Em mercados / acoes-e-indices

Siderúrgicas desabam 7%, Petrobras volta a cair e MMX dispara 70%

Ainda entre os destaques, os papéis da Vale caíram 4%, figurando entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sessão

fundição 1
(Peter Andrews/Reuters)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve um pregão bem similar ao que foi registrado ontem. Abriu em alta, mas perdeu força durante a tarde em meio à abertura das bolsas dos Estados Unidos. Com isso, o índice encerrou a sessão desta quarta-feira (26) em queda de 0,96%, a 55.431 pontos. 

Ajudou a acentuar as perdas o movimento negativo apresentado pelos papéis da Vale (VALE3; VALE5), siderúrgicas e bancos, enquanto as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) seguiram um dia bastante volátil. Depois de abrirem em alta superior a 2%, os papéis da estatal perderam força e encerraram no campo negativo. Esse é o terceiro pregão seguido de leves perdas dos ativos da Petrobras. 

Ainda entre os destaques desta sessão vale mencionar os papéis da Cosan (CSAN3), que reagiram com alta nesta sessão em meio à notícia de que Dilma Rousseff está preparando a volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis), que faz com que o preço do etanol - um dos principais produtos da companhia - fique mais competitivo em frente à gasolina. Fora do Ibovespa, chamou atenção as ações da MMX Mineração (MMXM3), que dispararam 69,57% sem nenhum motivo aparente.  

Confira os principais destaques da sessão desta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 13,27, -0,08%PETR4, R$ 14,10, -0,35%)
As ações da Petrobras voltaram a registrar forte instabilidade nesta sessão à espera da oficialização da nova equipe econômica do segundo mandato do governo Dilma Rousseff. O mercado já dá como certo a escolha de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda e Nelson Barbosa para o Planejamento, enquanto Alexandre Tombini deverá seguir no Banco Central. A expectativa é que o anúncio dos principais nomes da equipe ocorra já nesta semana. 

Vale mencionar ainda que de acordo com matéria da Folha de S. Paulo, Dilma está preparando a volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis), que faz parte do pacote de Guido Mantega com medidas para reequilibrar as contas públicas. Ainda de acordo com a matéria, a decisão final será tomada em reunião da presidente com a nova equipe econômica.

Vale e siderúrgicas 
As ações da Vale (VALE3, R$ 23,04, -3,84%; VALE5, R$ 19,75, -4,03%) e siderúrgicas - CSN (CSNA3, R$ 6,15, -7,93%), Usiminas (USIM5, R$ 5,12, -7,08%), Gerdau (GGBR4, R$ 10,50, -4,55%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 12,52, -4,72%) - acentuaram as perdas nesta tarde e fecharam nas maiores queda do Ibovespa. A Vale enfrenta um cenário global desfavorável para o minério de ferro, que renovou hoje a mínima histórica, cotado na China por US$ 67,72 a tonelada, enquanto as siderúrgicas também sofrem com um cenário complicado para o setor.

De acordo com relatório da XP Investimentos, assinado por Thiago Souza, "o setor enfrenta um cenário desafiador devido ao esfriamento da demanda doméstica". Hoje, o IABr (Instituto Aço Brasil) informou que as vendas internas de aço devem cair 8,9% em 2014, na comparação anual. Para 2015, o instituto espera um processo de recuperação modesta, com aumento de 4% nas vendas internas, mas ainda 5,6% abaixo do registrado em 2013. 

Em relação à Usiminas, pesou ainda um corte de preço-alvo para as ações pelo Bank of America Merrill Lynch, que reduziu o target de R$ 7 para R$ 4,90. 

Exportadoras
Os papéis de outras exportadoras refletiram ainda o movimento de queda do dólar frente ao real. A moeda caiu pelo segundo dia consecutivo com investidores colocando fichas na formação de uma equipe econômica que recupere a credibilidade da política macroeconômica brasileira. A expectativa é que o anúncio seja feito nesta semana. Com o movimento do dólar, os papéis da Suzano (SUZB5, R$ 10,42, -2,80%), Fibria (FIBR3, R$ 29,50, -3,63%) e Embraer (EMBR3, R$ 23,07, -0,13%), que têm perfil exportador, caíram nesta sessão.

