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Disparada da Gol, queda de 20% da Lupatech e ação "congelada" agitam a Bolsa

Ação da Gol sobe mais de 5% após dados operacionais e já acumula ganhos de 23% em julho; após resultados trimestrais, Tractebel cai e Hypermarcas sobe

asa de avião da Gol - Rio
(Divulgação)

SÃO PAULO - Em meio ao 2º dia seguido de leve queda do Ibovespa, as ações de empresas que divulgaram resultados deram o que falar nesta segunda-feira (28). A maior alta do dia foi a Gol (GOLL4, R$ 14,88, +5,31%), que subiu mais de 5% após dados operacionais mostrarem forte crescimento de receita.

Ainda no índice, a JBS (JBSS3, R$ 8,65, +1,65%) fechou em alta após anunciar a compra de ativos da concorrente Tyson Foods no Brasil e México. Seguindo a temporada de balanços, as ações da Tractebel (TBLE3, R$ 35,14, -1,15%) caíram mais de 1% após resultados, enquanto a Hypermarcas (HYPE3, R$ 19,17, +1,16%) foi na direção oposta.

Fora do Ibovespa, o principal destaque ficou novamente com a (LUPA3, R$ 0,36, -18,18%), que acumula perdas de quase 40% nos últimos dois pregões. Além dela, vale ressaltar a a IGB Eletrônica (IGBR3), dona da Gradiente, que por descumprir ordens da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) teve suas ações congeladas na Bovespa.

Veja os principais destaques desta segunda-feira

Gol (GOLL4, R$ 14,88, +5,31%)
A companhia aérea informou que a receita por passageiro no segundo trimestre subiu 27% na comparação anual, ajudada por expansão de 15% no yield, indicador que mede o preço de passagens. O resultado foi obtido com uma combinação já conhecida de redução de oferta e alta na demanda. 
Segundo a companhia, a demanda por voos do grupo cresceu 5,9% no segundo trimestre sobre o mesmo período do ano passado, enquanto a oferta caiu 4,6% na mesma base de comparação.

De acordo com relatório feito pelo analista Mário Bernardes do BB Investimentos, o resultado operacional da companhia "confirmou nossas expectativas de que a companhia não seria tão negativamente impactada pela redução da demanda corporativa em razão da Copa do Mundo". Para o analista, a boa alta na taxa de ocupação, puxada pelo mercado internacional cuja demanda foi 32% maior, "contribuiu para que o trimestre se encerrasse em ótimo patamar de 75%".

Vale (VALE3, R$ 32,91, +1,64%; VALE5, R$ 29,40, +1,55%)
A mineradora seguiiu o embalo das boas notícias da Ásia. Após as bolsas do continente atingirem a máxima de três anos nesta segunda-feira, dados mostraram um salto robusto nos lucros registrados por empresas industriais na China.

Os lucros contabilizados por companhias industriais chinesas subiram 17,9% em junho, para 588,08 bilhões de iuanes (US$ 94,98 bilhões) ante o ano anterior, subindo com força ante um crescimento de 8,9% em maio, segundo a Agência Nacional de Estatísticas.

JBS (JBSS3, R$ 8,65, +1,65%)
A JBS reagiu positivamente na Bolsa depois do anúncio de que a Tyson Foods vendeu seus negócios de aves no Brasil e México para a companhia em conjunto com a Pilgrim's Pride por US$ 575 milhões, além do anúncio que o Goldman Sachs elevou a recomendação das ações JBSS3 de neutra para compra.. Na máxima do dia, os papéis da maior processadora de carnes do mundo chegaram a subir quase 4%.

Em fato relevante, a companhia informou hoje que US$ 400 milhões referem-se à operação no México, que será adquirida pela Pilgrim's Pride, cujo acionista majoritário é JBS USA Holdings. Já a operação brasileira da Tyson será comprada por US$ 175 milhões pela JBS Foods.

