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Ibovespa dispara 2,5% com Datafolha, atinge máxima em 16 meses e sobe 10,7% no ano

Índice alcança terceira alta semanal seguida com divulgação de nova pesquisa eleitoral e supera 57 mil pontos; Petrobras dispara 12% no período

SÃO PAULO - Em mais uma semana com a corrida eleitoral dando o tom no mercado de capitais brasileiro, o Ibovespa alçou novos voos, encerrando o período entre 14 e 18 de julho com ganhos de 4,06%, a 57.012 pontos, em sua terceira alta semanal seguida e maior fechamento desde março de 2013. Contribuindo para mais uma disparada do benchmark da bolsa brasileira, ganhou destaque a pesquisa Datafolha, que mostrou um empate técnico em um eventual segundo turno entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), provocando um novo rali das estatais.

A pesquisa, divulgada na noite de ontem, mostrou que a presidente Dilma manteve a liderança da corrida, porém com queda de 2 pontos percentuais em suas intenções de voto. Segundo o levantamento, a candidata à reeleição, agora conta com 36% dos votos, ante 20% de Aécio e de 8% de Eduardo Campos (PSB). Em um possível segundo turno entre os dois melhores colocados, Dilma teria 44% dos votos e o tucano, 40%. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos, eles estariam empatados tecnicamente.

Com o resultado da pesquisa, o mercado brasileiro acordou otimista na sexta-feira, aumentando o apetite por riscos, sobretudo nos papéis das estatais Petrobras (PETR3, R$ 19,17, +5,45%PETR4, R$ R$ 20,52, +4,91%), Eletrobras (ELET3, R$ 6,85, +6,20%ELET6, R$ 11,30, +0,44%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 28,23, +2,65%), além de outras companhias de peso no Ibovespa, como as instituições financeiras Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,14, +4,90%) e Bradesco (BBDC3, R$ 36,50, +4,11%BBDC4, R$ 35,02, +4,79%). A onda de euforia contaminou o benchmark da Bovespa, que fechou o dia com alta de 2,47% - seu melhor pregão desde 6 de junho, quando subiu 3,05%. O giro financeiro foi de R$ 10,14 bilhões, também muito acima de sua média de R$ 5,05 bilhões vista nos últimos 21 pregões.

Durante boa parte da semana, os investidores da Bovespa operavam ansiosos no aguardo de novos indícios da corrida eleitoral. Nem mesmo a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros em 11% ao ano chamou tanto a atenção do mercado como frequentemente faz. Ainda por aqui, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma espécie de sinalizador do PIB, caiu 0,18% em maio sobre abril, de acordo com dados dessazonalizados, informou o BC nesta quinta-feira.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRVE3 MRV ON 7,63 +8,53 -5,44 38,98M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 11,56 +8,24 -19,61 182,81M
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,85 +6,20 +23,01 35,97M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,92 +5,81 +18,72 266,18M
 PETR3 PETROBRAS ON 19,17 +5,45 +24,17 686,20M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 1,56 -5,45 -56,55 110,30M
 MMXM3 MMX MINER ON 1,51 -4,43 -64,05 4,90M
 FIBR3 FIBRIA ON 21,83 -3,49 -21,05 38,23M
 BRKM5 BRASKEM PNA 13,86 -2,87 -31,49 25,31M
 USIM5 USIMINAS PNA 8,36 -2,56 -41,17 95,39M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,52 +4,91 1,84B 548,31M 81.122 
 PETR3 PETROBRAS ON 19,17 +5,45 686,20M 190,81M 59.985 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 35,14 +4,90 664,39M 265,34M 33.298 
 VALE5 VALE PNA 28,15 -0,04 426,30M 287,88M 28.705 
 BBDC4 BRADESCO PN 35,02 +4,79 345,02M 211,80M 21.879 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,63 +2,65 311,71M 159,48M 35.489 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,92 +5,81 266,18M 82,13M 29.785 
 BBAS3 BRASIL ON 28,23 +2,65 262,20M 134,77M 19.880 
 CIEL3 CIELO ON 43,38 +0,77 211,75M 124,95M 16.785 
 JBSS3 JBS ON 8,64 +2,37 210,98M 28,97M 12.961 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Noticiário internacional também afeta Bovespa
De notícias concretas, dados vindos do exterior norteavam muito mais o comportamento do mercado no Brasil. A China, por exemplo, deu o empurrão que faltava para a mineradora Vale (VALE3, R$ 31,45, -0,10%VALE5, R$ 28,15, -0,04%) consolidar seu momento de recuperação, acompanhado pelos papéis do setor siderúrgico, com a CSN (CSNA3, R$ 11,56, +8,24%) também repercutindo um novo programa de recompra de ações.

No gigante asiático, o surpreendente anúncio de um crescimento de 7,5% PIB do segundo trimestre animou os investidores. Além disso, no noticiário da Vale anima a notícia de que a mineradora assinou um memorando de entendimento com o Banco da China (BOC em inglês), também com validade de 5 anos, para eventuais empréstimos de até US$ 2,5 bilhões.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a semana teve dois eventos que se destacaram. O primeiro deles foi o discurso da chairwoman do Federal Reserve, Janet Yellen, que disse que a autoridade monetária pode agir antes se o mercado de trabalho continuar surpreendendo. Yellen destacou a importância dos progressos no restabelecimento da saúde financeira dos Estados Unidos e o fortalecimento do sistema financeiro. Mesmo com a melhora, "muitos norte-americanos continuam desempregados e a inflação continua distante da meta. Nem todas as reformas financeiras necessárias foram concluídas", explicou a presidente do Fed.

Ainda na maior economia do mundo, o Livro Bege do Fed também destacou um cenário otimista para o país, ao mostrar que as condições econômicas e mercados de trabalho mostraram melhora nos EUA no início de julho. O relatório destacou que apenas dois distritos, Boston e Richmond, informaram um ritmo ligeiramente mais lento de crescimento em relação aos outros meses.

Sexta-feira de recuperação em Wall Street
Outra notícia que preocupou o mercado nesta semana veio da Ucrânia. No país europeu, um avião da Malaysian com 295 pessoas à bordo foi abatido em espaço aéreo na divisa com a Rússia. Mais tarde, o serviço de inteligência dos EUA confirmou que um míssil foi disparado contra o avião, mas ainda não havia a confirmação de onde teria partido o disparo.

O receio de que o fato poderia gerar maiores tensões e até um eventual conflito de maiores dimensões no front geopolítico preocupou o mercado. Com isso, investimentos mais conservadores - caso do ouro - apresentaram fortes altas na véspera. A aversão a riscos também impactou no dólar, que subiu forte.

No entanto, com a redução dos temores do mercado e os dados do Datafolha, a moeda americana devolveu os ganhos da véspera e fechou a sexta-feira com queda de 1,35%, a R$ 2,2283 na venda. Já as bolsas americanas retomaram os ganhos, com os principais três índices acionários fechando com altas entre 0,7% - caso do Dow Jones - e 1,6% - Nasdaq.

 

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