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Oi, imobiliárias e educacionais lideram perdas; 15 ações caem mais de 2%

Fora do Ibovespa, Randon e Marcopolo chamam atenção com perdas de mais de 3% diante da expectativa de resultados ruins; Dasa recua 2,5% no aguardo por decisão de Arbitragem

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(Nacho Doce/Reuters)

SÃO PAULO - Após leve queda na véspera, o cenário não teve grandes alterações na Bolsa nesta quarta-feira (23). Enquanto apenas 14 das 72 ações do Ibovespa registraram alta, foram 15 papéis recuando mais de 2%. Dentro do índice, destaque negativo para o setor de educação e para as imobiliárias, que ficaram com os piores desempenhos do dia. Com as maiores quedas ficaram os papéis da Oi (OIBR4, R$ 2,61, -4,04%) e da Marfrig (MRFG3, R$ 4,22, -4,09%).

Com quedas de mais de 2%, chamaram atenção os ativos da Kroton (KROT3) e da Anhanguera (AEDU3), que tiveram desvalorização de 3,22% e 2,39%, respectivamente, cotados a R$ 45,35 e R$ 13,08. Procurados pelo InfoMoney, analistas não souberam justificar as perdas das duas empresas, mas vale lembrar que as duas estão envolvidas em um complicado processo de fusão, que segue pendente de definições.

Também entre as maiores perdas, chamou atenção os papéis da Souza Cruz (CRUZ3), que caíram 2,18%, a R$ 21,98. Apesar dessa ser a segunda queda consecutiva das ações, a companhia ainda segue em patamares acima do registrado antes da sequência de altas registradas há duas semanas, quando eram cotadas a R$ 20,71. Na época, rumores apontaram que a companhia poderia realizar o primeiro programa de recompra de ações da história, fato que foi negado pela empresa.

Vale
Apesar de uma queda mais amena, as perdas das ações da Vale (VALE3-1,37%, R$ 30,29; VALE5-1,21%, R$ 27,70) pesam para o desempenho do Ibovespa, em meio a dados da economia chinesa, principal destino das exportações da mineradora. A leitura preliminar do PMI da indústria chinesa, medido pelo Markit/HSBC, registrou ligeira melhora, de 48 para 48,3 em abril.

Entretanto, o indicador ainda mostra contração. Segundo a LCA Consultores, o fraco desempenho do setor industrial confirma a necessidade de novas medidas de estímulos para garantir o cumprimento da meta do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) este ano, de 7,5%.

Dasa
As ações da Dasa (DASA3) caíram 2,52%, cotadas a R$ 13,94, após registrarem alta de 6,72% na véspera. Nesta manhã, a empresa divulgou comunicado ao mercado informando que seu conselho de administração decidiu aguardar a decisão do processo junto à Câmara de Arbitragem do Mercado da BM&FBovespa para adotar quaisquer medidas adicionais àquelas realizadas até esta data.

Em 7 de março, a Cromossomo, de Edson Godoy e Dulce Pugliese, instaurou um processo de arbitragem com o objetivo de sanar dúvidas sobre a necessidade da realização de uma nova OPA (Oferta Pública de Aquisição), conforme estipula o estatuto da companhia. Como a Cromossomo não adquiriu totalidade das ações da Dasa na OPA lançada em dezembro do ano passado, o estatuto da empresa estipula que uma OPA Estatutária seja feita por aquele que comprou mais de 15% da empresa para aquisição do restante das ações da companhia. Atualmente, a Cromossomo detém aproximadamente 62% do capital total da Dasa.

Imobiliárias
As construtoras e incorporadoras MRV Engenharia (MRVE3), Even (EVEN3) e Gafisa (GFSA3) são destaques no setor imobiliário após divulgação de suas prévias do primeiro trimestre. Depois de subirem pela manhã, MRV e Gafisa viraram para queda. As empresas viram suas ações caírem 3,53% e 3,51%, respectivamente, a R$ 7,10 e R$ 3,57. Já a Even recuou 1,90%, a R$ 7,21. 

A MRV informou que os lançamentos subiram 6% na comparação anual, mas as vendas subiram 40% no mesmo período, em mais um sinal de redução de estoques. No ano passado, a construtora e incorporadora mineira concentrou seus lançamentos no quarto trimestre, com alta de 101% frente ao mesmo período de 2012. 

Já a Even divulgou queda tanto de lançamentos quanto de vendas. Os lançamentos recuaram 33,5% em relação aos dados divulgados um ano antes, e as vendas contratadas, também focadas na redução dos estoques, diminuíram 18,6%. 

Por outro lado, a Gafisa apresentou forte alta nos lançamentos no primeiro trimestre, de 172%. As vendas também mais do que dobraram no período, mas a redução de estoques também predominou e representou 76% dos empreendimentos comercializados no período.

Bradesco
As ações do Bradesco (BBDC3; BBDC4) registraram perdas um dia antes da companhia divulgar seu resultado do primeiro trimestre. Os papéis ordinários do banco recuaram 1,04%, a R$ 34,30, enquanto os preferenciais tiveram desvalorização de 0,96%, para R$ 33,00. Apesar da queda, a expectativa é que o Bradesco seja o único banco a registrar alta em seu lucro na comparação com o trimestre anterior.

Para os analistas do BB Investimentos, os bancos privados devem continuar sua trajetória de melhora na qualidade da carteira com indicadores de inadimplência (NPL) e despesas de provisões para devedores duvidosos (PDD) em queda - ou pelo menos estáveis. Além disso, o aumento da Selic deve ajudar na retomada do crédito, que já havia mostrado melhora no último trimestre do ano passado, afirmam os analistas.

Autopeças
Fora do Ibovespa, destaque para o setor de autopeças, que registrou fortes perdas com a Randon (RAPT4, R$ 7,00, -3,98%) e a Marcopolo (POMO4, R$ 4,02, -3,60%). Apesar de nenhuma notícia que justificasse o movimento, o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, destacou que até o momento, 2014 tem sido um ano bastante fraco para o setor, e com a temporada de resultados começando a acelerar, os investidores podem estar evitando maiores riscos com essas empresas.

Vale destacar ainda que na última quinta-feira (17), a Randon divulgou uma prévia de seus dados e mostrou que sua receita bruta caiu 4,2% no primeiro trimestre, atingindo R$ 1,5 bilhão. Apenas em março, a receita bruta ficou em R$ 550,8 milhões, queda de 0,5% ante o mesmo período de 2013. Por outro lado, a receita líquida registrou alta de 3,8%, chegando a R$ 369,1 milhões. 

Klabin
As ações da Klabin (KLBN4) registraram queda de 2,61%, cotadas a R$ 2,24. O conselho de administração da empresa aprovou na véspera a emissão de R$ 800 milhões em debêntures, parte para o financiamento do projeto de construção de uma fábrica de celulose na cidade de Ortigueira, no Paraná. A emissão era condição para a efetivação de financiamento aprovado junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) no valor de R$ 3,37 bilhões.

 

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