Em mercados / acoes-e-indices

No adeus aos resultados, Ibovespa fecha em queda de 1,02%; 52 ações caíram

Índice recua após renovar máxima de 6 meses na véspera; Oi puxou quedas ao desabar 8%, enquanto Cemig caiu 6%; apenas 4 ações subiram mais de 1%

cotação em vermelho - bolsa
(iStockphoto)

SÃO PAULO - Após subir mais de 1% na véspera e renovar sua máxima em 6 meses, o Ibovespa voltou a cair nesta quinta-feira (15) e volta a ficar entre os 53 e 54 mil pontos - congestão esta que já dura quase duas semanas. Nesta sessão, o benchmark da bolsa brasileira fechou com perdas de 1,02%, 53.855 pontos, no último dia oficial da temporada dos balanços corporativos e penúltimo antes do vencimento de opções sobre ações, que costuma ampliar a sensibilidade no mercado. Apenas 4 das 71 ações que compõem o índice apresentaram ganhos superiores a 1%, com as principais blue chips em queda. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 5,22 bilhões.

Além da temporada de resultados no Brasil, o mercado também ficou de olho no cenário externo, bastante movimentado em meio à divulgação de diversos indicadores econômicos. Nos EUA, apesar de o Initial Claims ter registrado seu menor número de pedidos de auxílio-desemprego semanal em sete anos (24 mil), o dia foi de pessimismo. Ainda na maior economia do mundo, os dados de produção industrial caíram 0,6% em abril e decepcionaram, uma vez que era esperada uma queda de 0,2% na produção. Enquanto isso, a utilização da capacidade instalada caiu de 79,3% para 78,6%.

No radar econômico doméstico, destaque para a fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante o XVI Seminário Anual de Metas para a Inflação. Tombini disse que os mercados globais seguem momentos "mais tranquilos", diante de maior clareza sobre os próximos passos do Federal Reserve no processo de retirada dos estímulos monetários não convencionais. Apesar dessa avaliação, Tombini disse, contudo, que as consequências deste movimento para as demais economias ainda não estão totalmente definidas.

Resultados e MSCI movimentam ações
No radar corporativo, diversas companhias divulgaram seus números referentes ao primeiro trimestre. Em destaque, ficaram as imobiliárias: a Cyrela (CYRE3, R$ 13,55, +0,37%) teve lucro líquido de R$ 163 milhões no primeiro trimestre, queda de 8,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior, sob o efeito de fatores que incluíram distrato de terrenos e menor resultado da joint venture Cury, voltada para o programa Minha Casa Minha Vida.

Já a Rossi Residencial (RSID3, R$ 1,75, -1,69%) teve lucro líquido de R$ 6,8 milhões no primeiro trimestre, ante prejuízo de R$ 10 milhões um ano antes, o que leva a companhia a liderar os ganhos do índice, com alta de 2,81%, a R$ 1,83. O Ebitda foi de R$ 38,7 milhões no período, alta de 77,2% sobre igual período do ano passado.

Enquanto isso, o lucro líquido da construtora e incorporadora MRV (MRVE3, R$ 7,04, 0,00%) no primeiro trimestre teve leve alta de 2,7% na comparação anual, para R$ 81 milhões e vê as suas ações caírem forte. Além dos resultados do primeiro trimestre, a companhia foi retirada da carteira do índice MSCI Brasil, que também contou com a exclusão dos papéis da Cia. Hering (HGTX3, R$ 23,23, -3,97%). Calculado pelo banco norte-americano Morgan Stanley, o índice MSCI é o principal índice de ações acompanhado por investidores institucionais e grandes fundos de investimentos do mundo.

Voltando à temporada de resultados, a distribuidora de energia paranaense Copel (CPLE6, R$ 34,28, -2,00%) teve lucro líquido de R$ 583 milhões de reais no primeiro trimestre, alta de 46,2% na comparação com o mesmo período de 2013, enquanto a operadora de telecomunicações Oi (OIBR4, R$ 1,83, -8,04%), cujas ações lideraram as perdas do dia, teve um recuo de 13% em seu lucro líquido no primeiro trimestre sobre um ano antes, para R$ 228 milhões.

A JBS (JBSS3, R$ 7,87, -1,99%) viu o lucro líquido recuar 69,3% no primeiro trimestre ante igual período do ano passado, a R$ 70 milhões, afetado por despesas financeiras. Enquanto isso, as ações da Gol (GOLL4, R$ 14,05, +0,52%), após a companhia anunciar que encerrou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 131 milhões, um crescimento de 74% em relação ao resultado negativo de R$ 75 milhões sofrido no mesmo período de 2013.

