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Ministro não convence e "kit apagão" despenca; veja as empresas impactadas

Para analistas, mercado não comprou fala de Eduardo Braga de que o que ocorreu ontem foi apenas uma "falha técnica" e que o sistema elétrico brasileiro é robusto

SÃO PAULO - Após as fortes quedas vistas ontem, hoje o "kit apagão" voltou ao radar dos investidores com novas perdas após o mercado não comprar as novas falas do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que declarou que o ocorrido de ontem foi apenas uma falha técnica que obrigou o desligamento de carga. No entanto, de acordo com ele, o sistema de energia é robusto e eles estão tomando medidas alternativas para reforçar o sistema.

A fala não ajudou a aliviar o mercado e entre as companhias que fazem parte do "kit eleições", CPFL Energia (CPFE3, R$ 17,05, -2,68%), Light (LIGT3, R$ 14,51, -1,63%) e Copel (CPLE6, R$ 31,50, -2,02%), ficaram entre as maiores perdas do dia. Ainda entre as quedas, a Eletrobras (ELET3, R$ 5,25, -2,60%; ELET6, R$ 7,00, -5,53%) também tem fortes perdas, enquanto fora do índice a Eletropaulo (ELPL4) caiu 3,65%, para R$ 7,91.

Na última segunda-feira, onze estados e o Distrito Federal ficaram sem luz devido a um apagão inicialmente "intencional", após a ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) pedir cortes no fornecimento de energia ao redor do Brasil. Com a queda de ontem o IEE (índice que calcula o desempenho das ações do setor elétrico) fechou a última sessão com queda de 4,61%.

Se ontem o que vimos foi uma derrocada destes papéis, com a CPFL Energia chegando a despencar 7,30%, o que devemos ver daqui para frente aparentemente continua sendo um temor generalizado sobre o setor em relação à possíveis novos apagões ou à confirmação de um racionamento, mesmo após as falas do ministro. "Desde a semana passada temos destacado que o risco de racionamento está cada vez mais elevado e acreditamos que se o período chuvoso permanecer no patamar atual, a única saída do governo será a implementação do racionamento", destaca a equipe da XP Investimentos.

"Reiteramos nossa recomendação para não ter exposição aos segmentos de distribuição e geração de energia, os mais afetados por conta de volumes menores. Já o segmento de transmissão de energia não sofre, mas preferimos não ter exposição ao setor elétrico", completaram os analistas em relatório.

Porém, não são apenas as elétricas as afetadas: o setor industrial também é muito exposto à crise de energia. Hoje, a Braskem (BRKM5) voltou a ficar no campo negativo do índice, com derrocada de 6,54%, a R$ 13,15, chegando ao seu menor nível desde abril de 2013. Como destaca o analista de investimentos Flávio Conde, a companhia é grande consumidora de energia, e uma queda no fornecimento pode reduzir e prejudicar a produção da empresa.

Entre as siderúrgicas, quem mais corre risco é a Usiminas (USIM5, R$ 4,00, -2,44%), já que a atividade industrial deste setor necessita de grandes quantidades de energia. No entanto, a CSN (CSNA3, R$ 5,03, +5,01%) não corre riscos por ser autossuficiente na geração de sua energia, assim como a Gerdau (GGBR4, R$ 9,16, +2,23%), que também consegue produzir boa parte do que necessita.

Entre outras empresas, existe risco - mas menor - também para as mineradoras Vale (VALE3, R$ 21,74, +0,42%VALE5, R$ 19,21, +0,58%) e Paranapanema (PMAM3, R$ 2,02, +0,50%), além da Ferbasa (FESA4, R$ 7,89, +1,54%). Em geral, o setor mais afetado por uma crise energética seria o automotivo, com empresas como Randon (RAPT4, R$ 4,11, -3,97%), Marcopolo (POMO4, R$ 2,95, -2,32%), Fras-Le (FRAS3, R$ 3,80, +2,98%) e Metal Leve (LEVE3, R$ 20,68, -1,38%) sendo bastante prejudicadas.

 

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