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Ibovespa tem 4ª queda em 5 dias com novos temores de "apagão" ofuscando Fed

Índice cai 0,86%, com elétricas e siderúrgicas liderando as perdas; IPCA fica acima do esperado e derruba ações do setor imobiliário

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - O aumento das chances de o Brasil ter que passar por racionamento de energia neste ano voltou a atormentar a Bovespa nesta quarta-feira (9), ofuscando dessa forma as "boas notícias" vindas dos Estados Unidos. Com queda de 0,86%, o índice fechou a 51.185 pontos, na sua 4ª queda em 5 pregões. Destaque para as ações das estatais e companhias dos setores elétrico e siderúrgico, além dos papéis do setor imobiliário, que sofreram com a inflação acima do esperado em março. O giro financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 7,45 bilhões.

As ações do setor elétrico caíram forte neste pregão em meio a rumor de que a consultoria PSR, uma das principais sobre o setor elétrico do País, divulgará amanhã relatório ou informará ao governo a necessidade de que seja decretado o racionamento de energia. Procurada pelo InfoMoney, a consultoria negou a existência deste relatório. As siderúrgicas, um dos setores mais expostos a um possível apagão, também desabaram na Bovespa, prejudicados também pela decisão do Cade sobre o "caso CSN x Usiminas", decidindo que a primeira terá que vender uma fatia da sua participação na segunda.

Nos EUA, o dia foi bastante eufórico, com destaque para a divulgação da ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), com o Federal Reserve dando novas pistas sobre os passos a serem tomados sobre a taxa de juros americana. Nas próximas reuniões, o Fomc deverá olhar para várias métricas dentro da economia para decidir se um aumento se justifica. Após a ata, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 intensificaram as altas.

Mesmo com a bolsa em queda, o dólar comercial não conseguiu subir e teve mais um dia negativo. Com recuo de 0,25%, a moeda norte-americana terminou o dia a R$ 2,1975 na venda.

Do lado macroeconômico nacional, destaque para a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que acelerou para 0,92% em março, acima da expectativa de 0,86% do mercado. No acumulado de doze meses, o índice inflacionário ficou em 6,15%, aproximando-se do teto da meta de 6,5% ao ano estabelecida pelo governo. Em Nova York, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a inflação elevada é passageira. "O governo sempre se preocupa com inflação. O que estamos tendo agora é por causa da seca", afirmou.

Destaques do pregão
Com o aumento do risco de racionamento de energia no País, as ações da Eletrobras (ELET3, R$ 6,82, -6,58%; ELET6, R$ 11,00, -6,94%) lideraram as perdas do dia, acompanhados pelos papéis de Light (LIGT3, R$ 17,73, -2,96%), Copel (CPLE6, R$ 29,30, -2,69%), Tractebel (TBLE3, R$ 33,10, -2,65%) e Eletropaulo (ELPL4, R$ 8,79, -2,55%).

Além das elétricas, destaque para as ações de estatais, que, após o forte rali das últimas três semanas, deram sequência ao movimento de correção da véspera, com Petrobras (PETR3, R$ 15,23, -1,10%; PETR4, R$ 15,85, -0,88%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,41, -3,22%) contribuindo para o dia negativo do índice.

As imobiliárias também terminaram a sessão com perdas, repercutindo um IPCA acima do esperado e o risco de novas elevações na Selic para manter a inflação domada abaixo do teto dos 6,5%. Rossi (RSID3, R$ 1,72, -4,44%), MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,59, -2,94%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,60, -2,44%) lideraram as perdas do setor.

Entre as maiores perdas desta quarta-feira (9), as ações das siderúrgicas Usiminas (USIM3; USIM5) e CSN (CSNA3) foram puxadas pela decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) anunciada nesta tarde e que obriga a CSN a reduzir sua participação na Usiminas. As ações ordinárias da Usiminas recuaram 9,81%, para R$ 8,00, enquanto as preferencias caíram 6,26%, para R$ 8,99. Já os papéis da CSN tiveram desvalorização de 5,20%, a R$ 9,11.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELET6 ELETROBRAS PNB 11,00 -6,94 +10,78 48,84M
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,82 -6,58 +16,18 31,33M
 USIM5 USIMINAS PNA 8,99 -6,26 -36,73 195,99M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 9,11 -5,20 -36,65 95,68M
 RSID3 ROSSI RESID ON 1,72 -4,44 -15,69 14,03M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 3,30 +5,43 -8,08 66,19M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 20,71 +2,68 -11,83 55,29M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 11,35 +2,62 -7,95 63,73M
 CCRO3 CCR SA ON 17,39 +1,82 -2,14 76,21M
 SBSP3 SABESP ON EJ 20,39 +1,70 -20,01 31,67M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ 15,85 -0,88 654,97M 618,17M 44.506 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 34,15 -1,33 490,68M 375,15M 26.510 
 VALE5 VALE PNA 29,95 -0,43 334,96M 477,32M 20.289 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 32,11 -0,83 331,19M 317,88M 20.099 
 BBAS3 BRASIL ON 23,41 -3,22 227,44M 178,22M 20.371 
 PETR3 PETROBRAS ON EJ 15,23 -1,10 208,60M 216,21M 24.780 
 USIM5 USIMINAS PNA 8,99 -6,26 195,99M 83,30M 31.658 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,72 +1,12 157,41M 142,35M 19.511 
 CIEL3 CIELO ON EB 36,50 +0,83 151,02M 86,00M 10.020 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 105,28 -2,07 140,08M 78,44M 5.274 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Europa
Na Europa, os índices acionários do continente tiveram enfim um pregão de alta, impulsionados pelos papéis das montadoras. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, subiu 0,36%, para 1.338 pontos, após cair ao menor nível em mais de uma semana na sessão anterior.

Do lado macroeconômico do dia, dados da atividade do comércio alemão mostraram que as exportações do país caíram para 1,3% em relação ao mês passado e ficaram abaixo da estimativa do mercado.

 

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