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Dia de euforia: Petrobras, siderúrgicas e mais 14 ações sobem mais de 5%; CCR salta 7%

Siderúrgicas são beneficiadas pela notícia sobre aumento dos preços do aço, enquanto as educacionais seguem caindo, pressionadas por ajustes no FIES

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(Peter Andrews/Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa dá sequência a alta de ontem e registrava às 16h03 (horário de Brasília) ganhos de 3,65%, a 49.751 pontos, seguindo exterior e puxado por ações "pesos pesados", como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3; VALE5). Os papéis da estatal subiam após quatro pregões de quedas enquanto as ações da mineradora estendiam os ganhos diante do movimento de recuperção do minério de ferro. 

Na ponta positiva do índice, 17 papéis subiam mais de 5% na Bolsa, com destaque para as ações das siderúrgicas, que eram beneficiadas por notícias sobre aumento dos preços do aço, enquanto bancos também acentuavam movimento de valorização nesta sessão. Ainda entre os papéis estavam Petrobras e CCR, que subia após relatório do BofA dizer que a companhia é o grupo de concessões que possui o maior poder de fogo para atuar ativamente na consolidação de um bom cenário para infraestrutura.

Por sua vez, as ações de empresas do setor de educação do Ibovespa chegaram a ensaiar uma melhora em meio à euforia na Bolsa, mas voltaram a operar no vermelho nesta tarde, se encaminhando para seu quinto dia seguido de alta, sendo pressionadas por ajustes no FIES (programa de financiamento estudantil). Apesar da forte desvalorização, analistas vêm comentando que o movimento tem sido "exagerado". Entre as quedas ainda, destaque para as exportadoras, que sofriam com a desvalorização do dólar frente ao real. 

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 8,44, +4,71%; PETR4, R$ 8,65, +3,84%)
As ações da Petrobras voltam a ganhar força nesta sessão após abertuda dos Estados Unidos. Ontem, a estatal informou que conseguiu negociar com seus credores a divulgação do balanço não auditado do terceiro trimestre por auditoria independente ainda este mês. Os credores da companhia estavam pressionando para que a empresa divulgasse as demonstrações contábeis auditadas até o final de janeiro, conforme contrato acordado.

Ainda sobre a estatal, ontem surgiram rumores de que a empresa poderia baratear a gasolina com o objetivo de conter a concorrência de importadores iniciantes, mas, para o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, isso seria difícil de ocorrer agora, dado a situação frágil que a companhia se encontra. 

Veja mais: Déjà vu? Gráfico da Petrobras mostra queda atual igual à da crise de 2008

Vale (VALE3, R$ 22,74, +4,31%; VALE5, R$ 20,10, +4,20%)
As ações da Vale estendem os ganhos da véspera, mesmo em meio à queda dos preços do minério de ferro, principal produto da companhia. Ontem, os papéis da Vale chegaram a subir mais de 4%.  

Siderúrgicas 
Assim como as ações da Vale, as siderúrgicas estendem os fortes ganhos da véspera em meio à notícia de que as companhias do setor anunciaram um reajuste dos preços do aço entre 5% e 8%, dependendo do produto, à rede de distribuição, que incluem Gerdau (GGBR4, R$ 10,41, +7,43%), Usiminas (USIM5, R$ 5,07, +7,42%) e CSN (CSNA3, R$ 5,75, +11,00%). 

Na véspera, o Goldman Sachs disse que cada aumento de 1% nos preços devem adicionar R$ 167 milhões de Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anualmente à empresa. Hoje, o BTG Pactual elevou a recomendação das ações da Gerdau de neutra para compra, mas cortou o preço-alvo das ações de R$ 15 para R$ 12,50. 

CCR (CCRO3, R$ 15,53, +7,03%)
Juntamente com as siderúrgicas, lideram os ganhos do Ibovespa hoje as ações da CCR, seguindo para a segunda sessão consecutiva de alta. Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch disse que 2015 será um ano "quente" no mercado secundário de ativos de infraestrutura e a CCR é o grupo de concessões que possui o maior poder de fogo para atuar ativamente na consolidação. O banco também considerou que a Ecorodovias (ECOR3, R$ 10,44, +6,31%) pode ser um potencial comprador, principalmente para rodovias e aeroportos. Os analistas comentaram que, porém, que a necessidade do controlador de dividendos pode limitar as aquisições. 