Fora do noticiário de resultados, a Cemig (CMIG4, R$ 15,85, -6,38%) viu seus papéis apresentarem a segunda maior perda do dia. Na véspera, o julgamento do mandado de segurança da companhia em Jaguara foi suspenso.

A Petrobras (PETR3, R$ 17,03, -1,73%; PETR4, R$ 18,03, -1,42%) também chamou a atenção dos investidores nesta sessão. A atual presidente da companhia, Graça Foster, o ex, José Sérgio Gabrielli, e a presidente diretora-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Magda Chambriad, estão entre os primeiros convocados para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras no Senado.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 1,83 -8,04 -49,03 223,53M
 CMIG4 CEMIG PN 15,85 -6,38 +26,41 119,91M
 ELET3 ELETROBRAS ON 7,16 -5,04 +28,57 19,51M
 CESP6 CESP PNB 27,89 -3,99 +38,30 41,63M
 HGTX3 CIA HERING ON 23,23 -3,97 -21,37 60,92M


As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOAU4 GERDAU MET PN 17,43 +1,63 -25,18 12,78M
 MRFG3 MARFRIG ON 4,82 +1,47 +20,50 3,00M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,48 +1,37 +28,70 4,65M
 GGBR4 GERDAU PN 14,38 +1,20 -21,21 59,39M
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 15,07 +0,60 +24,24 54,13M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,03 -1,42 366,49M 597,09M 24.953 
 AEDU3 ANHANGUERA ON 16,16 0,00 336,19M 81,12M 6.607 
 VALE5 VALE PNA 28,17 -0,28 302,68M 443,81M 20.038 
 OIBR4 OI PN 1,83 -8,04 223,53M 134,90M 29.344 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 37,21 -0,75 200,71M 366,95M 15.678 
 BBDC4 BRADESCO PN 34,87 -1,27 154,30M 250,57M 12.563 
 CMIG4 CEMIG PN 15,85 -6,38 119,91M 84,41M 22.791 
 KROT3 KROTON ON ED 55,01 -1,40 116,64M 119,71M 7.707 
 MRVE3 MRV ON 7,04 0,00 99,59M 28,10M 19.135 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 28,65 +0,53 97,08M 124,12M 13.818 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Dólar e Wall Street
O dólar seguiu seu rumo natural em dias de queda na Bovespa, ao mostrar valorização de 0,57% ante o real, fechando cotado a R$ 2,2208 na venda.

Bolsas norte-americanas fecharam em baixa Já nos EUA, os principais índices acionários fecharam em baixa. O Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em baixa de 1,01% a 16.447 pontos; o S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, caiu 0,94%, atingindo 1.871 pontos; já o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, mostrou recuo de 0,77%, chegando a 4.068 pontos.

Outros destaques
Na Ásia, as bolsas do continente fecharam a sessão entre ganhos e perdas, apesar do PIB (Produto Interno Bruto) japonês ter apresentado seu ritmo mais rápido de crescimento desde 2011. Já na Europa, investidores reagiram também às taxas de crescimento da zona do euro, França e Alemanha.

Nos três primeiros meses do ano, a economia do Japão cresceu 1,5% na comparação com o trimestre anterior, ante uma expectativa de expansão de 1%. No anualizado, o crescimento do país atingiu 5,9%.

Na Europa, o mercado segue no aguardo de alguma decisão do BCE (Banco Central Europeu) para afrouxar mais a política monetária visando a reduzir os riscos de deflação de uma economia que quase não cresce. A Agência de Estatísticas da União Europeia divulgou que a economia dos 18 países que fazem parte da zona do euro expandiu apenas 0,2% no primeiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, ante expectativa de economistas de expansão de 0,4%.

A França também apresentou dados abaixo do esperado no trimestre e apresentou uma estagnação de sua economia nos três primeiros meses do ano. Já a Alemanha anunciou um crescimento ajustado de 0,8% entre janeiro e março, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, informou a agência de estatísticas Destatis.

Desta forma, os principais índices acionários do velho continente terminaram o dia em queda, puxados também pelos sinais de que as economias portuguesa e italiana mostrarem contração no primeiro trimestre. O índice FTSEurofirst 300, que reúne os principais papéis do continente, fechou em queda de 0,79%, a 1.357 pontos, longe da máxima de seis anos atingida mais cedo no dia, de 1.372 pontos.

 

Contato