A investida reforça o investimento da JBS no segmento, após a brasileira adquirir duas unidades de processamento de aves do Grupo Céu Azul por R$ 246 milhões, neste mês. Recentemente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica também aprovou a compra da indústria de alimentos Avebom, no Paraná, pela JBS. Com a compra da Tyson de México, que conta com três unidades de processamento e 5.400 empregados, a Pilgrim's Pride estima uma geração adicional de receita de cerca de US$ 650 milhões por ano. 

CSU CardSystem (CARD3, R$ 2,71, -1,09%)
A CSU chegou a marcar ganhos de mais de 11% no começo do dia, mas virou para queda e interrompeu uma sequência de 3 dias de alta - que resultaram em uma valorização de 37%.

O rali teve início na quarta-feira, após a empresa informar que fechou contratos com empresas de vários segmentos nos últimos meses, promovendo o incremento no faturamento em R$ 60 milhões anuais para a empresa. Em comunicado, a CSU disse que na unidade CSU ITS, voltada à terceirização de tecnologia com hospedagem de softwares e hardwares e terceirização de data center, foram assinados contratos com Porto Seguro e Europ Assistance.

Lupatech (LUPA3, R$ 0,36, -18,18%)
Em seu segundo dia seguido de forte queda, as ações da Lupatech acumulam perdas de 38% de sexta pra cá, embora ainda acumulem alta de 34,5% desde quarta-feira - pregão pós-aprovação do aumento de capital da companhia.

Na última terça-feira, o conselho de administração aprovou um aumento de capital que pode chegar a R$ 1,32 bilhão, o que provocou uma disparada de 100% nas no pregão de quarta-feira (23) - um dia antes do aumento de capital ser anunciado, as ações estavam cotadas a R$ 0,25, e logo no outro dia disparou para R$ 0,50; na quinta-feira, eles esticaram os ganhos para R$ 0,57. Contudo, muita gente no mercado não só tem questionado a sustentabilidade dessa alta como ainda argumenta que a trajetória da ação deveria ser exatamente a oposta.

É o caso de Diego Arruda e Antonio Bueno, sócios e gestores da Ujay Capital – asset que possui pouco mais de R$ 80 milhões em ativos sob gestão. Em entrevista ao InfoMoney, os dois investidores consideram o aumento de capital como uma mera equalização da dívida, e não como a “solução mágica” dos problemas da Lupatech, que encontra-se em recuperação extrajudicial. Com isso, eles aumentaram consideravelmente a posição “short” (ou “vendida”, quando você lucra com a queda da ação) no papel, cravando um objetivo de R$ 0,02 para a ação.

Tractebel (TBLE3, R$ 35,15, -1,13%)
Sofrendo com os efeitos negativos das transações no mercado de curto prazo, o lucro líquido da Tractebel somou R$ 73,7 milhões, queda de 77,2% ante os R$ 324 milhões de um ano antes. Porém, a companhia informou hoje que deve ter recuperação nos resultados financeiros no segundo semestre após um fraco desempenho na primeira metade do ano, e fechar 2014 ainda com performance sólida, segundo a expectativa da direção da companhia.

"A gente deve ter uma recuperação bastante boa na segunda metade do ano. Estamos em uma situação hidrológica ruim, isso vai afetar sim o resultado da companhia, mas ela vai continuar tendo um resultado no final do ano satisfatório", disse o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Eduardo Sattamini, em teleconferência sobre os resultados.

Segundo o Santander, o resultado foi negativo, impactado por alocação mais fraca que o antecipado e déficit hidro já esperado. As ações TBLE3 movimentaram R$ 103,5 milhões na Bovespa, mais de 5 vezes o giro médio diário dos últimos 21 pregões.

Hypermarcas (HYPE3, R$ 19,11, +0,84%
As ações da Hypermarcas lideram ganhos do Ibovespa nesta manhã, digerindo os resultados do balanço do segundo trimestre, divulgado na noite de sexta-feira. A empresa teve lucro líquido de R$ 122,2 milhões no período, após resultado positivo um ano antes de R$ 19,3 milhões, quando foi afetada por despesas financeiras ligadas à sua exposição cambial. A média das estimativas de analistas consultados pela Reuters apontava para lucro líquido de R$ 111,6 milhões. Já a receita líquida subiu 6% ano a ano e encerrou julho em R$ 1,13 bilhão, com base na expansão de 7,4% da divisão farma e 4,1% na de consumo.

