações.

No negativo ainda estiveram os papéis da Vale, que fecharam com fortes perdas em meio à desaceleração chinesa. O gigante asiático cortou sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 de expansão de 7,5% para 7%, o menor nível em 11 anos. O investidor ainda ficou de olho nas ações da Cetip (CTIP3, R$ 34,15, +0,09%), que deve divulgar seus resultados nesta noite.

Confira abaixo o que foi destaque hoje na Bolsa:

Petrobras (PETR3, R$ 9,21, +0,66%; PETR4, R$ 9,28, +0,76%)
As ações da Petrobras operaram instáveis nesta quinta-feira. A companhia informou logo pela manhã que foi liberada à captar US$ 19,1 bilhões, o que equivale a R$ 60 bilhões que o mercado calcula que precise para preservar seu caixa. No comunicado, a petroleira informa que, apesar do conselho ter dado sinal verde (em reunião realizada dia 27 de fevereiro), a companhia não é obrigada a captar esse montante. Além disso, já está em curso na Petrobras estudos para avaliar quais ativos serão desinvestidos pela empresa. Uma lista dos possíveis ativos está sendo revisada internamente e provavelmente mudará antes de chegar ao mercado, de acordo com duas pessoas com conhecimento ao assunto disseram à Bloomberg. No Brasil, teriam menos de 10 ativos, incluindo gasodutos.

Vale (VALE3, R$ 19,50, -4,36%; VALE5, R$ 16,94, -4,08%)
As ações da Vale fecharam em queda hoje com notícias ruins sobre a China, principal destino de suas exportações. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 12,17, -4,10%), holding que detém participação na mineradora. O gigante asiático cortou sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 de expansão de 7,5% para 7%, o menor nível em 11 anos. 

Embraer (EMBR3, R$ 24,50, -4,48%)
As ações da Embraer desabaram neste pregão após divulgação do balanço do quarto trimestre. A leitura do mercado é que os números da companhia vieram fracos. Após o balanço, o Bradesco BBI cortou a recomendação dos papéis da empresa para market perform (desempenho em linha com a média). O BTG Pactual disse que o resultado desapontou, citando as vendas, margens, lucro e Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) abaixo do esperado.

Em teleconferência, a empresa disse que ainda está tentando receber pagamentos atrasados do governo brasileiro que contribuíram para o fluxo de caixa negativo de 2014. Para 2015, a empresa diz que a possibilidade de haver fluxo de caixa negativo se deve a pesados investimentos.

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas esticaram os ganhos vistos ontem em meio à alta do dólar e um dia depois da divulgação do resultado da Gerdau, que teve boa leitura do mercado, com destaque para Brasil. Todos os papéis do setor subiram na Bolsa hoje: Gerdau (GGBR4, R$ 10,62, +1,82%), Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 11,79, +2,79%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,45, +0,23%). Após o balanço, o BTG reiterou hoje recomendação de compra para a Gerdau. 

No caso dos papéis da Usiminas, os investidores seguem acompanhando os ativos ordinários (USIM3, R$ 10,57, -13,50%), que já acumulam perdas de mais de 50% de fevereiro para cá, imersos ainda na briga societária da companhia entre Nippon Steel e Ternium. O analista técnico Lauro Vilares, da Guide Investimentos, explicou que a disparada de 250% dos papéis de dezembro até fevereiro foram muito exageradas, e que um movimento forte de correção é esperado, uma vez que os papéis devem corrigir na mesma intensidade e proporção.

Duratex (DTEX3, R$ 7,97, -3,16%)
As ações da Duratex seguiram em alta pelo terceiro pregão, acumulando ganhos de 8,7%. Ontem, a empresa assinou uma proposta para aquisição da fabricante de chuveiros e torneiras elétricas Ducha Corona. O valor da aquisição será de R$ 88,5 milhões e o fechamento do negócio depende da realização do processo de due diligence e da aprovação pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). 

ALL (ALLL3, R$ 4,82, -5,49%)
As ações da ALL desabaram pelo quinto pregão consecutivo, acumulando no período perdas de 13%. Ontem, a ALL e Rumo tiveram decisão favorável da Antaq (agência que regula o transporte aquaviário) à mudança do conselho - parte do processo da fusão entre as empresas.  

Açúcar e álcool
As ações do setor de açúcar e álcool tiveram alta hoje após medida do governo para elevar a participação do etanol na gasolina. Em relatório, o BTG Pactual reforçou que a medida deveria trazer efeito positivo nas ações da Cosan (CSAN3, R$ 26,95, +0,44%), São Martinho (SMTO3, R$ 36,65, +1,81%) e Tereos (TERI3, R$ 1,02, +3,03%) hoje, reiterando recomendação de compra para essas ações. A São Martinho segue como a preferida do banco no setor.

Sonae Sierra (SSBR3, R$ 18,41, +4,90%)
As ações da Sonae Sierra fecharam com fortes ganhos após divulgação de balanço. Segundo o Credit Suisse, a companhia registrou um bom resultado, destacando que as vendas nas mesmas lojas da empresa atingiu 10,2% (excluindo Passeio das Águas), contra 6,5% a 7,9% dos seus pares listados na Bolsa. 

CSU Cardsystem (CARD3, R$ 3,39, +2,42%)
Após ver seus papéis caírem 17% do dia 10 de fevereiro até 2 de março, as ações da CSU Cardsystem mostram uma recuperação na Bolsa, acumulando ganhos de 15% em três pregões. Os papéis disparam em meio às incertezas sobre a medida que reduz o benefício fiscal da desoneração da folha de pagamento, após a devolução pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, da MP ontem e a reação de Dilma Rousseff na apresentação de um projeto de lei com o mesmo teor. A medida, que foi anunciada na última sexta-feira, colocou pressão em diversas ações da Bolsa, principalmente na CSU Card System, uma das mais prejudicas.

Ontem, a companhia enviou um comunicado ao mercado informando que estimava que a redução da desoneração da folha de pagamentos poderia impactar seu Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 6% a 7,7% em 2015. A estimativa levou em consideração a elevação da alíquota referente à contribuição para a Previdência sobre a receita bruta de 2% para 4,5%, faixa na qual a CSU se enquadra.

Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 0,84, 0,00%)
As ações da small cap bateram hoje sua mínima histórica, chegando a R$ 0,82 com desvalorização de 2,38%. Hoje ainda foi o menor fechamento histórico para os papéis. Hoje a companhia ainda informou que o investidor Silvio Tini de Araújo aumentou sua participação para 16,87%.

 

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