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Fim do repique? Ibovespa cai 0,45% e quebra maior sequência de altas em 7 meses

Índice chegou a subir mais de 1% no intraday, mas virou para o negativo no lastro das bolsas dos EUA; discurso de Obama esfriou os ânimos do mercado

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - O movimento do Ibovespa que durou mais de uma semana teve enfim uma pausa. Nesta quarta-feira (26), o principal índice de ações da bolsa brasileira encerrou uma sequência de 7 altas - a maior desde agosto do ano passado - ao terminar o dia em queda de 0,45%, a 47.965 pontos. Contribuíram para as perdas do benchmark da bolsa brasileira os recuos das ações das blue chips Petrobras (PETR3, R$ 13,78, -1,92%; PETR4, R$ 14,40, -0,55%) e Vale (VALE3, R$ 30,47, -1,14%; VALE5, R$ 27,50, -0,40%), além das siderúrgicas, superando o bom desempenho dos bancos, que chegaram a levar o índice a ganhos de mais de 1% durante a manhã. O giro financeiro foi de R$ 6,43 bilhões.

Durante o intraday, o Ibovespa chegou a bater nos 48.700 pontos, patamar alcançado pela última vez em 12 de fevereiro. Na época, o índice também estava em uma pequena tendência de alta, mas após tocar nesta região ele voltou à sua trajetória negativa.

Para o assessor de investimentos da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga, houve uma clara correção técnica, com os investidores aproveitando para embolsar os lucros obtidos nos últimos 7 pregões – que fizeram o Ibovespa acumular alta superior a 8%. “A expectativa é que tenhamos mais dois ou três dias de recuo, o que é bastante saudável para a bolsa”, explica. No entanto, apesar da nova queda, Madruga segue otimista com a bolsa brasileira e já visualiza tendências de alta em vez de repiques em movimentos baixistas. Ele espera que abril seja um mês bastante positivo, em linha com seu retrospecto histórico.

Vale, siderúrgicas e Oi em destaque
Contribuindo para o movimento de correção do índice, ganharam destaque as ações da Vale e das siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 9,87, -0,80%) e CSN (CSNA3, R$ 9,68, -2,71%), repercutindo as expectativas de que o governo chinês injete estímulos na economia local para evitar baixo crescimento.

Do lado da mineradora, além da China, vale destacar a expectativa do mercado pelo resultado de disputa no STJ (Supremo Tribunal de Justiça) sobre a cobrança da Receita sobre os lucros obtidos por suas controladas no exterior. Até agora, o placar geral está em 2 a 1 a favor da empresa. Na véspera, o ministro Ari Pargendler, do STJ, seguiu o relator e votou favorável à mineradora no caso que discute a tributação dos lucros das controladas localizadas em países com os quais o Brasil tem tratado para evitar a bitributação. O caso, no entanto, foi suspenso por um pedido de vista do relator do caso, ministro Napoleão Nunes Maia Fillho.

O processo julgado ontem voltou à pauta depois de a Vale incluir parte dos valores devidos no programa de parcelamento especial aberto pelo governo federal - o Refis das controladas e coligadas. De acordo com comunicado divulgado em novembro, foram incluídos no parcelamento as autuações fiscais lavradas entre os anos de 2003 e 2012. Naquele momento, a companhia se comprometeu a pagar R$ 22,3 bilhões à Receita Federal, dentre os quais R$ 5,96 bilhões à vista no fim de novembro e R$ 16,36 bilhões seriam parcelados em 179 meses, com correção pela Selic.

Em meio ao noticiário conturbado, a Oi (OIBR4, R$ 3,19, -11,14%) liderou as perdas do dia. Do lado da companhia, vale destacar que na véspera a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu que os controladores da Oi poderão votar na assembleia que examinará o valor dos ativos da Portugal Telecom a serem aportados no aumento de capital da empresa brasileira. A CVM também manteve a data da assembleia que discutirá o tema, marcada para amanhã.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 3,19 -11,14 -11,14 120,36M
 RSID3 ROSSI RESID ON 1,53 -4,97 -25,00 9,52M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,28 -4,48 -29,28 27,64M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 8,22 -3,97 -11,04 97,16M
 GFSA3 GAFISA ON 3,10 -3,73 -12,18 22,38M

Bancos sobem forte
Enquanto isso, as ações de instituições financeiras tiveram um dia de ganhos mesmo após a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixar diversas notas de crédito, dentre elas: Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,73, +0,86%), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Bradesco (BBDC4, R$ 29,51, +2,22%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,11, +1,30%), Santander (SANB11, R$ 12,37, +2,23%), Itaú BBA, HSBC, Citibank, Banco do Nordeste, SulAmérica, SulAmérica Companhia Nacional de Seguros e Allianz. Com exceção da SulAmérica, as instituições financeiras que tiveram as notas cortadas continuam com grau de investimento. O rating da seguradora já estava em grau especulativo antes mesmo da revisão da S&P.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 TIMP3 TIM PART S/A ON 11,68 +4,01 -5,27 95,48M
 MRVE3 MRV ON 7,65 +3,66 -9,25 39,46M
 BBDC3 BRADESCO ON 31,55 +2,94 -0,38 33,29M
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 12,37 +2,23 +1,50 29,57M
 BBDC4 BRADESCO PN 29,51 +2,22 +2,51 393,16M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 14,40 -0,55 427,83M 488,08M 34.245 
 BBDC4 BRADESCO PN 29,51 +2,22 393,16M 220,54M 24.794 
 VALE5 VALE PNA 27,50 -0,40 377,98M 445,70M 27.644 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 32,73 +0,86 377,90M 288,05M 29.884 
 VALE3 VALE ON 30,47 -1,14 162,33M 159,86M 16.527 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,65 -0,54 157,67M 151,24M 24.069 
 BBAS3 BRASIL ON 21,11 +1,30 149,03M 168,93M 14.216 
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 23,69 -1,09 148,46M 126,04M 15.927 
 PETR3 PETROBRAS ON 13,78 -1,92 127,15M 170,04M 15.121 
 KROT3 KROTON ON ED 47,50 -1,66 126,87M 122,83M 6.604 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Obama esfria os ânimos
O dia também foi de queda para os três grandes índices acionários dos EUA, que, após chegarem a registrar leves ganhos no intraday, terminaram o dia com quedas entre 0,6% e 1,5%. Por lá, destaque para o discurso do presidente Barack Obama, que afirmou que o princípio da autodeterminação do indivíduo está sendo testado na Europa com as tensões na Ucrânia - fator determinante que fez as bolsas locais virarem, em movimento acompanhado pelo Ibovespa.

Na agenda norte-americana,  as novas encomendas de bens duráveis aumentaram 2,2% em fevereiro, após alta de 1,3% no início do ano.

Em desempenho como manda a cartilha básica do mercado, o dólar acompanhou o negativo e registrou leve alta, após bater sua mínima de 2014 na véspera. Nesta sessão, a moeda americana fechou em alta de 0,1% ante o real, cotada a R$ 2,3084 na venda, ainda com uma boa gordura em relação ao patamar dos R$ 2,40 - tido pelos analistas como uma espécie de divisor de águas para o mercado cambial.

 

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