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Petrobras, BB e Vale desabam 3%; exportadoras disparam com dólar

Confira aqui os principais destaques da Bovespa na sessão desta quarta-feira

Petrobras - Plataforma P-56
(Agência Petrobras)

SÃO PAULO - As tensões políticas em Brasília afastam os investidores da Bolsa nesta quarta-feira. Às 13h21, 27 ações do Ibovespa apresentavam queda superior a 2%, estando entre elas a Petrobras, Vale, bancos e imobiliárias. (Para conferir as maiores altas e baixas da Bovespa, clique aqui). No radar do mercado, seguem ainda estimativas de que cada vez mais seja necessário um ciclo mais agressivo de alta da Selic, com a disparada do dólar pressionando as projeções para inflação este ano. Na ponta positiva, tinha alívio as ações que justamente eram beneficiadas por esse movimento do câmbio: as exportadoras. A Gerdau, que liderava os ganhos, subia após resultado. A siderúrgica tem 60% das suas receitas atraladas à moeda americana. Confira abaixo o que é destaque hoje:

Petrobras (PETR3, R$ 9,23, -2,94%; PETR4, R$ 9,31, -2,92%)
As ações da Petrobras caem forte na bolsa em meio ao cenário de aversão ao risco, enquanto pipocam no mercado notícias sobre a "lista de Janot", que tem 54 nomes de políticos para investigar com suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção que assola a estatal. Alguns veículos citam que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, estariam entre eles.

A Petrobras tem ainda outro fator de peso: hoje, o juiz da Corte de Nova York, Jed Rakoff, deve escolher o investidor líder da ação coletiva contra a Petrobras. Um dos investidores interessados em ser o líder é a gestora de recursos Skagen, da Noruega, e o Danske Bank, da Dinamarca, que juntos têm perdas que podem chegar a US$ 267 milhões, por conta de aplicações em bônus externos da Petrobras entre 2010 e 2014. Foi o maior prejuízo que apareceu nas petições entregues na Corte. 

Imobiliárias
As ações das imobiliárias desabam em dia de desfecho da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que deve trazer uma elevação de 0,5 ponto percentual na Selic, para 12,75% ao ano. Diante da disparada do dólar, economistas já apontam cenário de juro chegando a 14% em 2015. Entre as maiores perdas do Ibovespa, aparecem as ações da PDG Realty (PDGR3, R$ 0,42, -6,67%) e MRV Engenharia (MRVE3, R$ 6,81, -4,08%).

Bancos
No mesmo sentido, as ações do setor financeiro caem forte hoje em meio às incertezas políticas: Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,81, -3,47%), Bradesco (BBDC3, R$ 36,41, -0,52%; BBDC4, R$ 36,60, -1,51%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,23, -1,01%). A exceção entre os bancos grandes era o Santander (SANB11, R$ 13,84, +0,36%), que tinha leve alta. O mercado é penalizado por questões políticas que trazem dúvidas se o governo conseguirá atingir os ajustes fiscais esperados em meio ao embate entre o PMDB e PT. Para piorar o clima de tensão, o dia coincide com a chegada da agência de classificação de risco Standard & Poor's ao Brasil justamente para discutir as questões fiscais e como anda o País.

No radar dos bancos ainda, o BB nomeou Tarcísio José de Godoy à presidência do conselho no lugar de Paulo Caffarelli. Além disso, os acionistas do Santander aprovaram Sérgio Rial, ex-Marfrig (MRFG3), como presidente do conselho de administração em assembleia geral ordinária realizada ontem. O nome do executivo foi apresentado ao conselho do banco no final de janeiro, dias após sua saída da Marfrig.

Exportadoras
Por outro lado, as ações das exportadoras sobem forte - figurando praticamente isoladas no campo positivo do Ibovespa. Os papéis são beneficiados pela disparada do dólar. A moeda americana salta 2,13%, batendo a casa dos R$ 3,00. Entre as maiores altas da Bolsa, os papéis do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 38,70, +2,44%), Suzano (SUZB5, R$ 12,76, +2,08%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,73, +0,84%), além da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 25,87, +0,86%) e as ações das siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 10,22, +2,40%), CSN (CSNA3, R$ 5,27, +0,76%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,32, +0,70%). A Embraer e Suzano divulgam seus balanços após o fechamento do pregão.

Sobre a Gerdau, há no radar também a divulgação do resultado. A companhia viu seu lucro líquido cair 20,1% no quarto trimestre de 2014 na comparação anual, passando para R$ 393 milhões. A receita líquida ficou em R$ 10,8 bilhões, crescimento de 5,1%. Em teleconferência, o diretor financeiro da siderúrgica, André Pires, comentou que as margens para o aço continuarão pressionadas e a economia deve contrair em 2015, mas como positivo ele ressaltou que a empresa ganha com esse cenário de desvalorização do câmbio, já que 60% de sua receita é ligada ao dólar.