Bancos
Também entre as altas do dia destaque para os bancos, que ganham força em dia de euforia no mercado. Entre os ganhos, Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,15, +4,63%), Bradesco (BBDC3, R$ 36,35, +4,91%; BBDC4, R$ 37,21, +4,88%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,87, +6,14%) e Santander (SANB11, R$ 13,52, +6,46%), além da Itaúsa (ITSA4, R$ 9,73, +4,96%), holding que controla o Itaú, e BM&FBovespa (BVMF3, R$ 9,85, +5,80%). 

Oi (OIBR4, R$ 6,59, +0,61%)
Depois de desabarem 16,7% ontem, as ações da Oi, que seguiam o movimento de queda, viraram para alta ainda nesta manhã. A queda da véspera ocorreu após notícia de que a Procuradoria-Geral da República de Portugal confirmou que foram realizadas buscas na sede da holding PT SGPS para um inquérito do Departamento Central de Investigação de Ação Penal (DCIAP) do país. A PT SGPS detém 25,6% da Oi, que, por sua vez, é dona da Portugal Telecom. Essa é a nona queda seguida do papel da operadora. Lá fora, as ações da PT, negociadas na Bolsa de Lisboa, caíam 12,8% no mesmo horário. 

Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,13, -6,07%)
As ações da Eletropaulo caem pela primeira vez após três pregões de fortes ganhos. O movimento anterior de alta ocorreu em meio à decisão da Justiça de livrar a empresa de uma devolução de R$ 626 milhões aos consumidores. Ontem, um relatório do Bradesco apontou que, caso a empresa ganhe a decisão final, isso pode adicionar R$ 2,80 ao preço-alvo dos seus papéis, que atualmente está em R$ 8,40. 

Educacionais
As ações da Kroton (KROT3, R$ 12,56, -0,71%), Estácio (ESTC3, R$ 19,14, -0,83%), Anima (ANIM3, R$ 25,62, -5,11%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 21,36, -1,57%) seguem em seu quinto pregão seguido de queda. Os papéis caíam pressionados pelo anúncio do Ministério da Educação de ajustes no programa FIES (programa de financiamento estudantil).

Segundo analista da XP Investimentos, a notícia deve realmente impactar negativamente as empresas do setor, mas ainda é cedo para calcular qual será o real impacto da medida. "Achamos que o impacto é menor do que o mercado precifica, dado que a base de alunos já está consolidada e o efeito deve ocorrer em parte na captação do segmento presencial", disse. 

Veja mais: Educacionais caem mais de 20% em 2015; queda justa ou hora de comprar?

Braskem (BRKM5, R$ 16,01, 0,00%)
A Braskem teve sua recomendação revisada para baixo pelo Bradesco BBI de outperform (desempenho acima da média) para market perform (desempenho em linha com a média). Apesar da melhora significativa na rentabilidade da empresa causada pela depreciação do real frente ao dólar, os analistas acreditam que a queda dos preços do petróleo, petroquímicos básicos mais baixos e spreads mais apertados de resina, devem ofuscar o efeito cambial e resultar em um Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2015 neutro da companhia na comparação com o ano passado.

Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 11,66, +5,05%)
Após quatro quedas seguidas, as ações da Iochpe-Maxion sobem. Hoje, o UBS manteve a recomendação de compra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 24,50, após a empresa anunciar que sua controlada, Amsted-Maxion, vendeu 19,5% do capital social da subsidiária Amsted-Maxion Hortolândia para a The Greenbrier Companies por US$ 15 milhões.  

OSX (OSXB3, R$ 0,22, +15,79%)
Apesar da alta de hoje, as ações da OSX Brasil devolvem praticamente todos os ganhos acumulados em novembro nos meses de dezembro e janeiro. Do final de novembro até agora, os papéis da companhia desabaram 56%. Segundo a coluna Radar, da Veja, é esperada para semana que vem uma semana em massa de integrantes do conselho de administração da companhia.

BHG (BHGR3, R$ 17,34, -1,48%)
A companhia opera com forte queda na Bolsa após assinar memorando para administrar três hotéis Soft Inn Business que estão em desenvolvimento pela incorporadora STX nas cidades de São Paulo, Santos e Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

 

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