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Petróleo pode disparar com conflito no Iraque; como isso impacta a Bovespa?

Com os temores com o conflito no Iraque se acentuando, petróleo atinge cotação máxima em nove meses; Petrobras, Braskem e Ultrapar devem ser pressionadas, enquanto QGEP não deve ser impactada

Plataforma Petróleo
(Divulgação Petrobras)

SÃO PAULO - Os preços do petróleo registram uma forte tendência de alta, tendo como principal vetor o noticiário sobre os conflitos no Iraque, de maioria xiiita, e os guerrilheiros de um movimento radical sunita. 

Há mais de uma semana, os conflitos no país vêm guiando o preço do petróleo e pressionando ou beneficiando as empresas que são impactados pela cotação da commodity no mercado internacional. Com isso, nesta sexta-feira, a cotação do Brent ficou em volta dos US$ 115, enquanto o WTi, negociado no mercado futuro de Nova York, supera os US$ 107. 

Em meio a esses conflitos, como as ações das companhias brasileiras serão impactadas? O Santander avaliou que os preços médios reais de petróleo no acumulado do ano estão em linha com as estimativas usadas no modelo do banco mas, se o movimento ascendente da commodity continuar, muitas empresas podem sofrer - ou se beneficiar.  

No caso brasileiro, as empresas que compõem a Bovespa não devem se beneficiar com os melhores preços da commodity. Como um dos destaques, a Petrobras (PETR3;PETR4) seria impactada negativamente, o que pode acontecer já que o segmento de refino está comprando barris mais caros da divisão de produção sem ter permissão para aumentar preços da gasolina e do diesel, informou o Santander em relatório. 

De acordo com o relatório do Santander, além da incapacidade de repasse, valores mais elevados do petróleo estabelecem royalties maiores e um tributo de participação especial para o segmento de produção. Além disso, esse panorama torna os custos de importação mais altos. 

Braskem e Ultrapar também são afetadas
O analista Valter Nogueira, que assina o relatório, também acredita que a Braskem (BRKM5) e a Ultrapar (UGPA3) podem sofrer com o aumento de preços. Nogueira ressalta que a matéria-prima mais importante da Braskem - nafta - é um produto derivado do petróleo portanto, altamente correlacionado. Assim, se os preços do petróleo aumentam, os da nafta acompanham. 

Dessa forma, a menos que a Braskem seja capaz de aumentar os preços para seus produtos finais - resinas- , suas margens serão afetadas com um aumento de preços. "Embora o aumento nos custos não seja imediato em virtude da metodologia de preços usada pela Braskem para comprar nafta da Petrobras (média móvel em três meses), a alta nos preços do petróleo pode afetar os resultados, uma vez que a nafta representa cerca de 50% do CPV (Custo de Produtos Vendidos) da Braskem", afirma Nogueira.

Já a Ultrapar, pode ter um impacto ligeiramente negativo, uma vez que o aumento nos preços do petróleo pode causar uma alta nos preços de matérias-primas para as operações químicas da Ultrapar (Oxiteno). "Apesar disso, a Oxiteno representa apenas 15% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Ultrapar", avalia Nogueira.

A Queiroz Galvão (QGEP3), por sua vez, afirma Nogueira, não deve nem sofrer nem se beneficiar com os maiores preços. "Seria positivo se a empresa já estivesse produzindo petróleo, mas não há expectativas de que o primeiro óleo seja produzido até o final de 2015/início de 2016". 

Vale lembrar ainda que, fora do setor - portanto, que não consta no relatório do analista do Santander - está a Gol (GOLL4). A companhia, assim como outras aéreas, sofre com o aumento do querosene de aviação, que é um dos derivados do petróleo e o combustível para as aeronaves. Assim, com a alta dos preços do petróleo, um dos maiores componentes de custos do setor também se eleva e afeta os resultados das companhias. 

E, além dessas ações que sofrem mais diretamente com a alta dos preços, há também as que sofrem indiretamente. Os mercados têm reagido de forma tímida ao aumento das tensões no Iraque, caso de Wall Street e Europa mas, por aqui, a Bovespa pode sofrer mais, dada a maior aversão ao risco, que impacta os emergentes de uma forma geral. 

Entre as beneficiadas, nenhuma brasileira...
Já entre os papéis que devem se beneficiar da alta dos preços do petróleo, estão as petroleiras colombiana Ecopetrol e a canadense Pacific Rubiales que, ao contrário da Petrobras, tem uma correlação positiva de seus ativos com os preços do petróleo. 

"Como a Ecopetrol é uma empresa de petróleo integrada, cujos preços de refino para a gasolina e o diesel variam em linha com os internacionais, um movimento de alta nos preços do petróleo traz impacto positivo para a empresa", ressalta Nogueira. No caso da Pacific Rubiales, como se trata de uma empresa de exploração e produção, com produção significativa a caminho, ela seria beneficiada por uma alta geral no preço da commodity.

 

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