Segundo o BTG Pactual, o conjunto do resultado foi sólido, o que o permitiu reforçar sua visão "bullish" (otimista) para as ações HYPE3. Na máxima do dia, as ações marcaram ganhos de 3,7%, quando bateram R$ 19,66 - maior patamar desde novembro de 2013.

Localiza (RENT3, R$ 37,08, -0,99%)
A Localiza aprovou no final da semana passada seu 6º programa de recompra de ações, que prevê a aquisição de até 10 milhões de papéis. O prazo máximo para a realização da operação é de 365 dias, de 25 de julho de 2014 até 24 de julho de 2015, inclusive. As instituições financeiras que atuarão como intermediárias serão Brasil Plural CCTVM e Credit Suisse CTVM.  

Oi (OIBR4, R$ 1,46, -2,01%)
Mais um capítulo da novela Oi. Os sócios brasileiros da Oi estão reunindo informações e preparando um documento para se resguardarem, no caso de a Portugal Telecom falhar no cumprimento do acordo assinado na última semana, com revisão dos termos da fusão entre as companhias, de acordo com fonte ouvida pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O memorando de entendimento, que ainda precisa ser formalizado para entrar em vigor, foi firmado depois que veio à tona uma aplicação de risco feita pela tele portuguesa na Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo, que, por sua vez, tem 10,05% da PT. O principal ponto acertado foi a redução da participação da PT de 37,3% para 25,6% na CorpCo, empresa que surgirá da união. A fatia poderá ser retomada pela tele portuguesa em até seis anos.

Gradiente "congelada"
Hoje as ações da IGB Eletrônica (IGBR3), dona da Gradiente, ficaram "congeladas" na Bolsa, após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) informar nesta manhã que suspendeu o registro da empresa por ter descumprido por período superior a 12 meses obrigações periódicas nos termos previstos no art 21 da Lei n° 6.385/76. Em comunicado, a CVM informou que enquanto estiver com o registro suspenso a companhia aberta não pode ter valores mobiliários por ela emitidos em mercados regulamentados, quais sejam, balcão organizado, bolsa ou balcão não organizado.

Em comunicado, a IGB Eletrônica informou que realizou contato com a CVM pedindo maiores informações sobre a decisão da suspensão e que irá analisar a resposta do órgão para que possa tomar as "providências cabíveis".

No seu último pregão, os papéis IGBR3 fecharam com queda de 1,65%, cotadas a R$ 4,18. Nos últimos 30 dias, eles chegaram a marcar queda de 30%, em meio à derrota em julgamento para a Apple, que teve o direito de usar o nome "IPHONE" sem ter que pagar nada para a Gradiente.

Cacique de Café Solúvel (CIQU4, R$ 10,10, +13,48%)
A fabricante do café Pelé informou hoje que seu controlador pretende realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) com o objetivo de adquirir todos os papéis ordinários e preferenciais em circulação. Com a notícia, as ações PN da empresa subiram 13,48%, fechando a R$ 10,10. Apesar da notícia, apenas 5 negócios foram realizados com CIQU4, totalizando apenas R$ 4,984 mil.

O controlador Horácio Sabino Coimbra - Comércio e Participações oferecerá R$ 11,70 por ação da empresa, em operação que visa o cancelamento do registro de companhia aberta e de negociação das ações de emissão da Cacique. O valor representa um prêmio de 79,7% sobre o fechamento da ação ordinária na sexta-feira. O último negócio na Bovespa realizado com esse papel foi no início de junho. De acordo com informações disponíveis no site da Bovespa, há 3,31 milhões de ações ordinárias e preferenciais da Cacique que não pertencem ao controlador. Assim, se houver adesão total à OPA, o giro financeiro da oferta será de quase 39 milhões de reais.

 

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