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Ibovespa não sente corte de rating e sobe pelo 7ª dia; dólar bate mínima do ano

Com alta de 0,39%, índice iguala sequência de setembro de 2013 e acumula ganhos de 7,2% no período; corte da nota de crédito do Brasil para BBB-, feito pela S&P, "precificado"

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - Nem a Standard & Poor’s conseguiu desanimar os investidores da Bovespa. Após ter seu rating soberano cortado para BBB- pela agência na véspera, o Ibovespa voltou a subir nesta terça-feira (25), terminando o dia com ganhos de 0,39%, a 48.180 pontos, em sua 7ª alta seguida - acumulando alta de 7,15% desde a segunda-feira (17) da semana passada -, acompanhando o movimento dos principais índices internacionais. O aparente otimismo sem fim na bolsa brasileira fez o benchmark da bolsa brasileira igualar sua melhor sequência em mais de 6 meses e volar a seu melhor patamar desde o começo de fevereiro. O giro financeiro negociado foi de R$ 5,73 bilhões.

O repentino rebaixamento do rating brasileiro não pegou os investidores da Bovespa. Em seu 7º dia de alta, o Ibovespa deu indícios importantes nesta sessão de que o fator já teria sido precificado meses antes. Na decisão da agência americana de classificação de risco, vale destacar a perspectiva de “falta de comprometimento” das autoridades brasileiras em cumprir com metas mais austeras nas políticas fiscais, além do baixo crescimento econômico esperado para 2014 e os anos subsequentes. No entanto, o País segue na categoria “grau de investimento” da S&P.

Acompanhando o movimento de otimismo da bolsa brasileira e desafiando aqueles que esperavam um ajuste após a mudança do rating brasileiro, o dólar registrou mais uma queda significativa ante o real ao terminar o dia com desvalorização de 0,7%, cotada a R$ 2,3062 na venda - menor fechamento de 2014. Também tiveram dia de queda os contratos de juros futuro.

Nesta terça-feira, o benchmark da bolsa brasileira acompanhou o movimento das principais bolsas internacionais, com os três índices acionários americanos fechando com ganhos entre 0,1% (Nasdaq) e 0,6% (Dow Jones). Por lá, dados mistos marcaram a agenda macroeconômica, com a alta da confiança do consumidor – que atingiu sua máxima em 6 anos em março – superando os efeitos da queda das vendas de moradia, que alcançaram sua mínima em 5 meses.

Destaques do pregão
Ajudaram a sustentar mais um dia de alta do Ibovespa as ações pesos-pesados do índice, ou seja, as que tem maior participação na carteira teórica do índice. Desta forma, Petrobras (PETR3, R$ 14,05, +0,79%; PETR4, R$ 14,48, +0,56%), Vale (VALE3, R$ 30,82, +0,78%; VALE5, R$ 27,61, +1,66%), Itaú (ITUB4, R$ 32,45, +0,56%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,84, +0,24%), Usiminas (USIM5, R$ 9,95, +2,58%) e CSN (CSNA3, R$ 9,95, +1,63%) foram decisivas para o dia positivo.

Do lado da estatal, vale destacar que, em decorrência do rebaixamento da nota de crédito brasileira, a Petrobras - acompanhada também pela Eletrobras (ELET3, R$ 5,81, -1,86%; ELET6, R$ 10,10, -3,07%) - também teve seus ratings cortados de "BBB" para "BBB-", com perspectiva estável, sem indicação de mudança nos próximos meses.

Além de Petrobras e Eletrobras, a mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela mineradora anglo-australiana BHP, também foi rebaixada para BBB- pela S&P. No entanto, a alta dos papéis dos setores de mineração e siderurgia foram sustentados pelo noticiário chinês em meio ao aumento das chances do gigante asiático adotar estímulos após a desaceleração na economia do país. Do lado da Vale, também é importante destacar a expectativa do mercado pela retomada do julgamento sobre a cobrança de impostos e lucros de controladas no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Do lado das perdas, o maior destaque fica por conta do maior frigorífico do mundo - a JBS (JBSS3, R$ 7,48, -4,96%) -, cujos papéis caíram forte após a companhia apresentar seu balanço referente ao quarto trimestre do ano passado. A companhia fechou o período com lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 140,7 milhões, aumento de 112% em relação a igual intervalo do ano anterior e vê seus papéis registrarem as maiores perdas do índice, com queda de 3,43%, a R$ 7,60.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CPLE6 COPEL PNB 28,40 +3,54 -6,98 13,84M
 AEDU3 ANHANGUERA ON 12,70 +3,34 -14,77 143,64M
 USIM5 USIMINAS PNA 9,95 +2,58 -29,98 48,38M
 CMIG4 CEMIG PN 14,28 +2,51 +1,93 55,48M
 NATU3 NATURA ON 36,98 +2,38 -7,61 79,46M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 7,48 -4,96 -14,71 42,20M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 8,56 -3,39 -7,36 60,12M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 10,10 -3,07 +1,71 25,02M
 FIBR3 FIBRIA ON 25,02 -2,46 -9,51 46,14M
 CSAN3 COSAN ON 33,56 -2,24 -15,21 47,58M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 14,48 +0,56 580,56M 483,21M 48.559 
 VALE5 VALE PNA 27,61 +1,66 455,20M 445,20M 33.822 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,87 -0,59 361,60M 213,11M 22.258 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 32,45 +0,56 340,58M 285,29M 22.969 
 VALE3 VALE ON 30,82 +0,78 179,00M 158,85M 17.384 
 AEDU3 ANHANGUERA ON 12,70 +3,34 143,64M 88,35M 7.417 
 PETR3 PETROBRAS ON 14,05 +0,79 141,61M 171,54M 30.540 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,74 -0,12 116,34M 153,07M 17.651 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,86 +0,57 114,41M 130,39M 22.637 
 BBAS3 BRASIL ON 20,84 +0,24 110,50M 172,00M 9.753 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Outros destaques
Na agenda do exterior, ganharam destaque os dados econômicos da Alemanha. O índice IFO, indicador que mostra o desenvolvimento no país, subiu para 115,2 em março, ante 114,4 no mês anterior, atingindo seu patamar mais alto desde abril de 2012, além de sinalizar um crescimento sólido na principal economia da Zona do Euro.

O impasse diplomático envolvendo a Ucrânia continua tomando as atenções do mercado, conforme o presidente norte-americano Barack Obama e outras importantes nações industrializadas alertaram a Rússia na segunda-feira sobre possíveis novas sanções econômicas caso o presidente Vladimir Putin tome mais medidas para desestabilizar a Ucrânia.

 

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