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Fala de Levy desanima mercados e Ibovespa fecha em queda de 0,3%; dólar cai a R$ 2,86

Benchmark caiu após fala do ministro da Fazenda depois de passar a maior parte da sessão em allta com superávit do governo.

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy foi de herói a vilão na Bolsa nesta sexta-feira (27) depois de fazer declarações em Brasília. Levy foi contra a desoneração e anunciou que algumas medidas tomadas antes serão reduzidas como a redução do IPI trazida na era Mantega. "A retirada dessas medidas vai reduzir o lucro de várias empresas", disse o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido. 

O Ibovespa fechou em queda de 0,34%, a 51.583 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial também caía 1,01%, a R$ 2,8560. Os juros DI para janeiro de 2020 também apresentavam queda, indo para 12,34%. 

No mês, o índice fechou em alta de 9,97%, a maior desde janeiro de 2012, quando o índice subiu 11,13%. 

Superávit
O setor público registrou um superávit primário de R$ 21,1 bilhões em janeiro. O mercado esperava um número bem mais modesto, de receitas superando gastos do setor público em apenas R$ 14,8 bilhões. 

Apesar de positivo em janeiro, no acumulado de 12 meses o resultado fiscal do governo continua negativo em 0,61% do PIB (Produto Interno Bruto). Foi divulgado também que o governo busca um ajuste de R$ 72 bilhões, mas aguarda aprovação do orçamento para definir o corte de despesas.  

"Com o superávit de janeiro, agora o governo precisa só R$ 11,5 bilhões para cobrir do rombo [do ano passado]. Esse número traz uma confiança para que o superávit primário [de 2015] venha dentro da meta", explicou o economista Alex Agostini da Austin Rating. Portanto, também geraria uma convicção maior a Levy, que desde o anúncio da meta foi elogiado por economistas por trazer um número mais dentro da realidade. 

Também mexeram no mercado perto da abertura os dados abaixo do esperado nos números de emprego do Caged, mostrando perda de 82 mil empregos contra uma estimativa de 23,5 mil empregos a menos. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 9,48, +3,04%PETR4, R$ 9,57, +3,24%) ganharam força e subiram em dia de reunião do conselho da estatal. A finalização e entrega das demonstrações financeiras é considerada a grande prioridade do momento. A empresa divulgou, em janeiro, o balanço do terceiro trimestre do ano passado não auditado e sem baixas contábeis relativas à corrupção investigada na empresa. Na reunião, um dos conselheiros, que não quis se identificar, irá propor que a União utilize parte das reservas internacionais de US$ 380,5 bilhões para comprar ações da empresa, mas a empresa nega.

Os papéis de outra blue chip, a Vale (VALE3, R$ 21,25, 0,00%VALE5, R$ 18,51, +0,60%), subiram depois de cair 4% ontem com a divulgação de um prejuízo de R$ 4,7 bilhões no quarto trimestre de 2014. 

Do outro lado, os bancos estiveram entre os principais vilões no Ibovespa hoje. Depois das falas de Levy, Bradesco (BBDC3, R$ 37,34, +0,08%; BBDC4, R$ 37,60, -1,23%) e Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,50, -1,06%) viram suas ações se desvalorizarem. Juntos, os dois valem por volta de 20% da carteira teórica do índice. 

Segundo reportagem do Valor, o governo está limitando o volume de novos contratos do Fies (programa de financiamento estudantil). Cada instituição está conseguindo inscrever o equivalente a um terço do total de alunos que conseguiram no financiamento do ano passado. A medida pressiona as ações do setor, que já desabaram cerca de 10% na véspera. Estácio (ESTC3, R$ 19,30, -3,69%) e Kroton (KROT3, R$ 10,39, -9,73%) caíram com força. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 KROT3 KROTON ON 10,39 -9,73 -32,97
 POMO4 MARCOPOLO PN ED N2 2,24 -9,68 -31,80
 GFSA3 GAFISA ON 2,10 -7,08 -4,55
 LIGT3 LIGHT S/A ON 13,96 -6,87 -17,98
 EMBR3 EMBRAER ON 24,90 -4,60 +1,88



As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 BRML3 BR MALLS PAR ON 16,91 +4,06 +2,92
 PETR4 PETROBRAS PN 9,57 +3,24 -4,49
 BBAS3 BRASIL ON ED 23,72 +3,09 +0,54
 PETR3 PETROBRAS ON 9,48 +3,04 -1,15
 JBSS3 JBS ON 12,52 +2,62 +11,79



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 36,50 -1,06 667,37M
 KROT3 KROTON ON 10,39 -9,73 587,61M
 BBDC4 BRADESCO PN 37,60 -1,23 430,40M
 PETR4 PETROBRAS PN 9,57 +3,24 408,44M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,34 +0,22 341,41M
 BRFS3 BRF SA ON 64,43 -3,84 339,84M
 VALE5 VALE PNA 18,51 +0,60 231,76M
 ITSA4 ITAUSA PN 10,09 -1,66 227,43M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 97,15 +2,05 188,60M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 19,30 -3,69 171,30M

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Cenário externo
As bolsas mundiais têm um dia de cautela nesta sexta. Mesmo após discursos mais "dovish" (moderados) da presidente do Federal Reserve - o banco central norte-americano -, Janet Yellen no Congresso dos Estados Unidos, as especulações para um aumento dos juros na maior economia do mundo se renovaram. 

No quarto trimestre de 2014, a alta do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi de 2,2%, na comparação anual, ante a primeira prévia que indicava uma alta de 2,6%. O crescimento foi, portanto, abaixo dos 5% registrados no trimestre anterior. A expectativa do mercado é de que o avanço fosse de 2,1%.

Além disso, ontem, o núcleo do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) nos EUA mostrou alta de 0,2% em janeiro, lembrando que um dos principais motivos para a espera do Fed antes de subir juros é o risco de deflação. 

Na Alemanha, o Parlamento aprovou a extensão do resgate da Grécia, após o ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, que tem expressado dúvidas sobre a confiabilidade da Grécia, ter dito que não será permitido a Atenas que "chantageie" seus parceiros da zona do euro.

Com 542 parlamentares votando a favor, incluindo quase todos da coalizão da chanceler Angela Merkel mais o Partido Verde, de oposição, a proposta obteve a maioria mais ampla para qualquer pacote de resgate da zona do euro até agora na câmara de 631 assentos.

Ásia
Do outro lado do mundo, a maioria das bolsas asiáticas fechou em queda após uma queda abrupta nos preços do petróleo na sessão anterior ter minado o apetite por risco. No entanto, depois de cair forte ontem, o petróleo volta a subir nesta sexta, o barril do WTI (West Texas Intermediate) tendo alta de 1,72%, a US$ 49. 

Contudo, no Japão, dados sólidos sobre a atividade industrial e um iene fraco levaram o índice Nikkei a subir 0,06%, a 18.797 pontos, nível mais alto de fechamento desde abril de 2000. "Os estímulos parecem estar animando alguns dos principais mercados do mundo, incluindo o Japão e a zona do euro. Os dados europeus recentes também têm mostrado alguns sinais positivos e isso realmente animou os investidores a impulsionar o avanço das ações", disse o estrategista de mercado do IG Stan Shamu, em nota. 

(Com Reuters)

 

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