Cosan (CSAN3, R$ 33,70, +4,17%)
A Cosan teve dia positivo na Bolsa em meio à notícia de que Dilma Rousseff irá voltar com a cobrança do Cide (contribuição para regular os preços dos combustíveis), o que faz com que o preço do etanol - um dos principais produtos da empresa - fique mais competitivo com os preços da gasolina. Com os ganhos de hoje, as ações da Cosan acumulam alta de 13,5% do dia 14 de novembro para cá.

Santander (SANB11, R$ 15,13, -2,72%)
As units do banco fecharam em queda após ter recomendação de seus papéis rebaixadas de neutra para venda nesta quarta-feira pelo BTG Pactual.

MMX (MMXM3, R$ 0,78, +69,57%)
Fora do Ibovespa, destaque para as ações da MMX, que começaram a disparar por volta das 11h nesta sessão e chegaram a subir 76,09% em sua máxima do dia. No radar, operadores do mercado mencionaram que não viram nenhuma notícia ou rumor que pudesse ter feito o papel disparar dessa forma. Além da valorização dos papéis, chamava atenção o volume financeiro movimentado com os ativos, que atingiu R$ 4,8 milhões, contra média diária dos últimos 21 pregões de R$ 242 mil.  

As maiores compras do papel foram intermediadas pela corretora Concórdia, que finalizou o dia com saldo comprador de R$ 277,2 mil. Com a disparada de hoje, as ações da mineradora batem o maior patamar desde setembro deste ano. Vale mencionar que ações com baixa liquidez e baixo valor de face, são mais fáceis de serem manipuladas em movimentos como este apresentado hoje; qualquer movimento dos investidores impulsiona forte os papéis. 

Em comunicado de esclarecimento ao mercado divulgado ontem, a mineradora diz que não vê base legal ou contratual para alegações de inadimplência e menciona que está procurando encontrar uma solução para negocial com a Cefar. Caso as companhias não entrem em um acordo sobre os direitos e deveres de cada uma em relação aos contratos entre ambas, a MMX declarou que irá tomar as medidas necessárias e cabíveis para defender seu patrimônio. No dia 22 de novembro a companhia foi questionada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) após notícia do Diário do Comércio dizer que a companhia poderia perder direitos minerários das minas de minério de ferro de Serra Azul, da companhia Mineração da Serra da Farofa.

Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 1,10, -3,51%)
As ações da small cap caem mais de 2% nesta quarta em meio à notícia de que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou na terça-feira (25) dois conselheiros da Brasil Ecodiesel, Vanguarda Agro, por insider trading (ou uso de informação privilegiada). Somente um dos executivos permanece no cargo.

A autarquia condenou em R$ 500 mil cada um dos conselheiros, Silvio Tini e Mauro Antonio Moura de Castro, por atitudes tomadas enquanto ocupavam cargos na Brasil Ecodiesel. O primeiro foi condenado por não cumprimento do dever de sigilo a informações relevantes da empresa, enquanto o segundo, por negociar com os papéis da empresa de posse de informação privilegiada.

O episódio julgado hoje ocorreu em 2010, quando a companhia se uniu à Maeda. A operação, divulgada por meio de fato relevante somente em 24 de outubro daquele ano, foi veiculada pela Exame no dia 30 de setembro - quase um mês antes. Um dia depois, houve uma reportagem, desta vez com declarações de Tini, praticamente confirmando a escolha do novo diretor presidente para a companhia e acrescentando que teria êxito no cargo em uma eventual união da empresa com a Maeda ou qualquer outra empresa.

BR Malls (BRML3, R$ 18,60, +1,53%) e Iguatemi (IGTA4, R$ 26,93, +2,55%)
As ações da BR Malls inverteram o movimento da abertura do pregão e fecharam em alta após o Santander ter reiniciado a cobertura dos papéis da empresa com recomendação de compra, mesmo ela sendo a que "menor potencial de crescimento para os próximos anos entre seus pares".  

O banco também elevou recomendação para as ações da Iguatemi de manutenção para compra, colocando-a como sua "top pick" no setor. De acordo com os analistas, a companhia é a que possui maior potencial de crescimento nos próximos dois a três anos. 

 

Tudo sobre:  Ibovespa   Bolsas  

Contato