Vale (VALE3, R$ 20,23, -2,69%; VALE5, R$ 17,61, -2,60%)
As ações da Vale seguem o mau humor do mercado e caem forte hoje. Acompanham o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 12,56, -3,46%), holding que detém participação na mineradora.  

Educacionais
As ações das educacionais operam entre altas e baixas nesta sessão: Estácio (ESTC3, R$ 17,73, -1,77%), Kroton (KROT3, R$ 9,99, -0,60%), Anima (ANIM3, R$ 16,38, R$ 16,07, -1,65%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 11,34, +5,10%). A Estácio teve sua recomendação rebaixada para market perform (desempenho em linha com a média) pelo Itaú BBA.

Sobre o setor de educação, uma matéria do Valor aponta que as instituições de ensino superior que têm alunos com Fies (programa de financiamento estudantil) vão receber ao longo dos próximos quatro anos o pagamento de quatro parcelas relativas ao exercício de 2015. De acordo com a publicação, o governo teria discutido a possibilidade de ser feito um anúncio consistente e definitivo sobre as novas regras do programa, mas a ideia não prosperou. 

Ainda sobre o setor, a Justiça Federal de Rondônia concedeu decisão desfavorável a uma instituição de ensino que contestou mudanças no Fies. O juiz Herculano Martins Nacif decidiu que deve ser retirada a "trava" que limita os reajustes de mensalidade de alunos no Fies. A decisão de Rondônia é a primeira favorável depois que diferentes companhias de ensino privado, sindicatos e outras instituições que representaram o setor passaram a contestar o limite de reajuste na Justiça.

Marfrig (MRFG3, R$ 4,51, -3,63%)
Após divulgação do resultado do quarto trimestre, o Bradesco BBI cortou suas estimativas para a Marfrig, levando em considerando uma visão mais cautelosa sobre as operações de carne bovina e impacto da depreciação do real sobre sua dívida. O preço-alvo do banco para os papéis da companhia passou de R$ 6 para R$ 5. A recomendação segue em manutenção. 

CSU Card System (CARD3, R$ 3,32, +10,67%)
As ações da small cap CSU Card System, empresa de prestação de serviços de tecnologia, disparam hoje em meio às incertezas sobre a medida que reduz o benefício fiscal da desoneração da folha de pagamento, após a devolução pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, da MP ontem e a reação de Dilma Rousseff na apresentação de um projeto de lei com o mesmo teor. A medida, que foi anunciada na última sexta-feira, colocou pressão em diversas ações da Bolsa, principalmente na CSU Card System, uma das mais prejudicas. No pregão de sexta e segunda-feira, as ações da companhia desabaram 13,6%. Hoje, elas praticamente alcançam a cotação de abertura de sexta. 

Ontem, a companhia enviou um comunicado ao mercado informando que estimava que a redução da desoneração da folha de pagamentos poderia impactar seu Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 6% a 7,7% em 2015. A estimativa levou em consideração a elevação da alíquota referente à contribuição para a Previdência sobre a receita bruta de 2% para 4,5%, faixa na qual a CSU se enquadra.

ALL (ALLL3, R$ 5,07, -4,34%)
A ALL e Rumo tiveram decisão favorável da Antaq (agência que regula o transporte aquaviário) à mudança do conselho - parte do processo da fusão entre as empresas. 

Multiplus (MPLU3, R$ 35,49, +2,08%)
A companhia informou na terça-feira que no dia 27 de fevereiro assinou contrato de compra da parte da Aimia nas ações da Primash Fidelidade, joint venture formada entre a empresa e a Aimia Newco, sociedade controlada pela Aimia. De acordo com o comunicado, a aquisição foi para fins de "posterior encerramento das atividades atualmente desenvolvidas pela Prismah, as quais, se for o caso, poderão eventualmente vir a ser desenvolvidas diretamente pela companhia". O comunicado ainda informa que a Multiplus passou a deter o direito de comercializar a plataforma de fidelidade da Aimia. 

BB Seguridade (BBSE3, R$ 31,70, -3,21%)
A companhia informou ontem a renúncia do presidente do conselho de administração da companhia Alexandre Correa Abreu, no dia 10 de fevereiro, Raul Francisco Moreira irá o substituir para o cargo até a próxima assembleia geral de acionistas. Outro nome escolhido foi o de José Maurício Pereira Coelho, que assumirá o cargo  de vice-presidente do conselho de administração da BB Seguridade após a renúncia de Ivan de Sousa Monteiro. 

 

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